Paróquia Nossa Senhora da Apresentação: Patrimônio cultural e religioso do Rio de Janeiro
Alunos: Daniele Nicolini, Andrea e Mamede
O presente trabalho foi realizado por meio de pesquisas realizadas em sítios de domínio público e arquivos disponibilizados pela diocese do Rio de Janeiro e pela própria paróquia, além de entrevistas com antigos moradores das imediações da Igreja, realizado no aplicativo Google documents, objetivando, deste modo, alcançar curiosidades pouco conhecidas do público que eventualmente tenham sido transmitidas para o nosso tempo por meio das tradições locais.
A Igreja de Nossa Senhora da Apresentação é a segunda mais antiga da cidade do Rio de Janeiro, ficando atrás apenas da Igreja de São Sebastião, construída e demolida no extinto morro do Castelo. É, portanto, a edificação religiosa, ainda de pé, mais antiga do Rio, testemunhando mais de quatro séculos de história. Diretamente ligada à fundação do bairro de Irajá, na Zona Norte da cidade, a Igreja originou-se da Capela Barroca de Irajá, erigida em 21 de novembro de 1613 pelo padre jesuíta Gaspar da Costa. A construção se iniciou em 1596 e teve grande apoio financeiro da comunidade. Já em 30 de dezembro de 1644, a Capela foi elevada à condição de paróquia Nossa Senhora da Apresentação, tornando-se a matriz do bairro, conforme alvará régio de Dom João IV, de 10 fevereiro de 1647. Através deste alvará, os moradores antes subordinados à freguesia da Candelária passaram para a freguesia de Nossa Senhora da Apresentação. Há controvérsia a respeito da transformação da capela em matriz, sendo o fato comumente atribuído ao prelado Antônio de Marins Loureiro. Um projeto tramita na Câmara dos vereadores para atribuir a ascensão da Igreja ao filho de Gaspar. Na época, a extensão geográfica da Paróquia era muito grande, abrangendo toda a zona suburbana, estendendo-se desde a Pedra Branca, na serra de Bangu, até Guaratiba, Campo Grande, Vasconcelos, Santíssimo, Camará, Bangu e Realengo e as regiões do Mendanha e Guandu do Sena.
Em 1946, a Igreja exigiu uma reforma, e o vigário de então, o padre Juan Luiz Garrido, conseguiu fundos e realizou fundamental reforma no templo, quando foram abertas duas janelas, uma em cada lateral, para melhorar a iluminação e a ventilação do local.
A paróquia e família imperial
Uma das tantas histórias interessantes sobre a Igreja de Nossa Senhora da Apresentação, relata que D. Pedro II, quando se dirigia ao Palácio Imperial de Petrópolis, fazia seu cortejo passar pela Igreja de Nossa Senhora da Apresentação para suas orações. Esta história é relatada em diversas fontes, inclusive é contada através dos tempos pelos moradores enraizados no bairro de Irajá, o que nos faz refletir sobre a necessidade de maior estudo sobre ela e pensar seriamente na possibilidade de remontar toda a rota da família imperial desde o Bairro de São Cristóvão até as searas da cidade serrana. Alguns deles contam histórias ouvidas de seus antepassados através do tempo sobre as aglomerações populares para ver a comitiva imperial, e que muitos moradores descendem de escravos que serviram diretamente à corte. Há, sem dúvidas, um tesouro histórico enorme a ser explorado envolvendo a paróquia, que não se pode excluir da história do próprio bairro de Irajá, com seus contos, costumes, sua influência indígena e sua divisão socioeconômica à época.
A Imperatriz, Teresa Cristina, esposa de Pedro II, doou à Igreja uma cômoda de três peças para guardar paramentos e três bancos que pertenciam à Capela Real. Os sinos atuais foram construídos a partir das peças do antigo, inaugurado pelo pároco Jan kaleta, em 8 de novembro de 1989, com a presença do cardeal e arcebispo, na época, Dom Eugênio Sales.
Uma de suas peças mais antigas é a porta principal, do século XVII, com quase quatro metros de altura e dois metros de largura. Nas janelas do coro onde está gravado a data de 1613, encontram-se três vitrais, entre eles, uma da Sagrada Família e outra de Sant’Ana. Mais acima, outro vitral, o Óculo com Cruz, contém um ícone de Cruz Grega com raios de luz. No interior da igreja, no batistério, há uma pia batismal de mármore datada do século XVIII. Em seu átrio, debaixo do coro, há três pinturas de Sebastião Andrade do ano de 1965: uma da Sagrada Família em seu cotidiano, outra de São José ensinando o ofício a Jesus e uma de Nossa Senhora do Desterro. O forro do coro e da nave contém pinturas do século XX de passagens bíblicas como a do Profeta Daniel, do Profeta, Ezequiel, do Profeta Jeremias e dos santos São Bernardo de Claraval e Santa Cecília. A igreja ainda mantém relíquias como o altar-mor, o sacrário e a pia batismal assim como a imagem de Nossa Senhora da Apresentação, do século XIX, feita em madeira e de provável procedência portuguesa. A igreja ainda mantém relíquias como o altar-mor, o sacrário e a pia batismal assim como a imagem de Nossa Senhora da Apresentação, do século XIX, feita em madeira e de provável procedência portuguesa. A paróquia é responsável por uma capela dedicada à Nossa Senhora das Graças, presente na comunidade Vila São Jorge, mais conhecida como Para Pedro, no bairro de Colégio.
Curiosidade
Sob o altar, encontram-se enterrados alguns benfeitores, como Honório Gurgel, político e proprietário de terras. À esquerda do altar-principal, a secretaria guarda móveis antigos e documentos antiquíssimos de batizados e casamentos. Ao fundo, em altar de talha, além de outras imagens, há uma de Nossa Senhora das Dores, em madeira e com delicados acabamentos, datado de mais de 200 anos.
Foi tombada por um decreto do então prefeito da cidade do Rio de Janeiro, César Maia, no dia 28 de janeiro de 1994. E, Em 2025, a paróquia tornou-se uma das igrejas jubilares do Jubileu da Esperança.
