Tomada do Forte Coligny pelos Portugueses

Ao final do ano de 1559, Mem de Sá recebeu ordens de Portugal para que acabasse com a ocupação francesa no Rio de Janeiro, iniciada quatro anos antes. Saindo de Salvador, o governador geral do Brasil desceu com sua frota, munindo-se de combatentes ao longo do percurso. Em Ilhéus, conheceu Jean Cointa, desertor do empreendimento francês, que lhe forneceu detalhes sobre o Forte Coligny, a base dos franceses na Baía de Guanabara, instalada na ilha de Serigipe, hoje Ilha de Villegagnon. 

Mapa da Baía de Guanabara, onde se pode distinguir o antigo forte francês. Título: “Roteiro de todos os sinais, conhecimentos, fundos, baixos, alturas, e derrotas que há na costa do Brasil desde o cabo de Santo Agostinho até ao estreito de Fernão de Magalhães”. Autor: Luís Teixeira, 1574. Acervo Biblioteca da Ajuda, Lisboa. Fonte: História do Rio para todos

Em 21 de fevereiro de 1560, a tropa de Mem de Sá, já instalada em porto próximo à ilha, contava com portugueses e “gentios” recrutados na Bahia, assim como tupiniquins de São Vicente e maracajás do Espírito Santo. De início, o governador português propôs, em carta endereçada ao capitão Bois-Le-Comte, comandante dos franceses, uma saída diplomática, ao que este respondeu que só sairia da fortaleza por ordem de seu próprio rei. 

Com os reforços de homens mandados de São Vicente e depois de estudarem a ilha e decidirem sobre como atravessar as enormes rochas que a circundavam, as tropas de Mem de Sá avançaram rumo à fortaleza em suas caravelas, naus e canoas, sob as bênçãos dos jesuítas que os acompanhavam. A artilharia portuguesa pressionava os franceses e os tupinambás — grupo de indígenas a quem os franceses se aliaram nos anos anteriores — entre a Colina das Palmeiras, ponto de melhor acesso à fortaleza e o outro extremo da ilha, também fortemente atacada pelos lusitanos. Mais uma noite e um dia inteiro de tiros de canhões e de luta corpo a corpo foram necessários até que os portugueses conseguissem chegar até a torre da fortaleza. Forçados a deixarem o seu último bastião, os franceses e indígenas restantes fugiram em direção ao continente. 

Representação do ataque português à ilha de Serigipe, em março de 1560. Título: “Isle e Fort des François”. Autor: André Thevet. Paris, 1575. Wikimedia Commons.

A vitória portuguesa, com a conquista da ilha, não garantiu a expulsão total dos franceses da região da Baía de Guanabara. Muitos deles se refugiaram no interior das terras e lutaram ao lado dos indígenas nos conflitos posteriores, que culminaram na conquista da porção continental do território e na fundação da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. 

Este texto foi elaborado pela pesquisadora Helena Gomes do Projeto República (UFMG).