Drive-Ins
Na década de 1960, o Rio foi pioneiro numa febre que tomou o Brasil: os drive-ins. O primeiro do país ficava na Lagoa Rodrigo de Freitas — e era enorme. No estacionamento cabiam 520 carros. Eles se alinhavam de frente para um telão que os anúncios diziam ser o maior da América Latina, da altura de um prédio de 8 andares. As caixinhas de som — de qualidade sofrível, segundo alguns críticos da época — ficavam ao lado de cada vaga de carro. O Rio de Janeiro finalmente ganharia seu primeiro drive-in aos moldes americanos, onde seria possível assistir aos filmes no conforto — ou no desconforto — de seu carro.

O Cine Lagoa fez sua estreia no dia 3 de setembro, às 22h. O filme escolhido não era grande coisa: “Pesadelo ao Sol”, de 1965, uma bomba estrelada por Ursula Andress e que não deixou saudade. Mas por lá também passou Tubarão, Guerra nas Estrelas e centenas de outros sucessos. As sessões, claro, eram sempre noturnas, mas também havia sessões infantis, com desenhos para a meninada.

E a propaganda dizia que, enquanto as crianças podiam pedir Coca-Cola, sorvete, cachorro quente e batata frita, os adultos podiam tomar seus drinks e fumar seus cigarros sossegados. Outros tempos mesmo!
Além de ver os filmes, os drive-ins eram uma chance para o pessoal “dar uns amassos” (principalmente os jovens que não tinham lugar nem grana para dar uns sarros entre quatro paredes, como na música da Rita Lee, “Papai me empresta o carro”).
Em 1993, após quase 30 anos de funcionamento, o espaço encerrou suas atividades, acompanhando o declínio desse modelo de cinema, que já não competia com as novas formas de exibição e entretenimento. Outros drive-ins surgiram no Rio, como na Ilha do Governador e em Jacarepaguá, mas também desapareceram com o tempo.

Os drive-Ins — inclusive o da Lagoa — voltaram à cena em 2020, quando a pandemia de COVID-19 fechou os cinemas tradicionais e incentivou alternativas seguras de lazer. Durou pouco e a moda se foi junto com a pandemia. Mas naquele momento, assistir a filmes aos pés do Cristo Redentor foi um encontro entre a nostalgia do passado e o alento num presente de angústia e dor. Uma magia que só o cinema tem.

