Entre aquedutos, chafarizes, passeios e largos

O que pode ser considerado o primeiro plano de intervenção urbana no Rio de Janeiro começou em 1733, com o governador Gomes Freire de Andrade – o Conde de Bobadela. Ele colocou em segundo plano as preocupações com a defesa da cidade e investiu em obras de infraestrutura e embelezamento que elevaram a qualidade do desenho urbano. Para isso, contou com o trabalho do engenheiro militar José Fernandes Pinto Alpoim, que conduziu a primeira modernização da cidade.

Gomes Freire de Andrade. Imagem em domínio público – Wikimedia Commons

A conduta iluminista de Gomes Freire criou as condições para as construções dos conventos de Santa Teresa e da Ajuda. No campo cultural, como um apreciador da literatura, incentivou a fundação de academias como a dos Felizes (1736) e a Academia dos Seletos (1752). Criou a primeira tipografia da Colônia (1747), dirigida pelo tipógrafo português Antônio Isidoro da Fonseca, e foi foi responsável pela reforma  do Palácio dos Governadores (1743), no Largo do Carmo.

Convento de Santa Teresa – Pieter Gotfred Bertichen, 1856. Coleção Brasiliana Itaú.

Na infraestrutura, os destaques foram as obras para solucionar os problemas de abastecimento de água, como a finalização da reconstrução do Aqueduto da Carioca em 1750 e a construção dos chafarizes do Campo de Santo Antônio e do Largo do Carmo – anterior ao do Mestre Valentim. 

Aqueduto e Convento de Santa Teresa – Carlos Linde, 1860. Coleção Brasiliana Itaú

Todas as intervenções urbanas no período de Gomes Freire abriram caminho para a recepção mais intensa das ideias de modernização iluministas, que se consolidaram na década de 1750.