Negro Muro Martinho da Vila

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Martinho José Ferreira, mais conhecido como Martinho da Vila, nasceu em 1938, em Duas Barras, na região serrana do estado do Rio de Janeiro. Filho de lavradores, mudou-se com a família para a capital aos quatro anos de idade, passando a morar na favela Boca do Mato, situada na Serra dos Pretos Forros, bairro de Lins de Vasconcelos, zona Norte carioca. O nome da serra remete à sua ocupação histórica por negros fugidos e alforriados, território fundamental para a formação cultural do artista. Durante a juventude, Martinho integrou a escola de samba local, Aprendizes da Boca do Mato, onde desfilou cantando um samba-enredo de sua autoria, aos 15 anos, que narrava a vida do maestro Carlos Gomes. Antes de se dedicar profissionalmente ao samba, atuou como burocrata no serviço militar, exercendo as funções de contador e escrevente até 1970, quando deu baixa para seguir a carreira musical.

A relação de Martinho com Vila Isabel teve início em 1965, quando foi convidado a organizar a ala de compositores da Unidos de Vila Isabel e a realizar ajustes na cadência dos sambas-enredo, tornando-os mais curtos e melódicos. Envolvido com a agremiação, passou a integrar a escola como compositor. Em 1967, já estabelecido na escola de samba, compôs o samba-enredo “Carnaval das Ilusões”, em parceria com Gemeu.

Sua carreira como cantor começou oficialmente em 1967, com a canção “Menina Moça”, seguida no ano seguinte por “Casa de Bamba”, um clássico da música popular brasileira. Em 1969, lançou seu primeiro disco utilizando o nome artístico Martinho da Vila, reunindo sucessos como “Pra que dinheiro”, “Quem é do mar, não enjoa”, “Tom Maior” e “Pequeno Burguês”. Na década de 1970, incorporou à sua musicalidade fortes influências da cultura banto de Angola, rompendo com o processo de embranquecimento do samba iniciado nos anos 1940 e evidenciando as raízes afro-diaspóricas do gênero. Ao longo da vida, compôs em diversos estilos, como ciranda, frevo, samba de roda, capoeira, bossa-nova, calango, toada e sambas africanos.

Em 1988, idealizou o enredo “Kizomba, a Festa da Raça”, que consagrou a Unidos de Vila Isabel com seu primeiro título no Grupo Especial, destacando uma estética inovadora e o protagonismo negro. Escritor de mais de 15 livros, com mais de 50 discos lançados e três prêmios Grammy Latino, Martinho é Doutor Honoris Causa por universidades no Brasil e em Angola. Em 2022, foi tema de enredo da Vila Isabel e, atualmente, é Presidente de Honra da escola. Assim como Noel Rosa, Martinho é um dos grandes símbolos culturais de Vila Isabel, evocando, por meio do samba, a brasilidade, as lutas sociais e a cultura afro-brasileira.

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