Escola Municipal Equador
Esta placa integra o circuito Rota do Samba de Vila Isabel – Os Três Apitos.
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A Escola Municipal Equador foi inaugurada em 1934, durante o Governo Vargas. Atualmente, a escola atende, em sua maioria, estudantes do Morro dos Macacos, mantendo uma relação que ultrapassa os limites do espaço escolar e se articula profundamente com a comunidade do bairro.

A Unidos de Vila Isabel, marcada historicamente por instabilidades financeiras, utilizou ao longo de sua trajetória diversos espaços como locais de ensaio desde sua fundação, passando pela casa de Seu China, pelo Clube Maxwell, Campo Atlético do América Futebol Clube, Associação Atlética Vila Isabel e outros pontos do Boulevard 28 de Setembro, até chegar à sua quadra atual. O samba-enredo campeão de 1988, “Kizomba, a Festa da Raça”, apontava a questão, ao afirmar que “nossa sede é nossa sede”, evidenciando a falta de estrutura enfrentada pela agremiação naquele período. Durante a crise financeira da década de 1990, a Vila Isabel ficou sem local fixo para seus ensaios e passou a utilizar as dependências da Escola Municipal Equador. Salas foram transformadas em ateliês improvisados de costura, enquanto a quadra usada nas aulas de educação física tornou-se espaço para os ensaios da escola de samba. Após o desfile de 1993, quando a Vila Isabel apresentou o enredo “Gbala”, a Prefeitura prometeu a construção de uma nova quadra no terreno da Companhia de Transportes Coletivos do Rio de Janeiro (CTC).
A história da Escola Municipal Equador também se entrelaça à trajetória de Leci Brandão, uma das grandes personalidades do samba brasileiro. Nascida em Madureira, em 12 de setembro de 1944, Leci foi criada em Vila Isabel, em uma casa de cômodos na Avenida 28 de Setembro, próxima à Escola Municipal Equador, onde sua mãe, Dona Lecy Assumpção Brandão, trabalhava como servente. Filha única, Leci ajudava a mãe na limpeza do prédio escolar nos turnos da manhã, tarde e noite, experiência frequentemente lembrada em seus discursos políticos. Mais tarde, tornou-se a primeira mulher a integrar a Ala de Compositores da Mangueira, na década de 1970, e a primeira a cumprir quatro mandatos consecutivos como deputada estadual, dedicando sua atuação à luta pela igualdade racial, defesa das religiões de matriz africana, dos povos indígenas, quilombolas e da população LGBTQIAPN+.

Foi nesse contexto de lutas sociais que Leci encontrou em Zé do Caroço, liderança histórica do Morro dos Macacos, um símbolo de resistência popular. José Mendes Silva, o Zé do Caroço, criou um sistema de alto-falantes na comunidade para informar moradores sobre notícias, falecimentos, ações educativas e alertas climáticos. Sua atividade irritou a mulher de um militar, que o denunciou, e a briga foi parar nos jornais. Sua história inspirou Leci a compor, em 1978, o samba-hino “Zé do Caroço”, gravado apenas em 1985 (num contexto pós-ditadura, portanto), eternizando a força da organização comunitária e da cultura popular em Vila Isabel.
