Lampião da Esquina

“Amor entre mulheres”. Esta era a manchete na capa da edição de maio de 1979 do jornal carioca Lampião da Esquina, o primeiro do Brasil a tratar abertamente da “causa homossexual” – como era chamada a pauta LGBTQIAPN+ naquele período.

Fundado em 1978, em meio à Ditadura Militar, o Lampião tinha a coragem de celebrar o amor entre pessoas do mesmo gênero e denunciar a violência policial contra travestis, além de apontar o teor preconceituoso que alguns jornais usavam ao falar da população LGBTQIA+.

Com corpo editorial diverso – formado por por jornalistas, antropólogos, poetas e críticos de cinema – e pautas que iam da “causa homossexual” às lutas raciais e feministas, passando por temas que são tabu até hoje, como o amor entre pessoas com deficiência, o Lampião da Esquina figurava na lista de “imprensa contestatória ao governo”, que circulava entre os diferentes órgãos do sistema repressivo.

Estar nessa lista tornava o Lampião da Esquina alvo declarado do regime militar e, em abril de 1979, 5 de seus editores foram fichados na Polícia Federal sob alegação de “ofensa à moral e ao pudor público”, em uma das inúmeras tentativas de censurar o jornal e a população LGBTQIA+. O fato foi denunciado na capa do periódico, que ainda comparou as punições ao “crime” de ser homossexual com os “crimes de colarinho branco”, cometidos por quem quase sempre ficava impune.


Boletins confidenciais produzidos pela Divisão de Segurança e Informação descreviam o Lampião como um jornal dedicado à “promoção do homossexualismo” e responsável por abordar “assuntos atentatórios à moral e aos bons costumes”. Mas, a despeito de todas as críticas e tentativas de silenciamento, o periódico, publicado mensalmente, circulou até 1981 e teve 38 edições, que podem ser acessadas no site do Centro de Documentação Prof. Dr. Luiz Mott (CEDOC).

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