Nora Ney

“Ninguém me ama”, música de Fernando Lobo e Antônio Maria lançada por Nora Ney em 1952.

Antes de ser eleita “Rainha do Rádio”, Iracema de Souza Ferreira se apresentava como Nora May. Uma fã desavisada trocou May por Ney e ela acabou assumindo o novo nome.

Nascida em Olaria em 1922, era frequentadora assídua de programas de auditório e não perdia a oportunidade de subir ao palco para cantar um sucesso estrangeiro. Ela só cantava em inglês ou francês até que o produtor Haroldo Barbosa a convenceu a entrar para a MPB, onde fez enorme sucesso. Brilhou nas Rádios Cruzeiro do Sul e Mayrink Veiga e, no início da década de 50, já era uma cantora disputada pelos compositores.

Nora Ney. Fonte: Jornal GGN

Em 1952 lançou 2 discos: o primeiro com a composição “Menino grande”, de seu amigo Antônio Maria e que veio a se tornar a música preferida de Getúlio Vargas; o segundo, com “Ninguém me ama”, o paradigma do ‘samba-de-fossa’, que garantiu à cantora o 1º Disco de Ouro da história fonográfica brasileira.

Seu primeiro casamento foi bastante conturbado. Ela era constantemente agredida pelo marido e chegou a ser internada no hospital devido a uma dose excessiva de barbitúricos. Da infeliz união resultaram 2 filhos, Hélio e Vera Lúcia, que seria eleita Miss Brasil.

Pouco depois do desquite litigioso, encontrou seu grande parceiro na voz potente do tenor Jorge Goulart. Formaram um dos casais mais interessantes da cena artística brasileira. Tinham imenso carisma: na China, num estádio com 45 mil pessoas, Goulart fez todos cantarem o refrão de “Aurora” e Nora Ney teve que bisar “Ninguém me Ama”.

Jorge Goulart e Nora Ney. Fonte: Jornal Estado de Minas

Estavam unidos não só pela música mas também pelo ideário político. Foram os primeiros cantores brasileiros a fazer excursões pela antiga Cortina de Ferro. Acusados de comunistas em 1964, foram cassados da Rádio Nacional e tiveram de se exilar na Europa.

Nora também entrou para a história sendo a pioneira do Rock no Brasil. Foi a primeira cantora a gravar o sucesso “Rock around the clock”, de Bill Haley.

Matéria na Revista do Rádio. Ed. 323 – 1955. Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Nora Ney faleceu em 2003, mas há mais de 10 anos já estava longe dos palcos, por conta de um acidente vascular em 1992.