Quadra da Vila Isabel
Esta placa integra o circuito Rota do Samba de Vila Isabel – Os Três Apitos.
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Em 2010, a quadra da Unidos de Vila Isabel tornou-se a maior entre todas as escolas de samba do Rio de Janeiro. Com cerca de 4.000 m² de área construída e capacidade para aproximadamente 11 mil pessoas, o espaço foi erguido no local onde antes funcionavam a Companhia de Transportes Coletivos (CTC) e um posto do Detran, ocupando posição de destaque na Avenida Boulevard 28 de Setembro e simbolizando a força e a modernização do bairro.

A história da escola remonta à 1946, quando Antônio Fernandes da Silveira, o Seu China, morador do Morro dos Macacos, fundou oficialmente o Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos de Vila Isabel, a partir do Bloco Azul e Branco. Vindo da comunidade do Salgueiro, Seu China trouxe inicialmente as cores azul e branco para a escola, que mais tarde seriam mantidas pela Vila, enquanto o Salgueiro adotaria o vermelho e branco. Incansável, Seu China manteve sua própria casa como sede da agremiação até 1958. Desde então, a escola passou por diversos espaços até conquistar sua quadra definitiva no Boulevard 28 de Setembro. Entre os fundadores também está Paulo Brazão, nascido no Morro dos Macacos, que em 1949 foi homenageado como Cidadão Samba e se consolidou como um dos maiores compositores da Vila, assinando 17 sambas-enredo.
O emblema da escola traduz sua identidade: as estrelas representam os títulos conquistados; a coroa faz referência à Princesa Isabel, que dá nome ao bairro; e o brasão reúne símbolos musicais como a clave de sol, o pandeiro e a pena, reforçando a ligação da Vila Isabel com a poesia e a música.

A tradição abolicionista do bairro marca profundamente a trajetória da agremiação. Em 1988, ano do Centenário da Abolição, sob a presidência de Lícia Maria Maciel Caniné, a Ruça, a Unidos de Vila Isabel conquistou seu primeiro título no Grupo Especial, com o enredo “Kizomba, a Festa da Raça”, idealizado por Martinho da Vila. O samba exaltava a resistência do povo negro e, mesmo com poucos recursos, apresentou um desfile marcante pela criatividade, pelo uso de materiais simples e pelo forte protagonismo negro. Sem quadra própria, os ensaios aconteceram nas ruas do bairro, tradição que permanece viva até hoje.
Segundo Diniz (2008), a fundação da Unidos de Vila Isabel esteve mais ligada ao entusiasmo popular do que à presença de grandes nomes consagrados, o que talvez explique a adoção simbólica de Noel Rosa, o Poeta da Vila, como patrono da escola. Essa homenagem se manifesta em espaços como o “Cabaré do Noel” e na bateria “Swingueira de Noel”.

Entre seus grandes baluartes destaca-se Martinho da Vila, integrante da Ala de Compositores desde 1965 e atual presidente de honra. Em 2026, a escola levará para a avenida o enredo “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África”, em homenagem a Heitor dos Prazeres. Mais que uma escola de samba, a Unidos de Vila Isabel é a expressão viva da memória, da resistência e da identidade cultural do bairro.
