Querida mãe

Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 1904.

Querida Mãe,

Não sabes o quão feliz estou de finalmente conseguir lhe escrever. A senhora sabe que como não consigo controlar as minhas viagens no tempo, às vezes acabo caindo em uma época não muito pacífica, como da última vez que fui parar na Europa em meio à Primeira Guerra Mundial ou quando estive presente nas famosas revoluções que ocorreram ao passar dos anos e que no futuro as estudamos na escola. Desta vez, não foi diferente: estou no Brasil, no ano de 1904 e ainda por cima em nossa cidade.

Acredito que pela data e local a senhora já saiba que período presenciei. Sim, isso mesmo que estás pensando: a Revolta da Vacina. Assim, sei que desde que em 2010 quando comecei com essas minhas viagens não volto para a nossa época e não tenho ideia do que pode ter acontecido nos últimos onze anos (espero que o Brasil já tenha o hexa). Porém, creio eu, que não tenha acontecido nada parecido com o que acabei de ter o desprazer de ver. A senhora não tem noção de como ficou a cidade ao ser atacada pelos seus próprios habitantes ou o que é ver os civis e até mesmo os políticos contra uma vacina que previne uma doença que já matou tantas e tantas pessoas por aqui. Onde já se viu alguém se recusar a tomar algo que tem como objetivo impedir a pessoa de se infectar com uma doença mortal? Durante seis dias foi um terror, até que finalmente o governo dominou o movimento e, por fim, a lei que tornava a vacina uma obrigação foi modificada.

Por aqui finalizo esta carta, não fiques preocupada, mesmo com todos esses acontecimentos históricos nos quais fui parar, estou em segurança. Em uma semana seguirei em outra viagem (tomara que seja para Paris ou Roma) e terei uma nova aventura. Como sempre, estarei muito ansiosa para lhe escrever novamente.

Se cuidem, amo muito a senhora e a meus irmãos.

Beijos,

A.L. Freitas