Noite das Garrafadas

Em 11 de março de 1831, casas da capital do Império foram decoradas com luminárias para receber D. Pedro, de volta ao Rio de Janeiro após dois meses em viagem pela província de Minas Gerais. A iniciativa partiu de moradores alinhados ao Partido Português, que reivindicavam poderes absolutos para o monarca. Mas a celebração foi vista como provocação pelo Partido Brasileiro, que reunia liberais moderados e exaltados com o interesse em comum de instaurar o Parlamento.

À época, corria à boca pequena que D. Pedro pretendia suprimir a Constituição brasileira e se proclamar soberano absoluto de um reino constituído pela reunificação de Portugal e Brasil.

Dom Pedro I. “Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil”, em 1827. Gravura de Edward Smith, a partir da tela de autoria de Simplicio Roiz de Sá. Biblioteca Nacional.

Agitadores liberais das ruas da Quitanda e Direita foram à forra e percorreram a cidade apagando as fogueiras acessas pelos partidários de D. Pedro. Alunos do Seminário de São Joaquim atiraram pedras, quebraram vidraças e destruíram algumas das luminárias expostas pelos portugueses.

O conflito que ficou conhecido como Noite das Garrafadas foi protagonizado por um quebra-quebra generalizado. Paus, pedras, garrafas, facas, insultos e agressões partiram de ambos os lados. Vivas à Constituição e à liberdade de imprensa eram respondidos por aclamações ao imperador absoluto. A política transbordou da Câmara e do Senado, dos saraus e dos círculos palacianos, escorreu e tomou as ruas do Rio de Janeiro. A ordem foi restaurada por policiais, com auxílio de juízes de paz, no dia 17 de março.

O jornal liberal Aurora fluminense, em 16 de março de 1831, noticia em 1ª página os distúrbios que ficaram conhecidos como “Noite das garrafadas”. Hemeroteca Pública da Biblioteca Nacional

Este texto foi elaborado pela pesquisadora Marcela Telles Elian de Lima do Projeto República (UFMG).