Museu da República

Inaugurado em 15 de novembro de 1960 — data que marca o aniversário da Proclamação da República —, o Museu da República é um dos principais guardiões da memória política do Brasil. Seu acervo conta com cerca de 90 mil itens, entre documentos, fotografias e objetos que narram a trajetória do país desde o fim do Império. A instituição ocupa o imponente Palácio do Catete, edifício que, por si só, é um documento vivo das transformações sociais e urbanas do Rio de Janeiro.

O bairro do Catete, cujo nome de origem tupi significa “mato fechado”, era o caminho que ligava o centro da cidade às fazendas e fortes do sul. Durante o século XIX, a região tornou-se o endereço preferido da aristocracia cafeeira. O palácio foi construído entre 1858 e 1867 pelo Barão de Nova Friburgo, Antônio Clemente Pinto, um dos homens mais ricos do Império. O edifício, em estilo neoclássico com influências renascentistas, representava o auge do poder econômico baseado na economia cafeeira e na mão de obra escravizada.

Com a morte dos barões e a crise financeira de seus herdeiros, o imóvel foi vendido e, em 1897, tornou-se a sede da Presidência da República. Durante 63 anos, o Catete foi o coração do poder brasileiro, testemunhando decisões que mudariam o destino da nação até a transferência da capital para Brasília, em 1960.

O museu preserva coleções fundamentais, como os registros fotográficos de Flávio de Barros sobre a Guerra de Canudos e a Coleção Família Passos, que documenta as reformas urbanas do prefeito Pereira Passos.


O interior do palácio preserva a opulência da época, com escadarias de ferro fundido vindas da Alemanha e salões decorados com temas distintos. Dois momentos históricos se destacam nas memórias do prédio:

O Sarau do Corta-Jaca (1914): Organizado por Nair de Teffé (esposa do presidente Hermes da Fonseca), o evento chocou a elite ao introduzir o tango brasileiro de Chiquinha Gonzaga em um ambiente aristocrático, rompendo barreiras entre a cultura popular e a oficial.

O segundo – bem menos festivo – que aconteceu no interior do palácio e causou comoção em grande parte da população carioca, pode ser visitado por quem chega ao 3º andar: ali estão preservados os móveis do quarto presidencial, onde Getúlio Vargas tirou a própria vida, com um tiro no peito, na madrugada de 24/08/1954.

O Jardim do Palácio, projetado originalmente pelo paisagista francês Auguste Glaziou, é um refúgio urbano de 24 mil metros quadrados. Com lagos artificiais, pontes e grutas, o espaço reflete o gosto europeu do século XIX e hoje funciona como um importante parque público para a cidade, conectando a Rua do Catete à Praia do Flamengo.


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