Favela do Largo da Memória

O Leblon é um dos metros quadrados mais caros do país. Mas a área era considerada suburbana até as primeiras décadas do século XX e sua ocupação foi feita por comunidades faveladas, como a do Largo da Memória. A comunidade ocupava uma extensa faixa de terra alagadiça entre Gávea e Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro, originando-se de um antigo acesso à praia próximo à Lagoa Rodrigo de Freitas. Sua localização corresponde ao atual 23º Batalhão de Polícia Militar (BPM).

Sua formação está ligada ao processo de urbanização da região a partir da década de 1930, especialmente às obras do canal do Jardim de Alah e à expansão das linhas de bonde em direção à Gávea. Esse contexto atraiu trabalhadores — muitos deles migrantes — que buscavam proximidade com empregos na construção civil, no serviço doméstico e no comércio local.

Favela Largo da Memória, c.1940. Rio de Janeiro. Acervo Casa de Oswaldo Cruz.

O Largo da Memória não era um núcleo isolado: fazia parte de um conjunto articulado com outras favelas vizinhas, como a Praia do Pinto e a chamada Cidade Maravilhosa, formando uma rede de ocupações populares na orla da Lagoa. Do ponto de vista geográfico, tratava-se de uma ocupação horizontal, adaptada ao terreno plano e sujeito a inundações, característica comum às favelas da Lagoa. As moradias eram predominantemente barracos de madeira, de zinco e de outros materiais precários, com pouca infraestrutura urbana.

O prefeito Henrique Dodsworth (à direita) ateando fogo nos barracões da favela do Largo da Memória. O Malho, julho de 1942. Fundação Biblioteca Nacional.

Nas décadas de 1940-1960, políticas de erradicação de favelas no Rio intensificaram-se, contra aglomerações consideradas focos de insalubridade. A gestão do prefeito Henrique de Toledo Dodsworth iniciou aquele ciclo de remoções forçadas. no qual o próprio prefeito tomou a iniciativa de incendiar favelas, como a do Largo da Memória, em maio de 1942.

Incêndio na Favela Largo da Memória, 24/05/1942. Autor: Victor Tavares de Moura. Fundação Oswaldo Cruz.

Os moradores da favela do Largo da Memória foram transferidos principalmente para barracões próximos ao canteiro de obras do Parque Proletário da Gávea. Outra leva de moradores se instalou na favela da Praia do Pinto, que também foi vítima de um incêndio — que, ao que tudo indica, teria sido criminoso — na década de 1960.

Parque Proletário Provisório nº 3, Praia do Pinto. 194-. Autor: Victor Tavares de Moura. Fundação Oswaldo Cruz.

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