Sambódromo

Apuração Escolas de Samba 2019

Quem definiu foi Ismael Silva: bum bum paticumbum prugurundum. A onomatopeia veio de improviso, em entrevista a Sérgio Cabral pai, na tentativa de explicar como seria o ritmo do surdo a marcar a cadência do samba. Acabou virando samba enredo do Império Serrano, no mítico carnaval de 1982, quando a escola de Madureira foi campeã. E, até hoje, é talvez a melhor definição do ritmo que nasceu no Estácio, tipicamente carioca, e que tem seu auge no desfile das escolas pelo famoso sambódromo.

Foto: Thiago Diniz – Desfile de Escola de Samba mirim

Levada ao pé da letra, a palavra “sambódromo” é composta pelo termo grego drómos e significa algo como “via do samba”. E o sambódromo do Rio integra mesmo uma via: a Marquês de Sapucaí, no centro nevrálgico da cidade. Uma avenida ladeada por enormes arquibancadas de concreto, com a inconfundível escultura em formato de arco ao fundo, coroando a Praça da Apoteose. É ali que, a cada Carnaval, desde 1984, ocorre o maior espetáculo da Terra.

Foto: Thiago Diniz – Desfile de Escola de Samba

A história do Sambódromo é repleta de curiosidades. A começar pelo seu nome oficial: Passarela Professor Darcy Ribeiro. Trata-se de uma homenagem ao antropólogo que foi o mentor da ideia de criar um espaço fixo para os desfiles. Antes, as escolas de samba faziam seu carnaval em lugares como praça Onze, Campo de Santana, avenida Rio Branco e avenida Presidente Vargas. Com a construção do monumento de 700 metros de extensão e 13 metros de largura, a partir do projeto de ninguém menos que Oscar Niemeyer, o Carnaval do Rio foi ganhando cada vez mais ares de espetáculo.

Foto: Thiago Diniz – Desfile de Escola de Samba

Mas nem só dos desfiles das escolas de samba vive aquela passarela. O Sambódromo também é palco para eventos que não têm nada de carnavalesco, como shows de rock. E é cenário para o momento mais tenso de cada Carnaval: a apuração das notas dos desfiles, em geral na Quarta-Feira de Cinzas. Um espetáculo à parte. Todas as expectativas estão voltadas para a voz pausada e sem rosto que ecoa do palco montado bem em frente à Praça da Apoteose. É apenas com a revelação da nota máxima conquistada em cada quesito, que o silêncio meio tenso de quem está absorvido pela ocasião é rompido “10! Nota 10!”. A enunciação de uma pequena frase vem sempre acompanhada de aplausos, assobios, cornetas e gritos de comemoração.