Pedra do Inhangá

A Pedra do Inhangá, localizada na orla de Copacabana, é um marco natural que guarda significados históricos e simbólicos ligados às presenças indígenas que habitaram a região antes da ocupação colonial. Muito além de um elemento paisagístico, a pedra é associada à memória do Inhangá, figura que integra narrativas da cosmologia indígena e expressa a relação espiritual entre os povos originários e o território.

Gravura representando indígenas atormentados por Aygnan [Anhangá] – Jean Wechel, encomendado por Théodore de Bry, America tertia pars, Frankfurt (1592)

O termo Inhangá tem origem em línguas do tronco tupi e costuma ser associado à ideia de espírito ou entidade protetora ligada à natureza. Em diferentes tradições indígenas, o Inhangá é compreendido como um ser invisível que habita matas, pedras, rios e outros elementos naturais, atuando como guardião do espaço e regulador do equilíbrio entre os humanos e o mundo natural. Sua presença não é necessariamente benéfica ou maléfica: ela depende do modo como os seres humanos se relacionam com o ambiente, exigindo respeito, cuidado e reciprocidade.

Morro do Inhangá, Copacabana. 1907. Autoria desconhecida / Acervo IMS

Na área onde hoje se encontra Copacabana, povos indígenas ocuparam e circularam o território por séculos, utilizando a faixa litorânea e os afloramentos rochosos tanto para atividades cotidianas quanto para práticas simbólicas e rituais. A Pedra do Inhangá insere-se nesse contexto como um ponto de referência da paisagem, associado à ideia de morada espiritual. O fato de até hoje conhecermos essa formação rochosa pelo seu nome indígena pode indicar uma forma de reconhecimento do seu valor simbólico e da presença de forças espirituais que, segundo a cosmologia indígena, permeiam o mundo físico.

Com o avanço da colonização portuguesa e a posterior urbanização da cidade do Rio de Janeiro, muitos desses significados foram silenciados ou reinterpretados sob outras lógicas culturais. Ainda assim, o nome Pedra do Inhangá sobrevive como vestígio da memória indígena, funcionando como um elo entre o passado pré-colonial e a cidade contemporânea. Ele revela como a paisagem urbana atual se sobrepõe a territórios ancestrais marcados por outras formas de compreender o mundo.

Morro do Inhangá ao lado do Copacabana Palace. Copacabana [RJ], [193?]. Rio de Janeiro (RJ), Copacabana (Rio de Janeiro, RJ) / Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro

Hoje, a Pedra do Inhangá pode ser entendida como um lugar de memória, que convida à reflexão sobre a presença indígena no espaço urbano e sobre as cosmologias que atribuem vida, espírito e agência aos elementos da natureza. Reconhecer essa história contribui para ampliar a compreensão da diversidade cultural que constitui o Rio de Janeiro e reforça a importância de valorizar os saberes indígenas como parte fundamental do patrimônio histórico e simbólico da cidade.

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