Um novo começo

Estácio de Sá, fundador da cidade e sobrinho de Mem de Sá, acabou perdendo a vida no ataque aos franceses em 1567, na Batalha de Uruçumirim, onde hoje está localizado o Outeiro da Glória. Pouco depois da batalha, Mem de Sá decidiu transferir a sede da nova cidade para o cume do Morro do Descanso, depois renomeado Morro do Castelo, por questões de segurança e, também, seguindo a tradição lusitana de ocupar locais elevados para a fundação de cidades.  

Morro do Castelo visto do Morro de Santo Antônio, estudo para panorama de Victor Meirelles, 1885c. (Museu Nacional de Belas Artes)

Lá de cima os habitantes poderiam ter um  controle maior sobre a Baía da Guanabara. E ali foram construídos o Colégio dos Jesuítas, a Igreja Matriz (Sé) e a Igreja de Santo Inácio, além das fortificações necessárias para a defesa da cidade, a Câmara Municipal e os armazéns da Fazenda Real. As construções seguiram as experiências dos colonizadores que, com base nas influências romana, visigótica, cristã, árabe e renascentista – povos que co-habitaram a Península Ibérica – imprimiram o padrão construtivo português na cidade que surgia. Essas experiências diversas alimentavam a ideia de uma cidade sempre em movimento, voltada para o futuro, uma cidade ideal que existia para além de sua expressão física.

Carta-planta da cidade de São Sebastião, Luiz Teixeira, 1574-1586. A cidade velha está indicada próximo ao Pão de Açúcar. (Biblioteca da Ajuda, Portugal)

Assentada no topo, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro dominava a paisagem. Dali, se observavam os contornos das montanhas e águas calmas ao redor. Os homens e mulheres que habitavam aquele morro davam sentido ao novo. Os casarios de taipa eram ensaios para sonhos de futuro.

Vista olho de pássaro do Rio de Janeiro, Nicolas van Geelkerken, 1624. (Biblioteca John Carter Brown, EUA)