AsruasdoRio:umespetáculoàparte

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Rio Memórias

No final do século XIX, em plena Belle Époque carioca, João do Rio, um dos mais famosos cronistas dedicados a retratar a cidade, se deu conta que as pedras que formavam a cidade não contavam histórias, somente seus habitantes. Essa constatação o fez direcionar suas impressões sobre a cidade para lugares, tipos, motes, anedotas, ditos espirituosos, tabuletas de propaganda, letreiros e vitrines. Tudo observado por homens e mulheres que vislumbraram na

flânerie

um modo especial de produzir narrativas urbanas.

Homem com chapéu de palha, terno xadrez, olhando sério para a câmera.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia preto e branco de um homem sentado. Ele está usando um chapéu de palha com aba larga, posicionado sobre a cabeça. O chapéu parece ser de um tom claro, mas não há detalhes claros devido à qualidade da imagem. O homem está vestindo um terno de padrão xadrez, com um colete sob o casaco. Sua mão direita está apoiada no joelho, enquanto a mão esquerda segura um objeto que parece ser um livro ou um caderno. A expressão facial do homem é séria, com os olhos olhando diretamente para a câmera. O fundo da foto é desfocado, sugerindo que o foco principal é o homem.

Fotografia do jornalista João do Rio, cronista da cidade e autor de “A Alma Encantadora das Ruas”(1908). Autor desconhecido, 1921 - Hemeroteca Digital/Biblioteca Nacional.

Dizia o cronista-poeta que flanar é vagar pelas ruas com inteligência, isto é, ter um olhar crítico para o que é observado. Estas críticas decorriam alimentavam o seu desejo de entender a alma carioca. Observou que, ao perambular pela cidade, o carioca estaria realizava um trabalho etnográfico que redundava em uma miríade de histórias e tipos: os meninos de rua, os fumadores de ópio, as prostitutas, os vendedores de santinhos, os tatuadores, as mariposas de luxo. E a partir da descrição destes tipos desdobrou uma segunda marca dos cariocas: o amor pelas ruas. E percorrer as ruas significava descobrir coisas novas, procurar pequenos detalhes, se apaixonar por elas e entender se elas eram alegres ou tristes, conservadoras ou subversivas, caladas ou falantes, preconceituosas ou liberais, esnobes ou simples.

João do Rio nos mostra que não é possível entender o cotidiano da cidade sem flanar por suas ruas. Para ele, o encanto do Rio de Janeiro estava nos tipos que circulavam no espaço público e na alma encantadora das ruas.

Edifícios antigos em uma rua urbana histórica.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia histórica de uma rua urbana, provavelmente do início do século XX, com edifícios antigos e comerciais. Do lado esquerdo, vemos uma série de prédios baixos com fachadas ornamentadas e janelas arredondadas. À medida que nos movemos para a direita, o foco principal é um grande edifício de três andares com balcões decorativos e uma placa publicitária que lê "Só com Sanoliv". O céu está claro e o horizonte é ligeiramente inclinado, sugerindo que a foto foi tirada durante o dia. Na parte inferior da imagem, vemos pessoas caminhando pela calçada, alguns deles usando chapéus e roupas formais típicas da época.

Encontro da rua Uruguaiana com a rua do Ouvidor. Autor desconhecido, sd. Rio de Janeiro,RJ - Brasiliana Fotográfica/Biblioteca Nacional.

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Memória 1 de 4: As ruas do Rio: um espetáculo à parte