Luiz Melodia

Nascido e criado no Estácio, no Morro de São Carlos, Luiz Melodia é um dos maiores nomes da música brasileira.

Imagem: Hypeness

Afinal, quem nunca entoou “Pérola negra, te amo, te amo. Rasgue a camisa, enxugue meu pranto…”?

Apesar de ter nascido no berço do samba, o cantor e compositor ouvia boleros e música nordestina, adorava Stevie Wonder e passou a adolescência compondo e tocando sucessos da jovem guarda e bossa nova com o grupo “Os instantâneos”.

A mistura dessas experiências com sua vivência nas tradicionais rodas de samba e choro que frequentava com seu pai, Oswaldo Melodia, resultou num estilo único que chamou a atenção de um assíduo frequentador do morro do Estácio, o poeta Wally Salomão e de Torquato Neto. Foi através de Wally que Gal Costa conheceu Luiz Melodia e gravou “Pérola negra” e, pouco depois, foi a vez de “Estácio holly Estácio”, na voz de Maria Bethânia.

Luiz Melodia ao lado de Gal Costa. Fonte: Hypeness

Ele e Jards Macalé carregavam o rótulo de “malditos” por andarem sempre nas bordas da indústria fonográfica. Segundo Macalé, “achavam que a gente era louco com aquele tipo de poesia. Um cara que diz uma coisa como ‘se quer matar-me de amor que me mate no Estácio’. Quer mais o que?”.

O primeiro disco, Pérola negra, veio em 1973, quando o músico tinha apenas 22 anos, e rendeu prestígio entre a crítica especializada. Não foi um sucesso de público mas Melodia pavimentou ali sua carreira.

Capa do disco Pérola Negra, 1973

Segundo seu parceiro, Renato Piau, “Luiz Melodia não era um cara comercial. As músicas dele não têm refrão, ele não gostava disso (e se uma ou outra têm é porque eu coloquei). Nas criações dele não existia o lugar comum, sua própria linguagem como poeta era uma coisa pouco ortodoxa”.

Com uma extensa discografia (13 discos de estúdio), venceu o Prêmio da Música Brasileira em 2015 por Zerima (2014), primeiro disco de inéditas lançado após um hiato de 13 anos.

Luiz Melodia morreu em 4 de agosto de 2017, após complicações no tratamento de um câncer na medula. Mas sua voz marcante e sua rica obra ainda ecoam pelo Rio e pelo Brasil, perpetuando o legado desse artista que, além de excelente compositor, era um intérprete incrível!

Viva Luiz Melodia!

Referências
D’ÂNGELO, Helô. Jards Macalé, Hyldon e Renato Piau relembram Luiz Melodia. Revista Cult, 4 de agosto de 2017.
luizmelodia.com.br