Vendedor de pirulitos e taboca
“Lá vem o vendedor de pirulito
Trazendo nas costas o latão
Com a mão direita toca castanhola
e vende pirulito com a outra mão”
O trecho acima é da marchinha “Vendedor de Pirulito” de José Gonçalves e Zilda Gonçalves, composta para o carnaval de 1953. Ela fala de uma figura que já foi uma das mais aguardadas pelas crianças nas praias cariocas.

Há muitas décadas as praias cariocas são espaços onde circulam sabores para todos os gostos. O Rio, aliás, tem uma relação com o comércio ambulante que remonta ao menos ao século XVIII: pessoas circulando pela cidade com seus tabuleiros e balaios cheios de frutas e quitutes.
Quando o carioca adotou a praia como seu espaço de lazer preferido, no século XX, esse mercado ambulante também migrou para as areias. E tem de tudo. Milho, queijo coalho, camarão no espeto, sanduíche natural, além dos já consagrados: biscoito Globo e mate gelado. Esfirras e empadas já foram mais protagonistas, perdendo espaço para as empanadas argentinas.
Mas, como tudo é dinâmico, enquanto surgem novos hábitos e personagens, outros saem de cena. E o vendedor de pirulitos foi um desses ofícios desaparecidos. Quem viveu se lembra das figuras, equilibrando nas costas um latão de metal que guardava os pirulitos e as casquinhas de biju, também conhecidas como taboca ou triguilim. No topo, espetados com cuidado, os pirulitos de açúcar queimado — que mais tarde passariam a assumir a forma de chupeta — formavam um painel colorido.

A presença desse vendedor era anunciada antes mesmo de ser vista. O som seco e repetido do “tlac tlac”, produzido por uma pequena matraca de madeira com uma peça de metal articulada, servia para chamar a clientela. Era ouvir o chamado e já sentir o açúcar queimado grudado nos dentes e o biju estalando na boca. Hoje, o vendedor de pirulitos é, no mínimo, uma raridade

