Negras ricamente vestidas

As figuras femininas desenhadas por Joaquim Cândido Guillobel e Cabral Teive pertencem a categorias sociais diversas. Em meio às diferentes situações sociais experimentadas por essa parcela da população, que compunha a maioria dos habitantes da cidade, foram representadas mulheres ricas, uma mucama, uma mulher pobre, uma escravizada (dita fujona), uma preta vendendo água e outra, vendendo balas. Algumas calçam uma chinela chamada “babucha”, mas a maioria está descalça.

Negra ricamente vestida, Joaquim Cândido Guillobel, 1814. Acervo Itaú Cultural

A “negra ricamente vestida”, desenhada por Guillobel, usa chapéu de abas largas enorme, que prende nosso olhar; blusa branca e ampla, do tipo cabeção, cuja manga aparece adornada com enfeites dourados; saia comprida e volumosa, desenhada na coz azul; pano ou manto escuro, apoiado nos ombros; brincos, colares, pulseiras, braceletes e amuletos de ouro. Sua pose é especialmente importante. Uma de suas mãos está na cintura e o outro braço um pouco aberto, como se assim pudéssemos ver melhor suas joias e sua atitude confiante.

Preta de ballas, Joaquim Lopes de Barros Cabral Teive, 1840. Instituto Moreira Salles


Na sociedade escravista, usar sapatos era um marcador importante de condição econômica e social. Nesse contexto, os pés descalços poderiam indicar a condição servil ou extrema pobreza. A ausência de sapatos, porém, não elimina a elaboração estética dessas aparências. E esse contraste é central para que seja possível compreender a visualidade das populações negras no Brasil colonial. Elegância e precariedade coexistiam de maneiras surpreendentes.

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