Greve Geral

Em 11 de agosto de 1903, funcionários da Fábrica de Tecido Cruzeiro, no bairro do Andaraí Grande, entraram em greve por melhores condições de trabalho. Nos dias seguintes, operários por todo o Rio de Janeiro foram aderindo ao movimento, que durou 26 dias. Em solidariedade, trabalhadores de outras categorias organizados em diferentes associações também pararam as máquinas.

O episódio ganhou o aspecto de uma greve geral, em função de certas reivindicações comuns. Entre elas, a redução da jornada de trabalho para oito horas diárias e o aumento de 40% nos salários. Segundo o Sindicato de Trabalhadores em Fábricas de Tecidos, cerca de 40 mil operários (25 mil tecelões) cruzaram os braços nas zonas Norte, Sul e Centro.

Mapa do Rio de Janeiro durante as greves de 1903. Noronha Santos, F. A. As freguesias do Rio Antigo. Rio de Janeiro, O Cruzeiro, 1965

A greve repercutiu na imprensa, que noticiou o dia a dia das mobilizações. O chefe de polícia do Rio de Janeiro, Cardoso de Castro, tratou os trabalhadores como “desordeiros”, fazendo uso da violência para conter as grandes proporções adquiridas pela greve. O abuso de autoridade gerou confrontos com trocas de tiros, disparos de bombas e muitas prisões, principalmente nas proximidades das fábricas.

Charge sobre a greve de 1903. O Malho, Rio de Janeiro, 29 de agosto de 1903, n. 0050. Hemeroteca da Biblioteca Nacional

Diante da resistência dos grevistas, o Exército e a Marinha foram acionados. A ordem era obrigar os trabalhadores a voltarem aos seus postos de trabalho. As Vilas Operárias foram invadidas, quem estava em casa foi levado preso para as fábricas. Mesmo não conquistando suas reivindicações, a Greve Geral de 1903 foi fundamental para o fortalecimento da luta pelos direitos dos trabalhadores.

Esse texto foi elaborado pelo pesquisador Bruno Viveiros Martins do Projeto República (UFMG).