A terceira colina: Morro de São Bento

O Morro de São Bento é uma elevação na borda da Baía da Guanabara que compunha, no século XVI, a paisagem do primeiro centro urbano da cidade. Localizado ao fim da antiga rua Direita (atual 1º de Março) – via aberta para ligá-lo ao Morro do Castelo – o morro foi ocupado pelos Beneditinos a partir de 1590, quando iniciaram a construção de seu mosteiro e igreja, após receberem a doação do terreno de dois “homens bons” da cidade: Manoel de Brito e seu filho Diogo de Brito Lacerda. Os chamados “homens bons” eram ricos e influentes e,  muitas vezes, grandes proprietários de terras. 

A Ordem dos Beneditinos foi a segunda a se estabelecer no Rio de Janeiro, antecedida apenas pelos jesuítas. Inicialmente, ocuparam o Morro da Conceição, em uma ermida erguida por Aleixo Manuel e, em 1620, mudaram-se para o São Bento após a inauguração do mosteiro que, à época, era apenas uma construção de taipa com uma pequena capela.

Panorama do morro São Bento visto da ilha das Cobras, Victor Frond, s/d. (Divisão de Iconografia/Fundação Biblioteca Nacional)

Em 1633, as obras da Igreja Abacial foram iniciadas, utilizando recursos oriundos dos engenhos dos Beneditinos localizados nas regiões de Nova Iguaçu e Campos. Erguida com pedras da região do Morro da Viúva e utilizando mão de obra escravizada, a igreja foi inaugurada em 1641, mas a obra completa só foi finalizada quase cem anos depois.

Igreja de São Bento, Karl Robert von Planitz e Ludwig e Briggs, 1845. (Divisão de Iconografia/Fundação Biblioteca Nacional)

A igreja do mosteiro de São Bento é uma das mais belas do Rio e um dos principais monumentos do barroco luso-brasileiro. A fachada é muito simples e contrasta com a riqueza do interior, trabalhado com esculturas e talhas de madeira folheadas a ouro. O altar-mor tem ao centro a imagem de Nossa Senhora de Monserrat e, ao longo da nave, estão distribuídas oito capelas laterais. No teto, encontram-se pinturas que contam a história de São Bento. No segundo andar, restrito aos monges, está instalado o precioso órgão datado de 1773, tocado apenas por dois monges organistas.

Interior da igreja de São Bento, Halley Pacheco de Oliveira, 2012.
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