Conjunto Residencial Marquês de São Vicente (Minhocão)

Inaugurado em 1952, o conjunto residencial conhecido como Minhocão tomava conta da encosta onde hoje existe um dos túneis do eixo viário Autoestrada Lagoa-Barra.  Ficava ali o Parque Proletário da Gávea, criado pela prefeitura durante a gestão de Henrique Dodsworth, em 1942, com 955 barracos em que viviam 5.262 pessoas, e que, no início dos anos 1950, estava deteriorado e em estado de insalubridade. O projeto era grandioso e foi construído pelo Departamento de Habitação Popular para atender às demandas de muitos dos funcionários da prefeitura do Rio, que ocupavam a região de favelas da Lagoa e da Rocinha e que já não podiam mais usar o Parque Proletário. Estavam previstos cinco blocos de apartamentos, com um total de 748 unidades, completos de equipamentos urbanos coletivos. Apenas um bloco foi construído, ainda assim incompleto de equipamentos urbanos, e ocupava parte do alto da encosta. 

Imagem retirada do Blog Reidy, a construção da utopia

O autor do projeto do Minhocão foi Affonso Reidy, que deu ao bloco um desenho curvo muito parecido com o do Conjunto do Pedregulho. O bloco construído expressou a ideia de uma cidade dentro de um edifício com suas ruas-corredor, rompendo com o isolamento dos habitantes e colocando-os diante do desafio do viver coletivo. Substituía, assim, com as formas tradicionais de pensar a habitação popular pela atenção à estética e a tipologia construtiva, anunciando liberdade e autonomia. Mesmo com o túnel passando por dentro dele, é possível notar a força das inovações modernistas no bloco.

Affonso Reidy projetou o Minhocão, inaugurado em 1952 na Gávea. Fotógrafo desconhecido
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