Conjuntos habitacionais

No século XX, algumas iniciativas buscaram solucionar parte do problema habitacional. Entre 1933 e 1938, por exemplo, durante o governo de Getúlio Vargas, foram criados os Institutos de Aposentadoria de Pensão, que podiam usar parte de seus fundos para programas habitacionais e financiaram construções principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. No Rio, os institutos tomaram as áreas da avenida Brasil e os subúrbios da cidade. Além dessas formas de organização da habitação, havia as vilas operárias das fábricas de tecidos, que surgiram a partir da década de 1880 e que ocuparam vários bairros – de preferência, aqueles que tinha fácil acesso a água como Gávea, Laranjeiras, Jardim Botânico, Tijuca e Vila Isabel.

A Vila Operária da Companhia Tijuca de Tecidos. À direita, o prédio da fábrica; à esquerda a Vila Operária. Foto de  Augusto Malta – 1907. Arquivo Fotográfico Augusto Malta/Museu da Imagem e do Som.

Nos anos 1950 e 1960, surgiram os programas voltados para a remoção das favelas, principalmente as da Zona Sul. Durante o governo de Carlos Lacerda na década de 1960 as populações foram transferidas para os conjuntos habitacionais da Cidade de Deus, Vila Aliança, Vila Esperança e Vila Kennedy, na Zona Oeste da cidade. Na década anterior, alguns  moradores da Favela da Praia do Pinto, no entanto, já haviam sido realocados no Conjunto Habitacional Cruzada São Sebastião, construído na valorizada área do Jardim de Alá, na mesma Zona Sul, pelo programa de auxílio aos pobres do bispo Dom Helder Câmara.

Os moradores realocados nos conjuntos habitacionais sofriam com falta de abastecimento de água. Na imagem acima, crianças carregam latas d’água no conjunto habitacional da Vila Kennedy, inaugurado em 1964. Foto de Manoel – 1965. Fundo Correio da Manhã/ Arquivo Nacional.

O caso da Favela da Praia do Pinto é significativo para compreender a questão da remoção de favelas, pois originou uma forte discussão entre o governador Lacerda e o bispo Dom Helder Câmara. O bispo desenvolveu um programa de auxílio aos pobres que incluía a oferta de melhores condições de moradia para os moradores da Favela da Praia do Pinto e construiu um conjunto residencial numa das áreas mais nobres da cidade: o Jardim de Alá. Num terreno doado pela Mitra ele criou o Conjunto Habitacional da Cruzada de São Sebastião para onde foram transferidos os moradores da favela. Hoje, a Cruzada fica vizinha do Shopping Leblon, do Clube Paissandu e das margens da Lagoa Rodrigo de Freitas. 

Um dos conceitos de habitação popular mais importantes da arquitetura brasileira no Rio de Janeiro foram os conjuntos habitacionais resultantes da política de Carmen Portinho no Departamento de Habitação Popular do Distrito Federal que uniu arquitetura, cidade e sociedade. Affonso Reidy, por seu lado, deu o toque de mestre, criando o projeto que apreendia as tradições dos cortiços e as elevava a um lugar de destaque na melhoria das condições de habitar, jogando fora as aglomerações, a falta de higiene e as doenças e propondo a liberdade de viver e circular. Os conjuntos residenciais Prefeito Mendes de Moraes (Pedregulho) e Marquês de São Vicente (Minhocão) são os exemplos mais emblemáticos.

Vistas das obras de construção do Conjunto Residencial do Pedregulho. Fundo Agência Nacional/ Arquivo Nacional.

 

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