No recreio das escolas

Pique-Bandeira

A brincadeira que chegou às ruas do Rio nos anos 1930 – e se popularizou nas décadas entre 1960 e 1980 – foi perdendo importância com o processo de urbanização da cidade e o aumento do tráfego de veículos. Patrimônio Cultural da Humanidade, o pique-bandeira faz parte do acervo cultural infanto-juvenil brasileiro.

Pique-bandeira – Gravura de Alcides Oliveira

A origem do jogo se perde no tempo. Muitos acreditam que tenha sido inventado pelos escoteiros norte-americanos, chamado de Capture the Flag (‘capturar a bandeira’, em tradução livre do inglês). No Brasil, a prática remete às primeiras décadas do século XIX e vem da tradição portuguesa que, por sua vez, tem suas raízes na Itália renascentista, quando cidades da Toscana disputavam as bandeiras de outras regiões da península itálica.

O pique-bandeira começa com a divisão dos participantes em dois times, cada um em um lado do campo. Nas linhas de fundo são fincadas as ‘bandeiras’ de cada grupo, que podem ser pedaços de pau ou chinelos. A meta é roubar o objeto adversário sem deixar de proteger o seu, atravessando rapidamente o campo do time contrário. Se um participante for pego por um de seus adversários, ele fica ‘colado’ no mesmo local até ser liberado pelo toque de um companheiro de equipe. Enquanto parte do time se dedica à conquista da bandeira adversária, o restante fica responsável por defender a sua e vigiar os participantes colados. Ganha o time que conseguir atravessar a bandeira do outro time para o seu próprio campo.

Diz-se que a brincadeira seria uma preparação para escapar das turmas de ruas que eram rivais. O pique bandeira fazia com que os participantes tivessem maior preparo para correr das turmas e da polícia. Era uma das poucas brincadeiras de rua na cidade em que homens e mulheres podiam brincar juntos.

Queimado

Queimado – Gravura de Alcides Oliveira

O queimado é uma brincadeira coletiva praticada por dois times cujo objetivo é eliminar os adversários ‘queimando-os’ com a bola em qualquer parte do corpo. Também é eliminado quem pega a bola e a deixa cair. Nos dois casos, o jogador ‘queimado’ pode voltar à partida se atingir um oponente. Vence o time que conseguir queimar o maior número de adversários.

O campo é dividido por uma linha central e atrás da área de cada time fica o espaço reservado para os jogadores queimados. Em alguns lugares do Brasil, esta área é chamada de prisão, céu, cemitério, castigo ou base. Apesar de não haver torneio oficial no país, o esporte costuma estar presente em olimpíadas escolares e nos recreios.

Na cidade do Rio de Janeiro, a brincadeira começou nos colégios femininos durante a prática da educação física. Posteriormente, quando chegou às ruas, transformou-se e abriu espaço para a inclusão de participantes masculinos.