Revista O Cruzeiro

Um divisor de águas na imprensa nacional. Cosmopolita e sofisticada, a revista O Cruzeiro veio a lume já com estardalhaço. Dias antes de chegar às bancas, em 1928, quatro milhões de prospectos foram jogados do alto de prédios do centro do Rio, anunciando a novidade. Revista de variedades, apresentava o frescor de um projeto gráfico que injetava arrojo no mercado editorial brasileiro, com a grande valorização de fotos e de imagens, a boa qualidade de impressão e de papel.

O repórter David Nasser. Wikimedia Commons

Também representou renovação no campo do conteúdo, apresentando um foco de interesses muito mais amplo do que era praxe nas demais publicações da época. Pautas de comportamento e efemérides assomavam às suas páginas ao lado de temas políticos e da cobertura internacional. Trouxe uma nova linguagem para as revistas brasileiras, com a sua ênfase no fotojornalismo, que criou as duplas repórter-fotógrafo. Sua dobradinha mais famosa foi formada por David Nasser e Jean Manzon.

O repórter fotográfico Jean Manzon. Arquivo Nacional. Fundo Agência Nacional

É muito comum associarem a gênese de O Cruzeiro ao empresário Assis Chateaubriand. Mas a verdade é que a ideia original da revista foi do jornalista português Carlos Malheiro Dias, que passou o controle de sua publicação a Chatô, por falta de recursos financeiros. Se não há dúvidas do caráter novidadeiro do semanário, por outro lado, também é inegável seu papel por vezes polêmico e controverso, como o apoio à Aliança Liberal de Getúlio Vargas e a história repleta de reviravoltas decorrente desse engajamento, com as famosas desavenças entre Vargas e Chateaubriand.     

Capa da primeira edição de O Cruzeiro. 10 de novembro de 1928. Wikimedias Commons

A revista conheceu seus tempos áureos na década de 1940, quando publicou textos de autores como Rachel de Queiroz, José Lins do Rego, Gilberto Freyre, Joel Silveira e Nelson Rodrigues. A coluna humorística Pif-Paf, de Millôr Fernandes, fez grande sucesso, assim como o cartum Amigo da Onça, de Péricles.

O Cruzeiro viveu alguns anos de decadência até parar de circular, em 1975. Alguns anos mais tarde, sob a gestão de novos empresários, retornou por algum tempo às bancas, mas sem o vigor e o charme do passado.

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