Edifício Noel Rosa
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A casa onde morava Noel Rosa, que se localizava na Rua Teodoro da Silva, n° 30 (hoje número 392) era uma casa tipo chalé. Foi habitada pelo comerciante Manuel Garcia de Medeiros e pela professora Martha Medeiros Rosa, que no dia 11 de Dezembro de 1910 deu à luz a Noel Rosa de Medeiros, em um parto de difícil execução. Devido a complicações durante o trabalho de parto, o médico foi necessário o uso do fórceps. Tal procedimento trouxe para Noel problemas na mandíbula, ficando com o maxilar afundado e sem queixo, marcando sua feição por toda a vida. Afetou até a sua alimentação, já que precisava consumir comidas pastosas como mingaus e sopas. Sua aparência será motivo de chacota para muitos, fato presente na composição “Frankenstein da Vila”, do sambista Wilson Batista, composta em uma série polêmica de farpas e ironias entre os dois.

A paixão de Noel Rosa por Vila Isabel, era notória, tanto que citou o bairro em algumas de suas composições, tais como “Eu vou pra Vila”, “Bom Elemento”, “Palpite Infeliz” e em uma das mais músicas mais conhecidas, “Feitiço da Vila”. Noel viveu toda sua vida nessa residência, inclusive durante seu casamento com sua esposa, Lindaura. Lá morreu de tuberculose, na noite de 4 de Maio de 1937, aos 26 anos de idade. Hoje a casa não existe mais no local. No seu lugar há um prédio residencial, batizado de Noel Rosa, e que se tornou um dos símbolos históricos do bairro, com moradores orgulhosos por sua passagem ali. Aqui, o primeiro sucesso de Noel Rosa, escrito em 1930 e gravado em 1931. Uma lenda popular atribui a inspiração da música a um episódio em que a mãe de Noel teria escondido suas roupas por ele ter saído sem permissão, forçando-o a perguntar “Com que roupa eu vou?”. Outras lendas associam a canção a diferentes contextos, tal como a crise de 1929, e até mesmo semelhanças com o Hino Nacional, o que teria motivado mudanças na melodia. Todas as lendas fazem parte do imaginário popular sobre a criatividade de Noel Rosa. “Com que Roupa?” inclusive se tornou um dito popular, significando “estar sem dinheiro”.

