A segunda colina: Morro de Santo Antônio

O Morro de Santo Antônio – na verdade, o que resta dele – é onde se localiza o Convento e as igrejas dos franciscanos. Do século XVI até o século XIX, o morro abrangia o que hoje é a Avenida Chile e seus limites alcançavam as ruas do Lavradio, da Carioca, Senador Dantas e Evaristo da Veiga. 

Os franciscanos se instalaram no morro de Santo Antônio em 1615. Antes disso, ao chegarem no Rio de Janeiro em 1592, fixaram sua residência na igreja de Santa Luzia. A partir de 1608 iniciaram as obras de seu convento e igreja no alto do morro, para onde se mudaram em 1615. A vala aberta pelos freis para drenar a lagoa acabou por definir a fronteira da cidade, e o caminho passou a ser conhecido como Rua da Vala, hoje rua Uruguaiana.

Entrada da baía a partir do terraço do cconvento de Santo Antônio, Nicolas-Antoine Taunay, 1816. (Museu Nacional de Belas Artes)

No topo do morro também foi construída, em 1633, a capela da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, instituída no Rio desde 1619. Essa capela existe até hoje, mas a Igreja da Ordem Terceira mudou-se para o terreno ao lado do convento – doado pelos frades franciscanos aos irmãos da Ordem Terceira na década de 1650 – e, atualmente, é um dos templos católicos mais ricamente ornamentados do Brasil. O convento de Santo Antônio e sua igreja conventual também passaram por reformas, principalmente na segunda metade do século XVIII: o convento foi ampliado e a igreja ganhou uma fachada com maior monumentalidade – onde portais barrocos passaram a compor os arcos de entrada. 

Reconstituição da região do largo da Carioca, em 1650, Carlos Gustavo Nunes Pereira (Guta), 1990c. (Instituto Pereira Passos)

Com a expansão da cidade e crescimento da população, os problemas de abastecimento de água se agravaram e a solução foi criar um sistema de captação das águas do Rio Carioca. Em 1718, sob o governo de Antônio de Brito Freire de Meneses, foram instalados canos na rua dos Barbonos, atual Evaristo da Veiga, para distribuir a água do rio à população. Aires Saldanha, que governou o Rio entre 1719 e 1725, esticou os encanamentos até o Campo de Santo Antônio, atual Largo da Carioca, e construiu os antigos Arcos do aqueduto da Carioca, obra concluída em 1723 que ligava o Morro de Santa Teresa ao de Santo Antônio. No entanto, o sistema era ineficaz e gerou reclamações. Por isso, o governador Gomes Freire de Andrade (1733-1763) mandou construir um novo aqueduto, que teve seu projeto assinado pelo brigadeiro José Fernandes Pinto Alpoim, o principal engenheiro do governador. Inaugurado em 1750, o aqueduto levava a água até um chafariz de mármore, com 16 bicas de bronze, no Campo de Santo Antônio. 

Chafariz do largo da Carioca, fotógrafo não identificado, 1920c. (Bibioteca do IBGE)

Ali Gomes Freire mandou construir um posto de guarda para controlar a circulação daqueles que iam pegar água, dando origem à Rua da Guarda Velha, hoje Treze de Maio. Em 1834, Grandjean de Montigny projetou um novo chafariz no mesmo lugar, mas, para atender o aumento da demanda por água na cidade , com maior número de bicas. O chafariz de Montigny  foi demolido em 1925.

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