O que é o vestir?
O ato de vestir é um gesto antigo, sua origem está localizada em tempos imemoriais. É possível dizer que esse gesto acompanha o processo de tomada de consciência da nossa própria humanidade. Aprendemos a nos vestir ao mesmo tempo em que nos tornamos seres eretos, ao mesmo tempo em que aprendemos a nos comunicar, a cozinhar.
Muitos antropólogos tratam o vestuário como um fato universal. Assim como todos os povos têm linguagem, música, artes plásticas, em todas as culturas as pessoas se vestem. O antropólogo Claude Lévi-Strauss, que viveu alguns anos no Brasil, na década de 1930, compara o ato de vestir e o de cozinhar. O nu e o vestido seriam equivalentes ao cru e ao cozido.

Se o ato de vestir faz parte de algo que nos define como seres humanos, é importante chamar atenção para o fato de que ele não está restrito à lógica de cobrir o corpo, e muito menos ao uso dos artefatos têxteis ou de tecidos de qualquer natureza, como aqueles confeccionados de fios a partir de fibras vegetais. Vestir-se é adornar-se, proteger-se, modificar o próprio corpo. O ato de vestir é qualquer mediação que se faça entre o corpo e o mundo. Assim, é preciso ampliar nossa compreensão sobre o que consideramos ser uma roupa.

Toda modificação corporal, toda intervenção que se faça no corpo, qualquer técnica ou objeto que os seres humanos usem sobre o corpo – pinturas, tatuagens, escarificações, penteados e cortes de cabelo, adornos, enfeites, jóias, ornamentos, tecidos – é uma roupa. Não existe, portanto, sociedade em que as pessoas não se vistam.
