Entre a fé e a riqueza

A  arquitetura urbana começou a incorporar a talha joanina, a pintura em perspectiva e as plantas poligonais e curvilíneas das igrejas, e essas características logo passaram a ter presença na arquitetura civil. Essas evoluções fizeram da cidade um lugar de aprendizado e de conhecimento e criaram as condições para que o estilo do Rio de Janeiro se espalhasse pela Colônia, especialmente nas Minas Gerais. 

As torres das igrejas eram avistadas de longe quando os navios entravam na Baía da Guanabara. Francisco Xavier de Brito, que decorou o interior da Igreja da Penitência, transferiu para Minas o barroco. Os sinos anunciavam os eventos cotidianos, dos casamentos às invasões. A rua Direita reinava absoluta. Esse estilo também trouxe o movimento nas ruas, que deu início a uma das singularidades da vida carioca: estar na rua.

Interior da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência.  Wikimedia Commons

Nesse ambiente, as irmandades religiosas ocuparam um lugar especial. Embora sob o controle das elites, as ordens religiosas foram definidoras da disciplina urbana e conduziram a uma moralidade que une todos aqueles que habitam o Rio de Janeiro. Além disso, são protagonistas na história da cidade. 

Irmandades masculinas, chamadas de ordens primeiras, foram as responsáveis pela presença das ordens religiosas no Rio. Os primeiros a chegar foram os jesuítas, em 1549, e ocuparam o Morro do Castelo. Em seguida, vieram os carmelitas (1579, Largo do Carmo), os beneditinos (chegaram ao Rio de Janeiro em 1589, mas somente em  1620 se estabeleceram no Morro de São Bento) e os franciscanos (1592, Morro de Santo Antônio).

Convento de Santo Antônio. Desenho de Pieter Gotfred Bertichen, 1856 – Coleção Brasiliana Itaú.

Também se constituíram na cidade barroca as ordens terceiras formadas por leigos. Inicialmente, eram três: a Venerável Ordem de São Francisco da Penitência, a Venerável Ordem de Nossa Senhora do Carmo e a Venerável Ordem de São Francisco de Paula, todas alimentadas pela riqueza e pela devoção dos homens bons da cidade.