Deposição de Washington Luís

Hino a 24 de outubro – Gastão Formenti, 1930

O golpe para depor o governo Washington Luís começou em 3 de outubro de 1930, em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba. O Rio de Janeiro era o ponto de convergência das duas frentes armadas que partiram do Sul e do Nordeste.

“A alegre mocidade gaúcha amarra enfim os cavalos dos pampas ao obelisco da Avenida” O Cruzeiro,  Rio de Janeiro – 1930 –  Hemeroteca da Biblioteca Nacional

Em março do mesmo ano, o candidato da situação, Júlio Prestes, saiu vitorioso das eleições presidenciais, com o apoio do presidente e de 18 estados da federação. A oposição, reunida em torno da Aliança Liberal (AL), reconheceu a derrota nas urnas. Mas o assassinato do candidato derrotado à vice-presidência, João Pessoa, gerou a comoção popular necessária para que civis e militares se mobilizassem para tomar o poder pelas armas. O governo usava os jornais da capital federal para espalhar falsas notícias de derrotas impostas pelas Forças Armadas aos insurgentes. Quem se arriscasse a contradizer a versão oficial era preso. A frase “O derrotista é indesejável. Queira retirar-se” foi estampada em cartazes afixados nos quadros de avisos das repartições públicas.

3º Regimento de Infantaria protege o Palácio da Guanabara da invasão por manifestantes favoráveis a deposição do presidente Washington Luis. O Cruzeiro, Rio de Janeiro – 1930 – Hemeroteca da Biblioteca Nacional

No dia 24 de outubro, soldados e populares ergueram trincheiras e barricadas, posicionaram canhões e metralhadoras em frente ao Palácio Guanabara, e incendiaram a sede do jornal “O paiz”, na Avenida Rio Branco. Redações e oficinas de outros jornais foram depredadas, e seus objetos queimados em plena rua.

Washington Luis deixa o Palácio da Guanabara e é conduzido como prisioneiro ao Forte de Copacabana. O Cruzeiro, Rio de Janeiro -1930 – Agência O Globo

À meia-noite, Washington Luís saiu prisioneiro do palácio para o Forte de Copacabana. A Junta Governativa Provisória, composta por dois generais e um contra-almirante, havia deposto o presidente. Em seguida, as cúpulas do Exército e da Marinha deram posse a Getúlio Vargas, o candidato derrotado nas eleições.

Multidão em frente ao Palácio do Catete saúda Getúlio Vargas. O Cruzeiro, Rio de Janeiro – 1930 – Hemeroteca da Biblioteca Nacional

Este texto foi elaborado pela pesquisadora Marcela Telles Elian de Lima do Projeto República (UFMG).