Casa Turuna
“Gastei uma fortuna na Casa Turuna. Se eu fosse rico, compraria a Casa Turuna e passaria o resto dos meus dias lá dentro, trancado”.

O trecho é uma fala do personagem Wanderley, da comédia “Matou o marido e dormiu com o leitão”, escrita nos anos 1970 por Paulo Afonso de Lima. A citação é apenas uma dentre muitas que mencionam a mais tradicional loja de fantasias que o Rio já teve notícia: a Casa Turuna. Em outro exemplo de como a Casa Turuna permeava o imaginário popular, na minissérie “Anos Rebeldes” (ficção da TV Globo do início dos anos 1990, que conta a história de um grupo de opositores à ditadura militar), a personagem Heloísa (interpretada por Cláudia Abreu) presenteia o embaixador da Suíça, sequestrado por seu grupo, com uma coroa. Comprada onde? Isso mesmo, na Casa Turuna.
Por mais de um século, a loja foi o endereço certo para encontrar roupas e adereços para a festa momesca — e para outras celebrações em que se fantasiar faz parte do dress code.

A Casa Turuna foi fundada em 1915 por dois imigrantes portugueses, na Praça Onze, epicentro do antigo carnaval carioca, sempre vendendo tecidos, aviamentos e fantasias para os cordões carnavalescos da região. Há quem diga que o nome da loja era uma homenagem a um bloco que passava na porta, o dos Turunas — “valentões”, na gíria da época —, mas o mais provável é que seja uma referência ao apelido de um dos sócios, que também respondia por Turuna.
Na década de 1940, mudou-se para o Saara, na esquina da Rua Senhor dos Passos com a Avenida Passos, onde gerações de foliões garantiram suas fantasias temáticas – baianas, ciganas, piratas, caveiras, colombinas.

Em 2020, a Casa Turuna fechou suas portas. Os problemas financeiros já vinham acompanhando a loja, mas a crise econômica provocada pela pandemia de COVID-19 foi a sentença final para esse comércio familiar — foram quatro gerações à frente dos negócios.
