Boxe

Éder Jofre, Maguila e Popó: três nomes que ajudaram a fazer do boxe um dos esportes mais populares no Brasil, mas nem sempre foi assim. A modalidade chegou ao país com os imigrantes alemães e italianos no final do século XIX e, como já havia ocorrido com a capoeira, sofreu com o preconceito contra os lutadores, sempre associados à marginalidade. As primeiras competições reforçaram a má vontade da elite, já que os únicos participantes eram marinheiros europeus aportados em nos portos de Santos e do Rio de Janeiro.

Lutas de boxe disputadas entre uruguaios e brasileiros no Campo de São Cristóvão, Rio de Janeiro – 1944 – Fundo Agência Nacional/Arquivo Nacional

Muito praticado na Europa, o boxe foi incluído como esporte olímpico nos Jogos de Saint Louis, em 1904. A primeira luta oficial em solo brasileiro ocorreu em São Paulo, em 1913, vencida pelo boxeador Luís Sucupira, o “Apolo Brasileiro”. Mas foi no Rio de Janeiro de 1919 que, após assistir a uma luta do marinheiro Góes Neto, um sobrinho do presidente Rodrigues Alves se apaixonou pelo esporte. Com o apoio do presidente da República, o boxe iniciou seu caminho rumo à fama e, a partir de 1920, foram criadas as comissões municipais de boxe de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Santos. Em 1923, o Rio inaugurou a primeira academia dedicada ao esporte no país, a Brasil Boxing Club.

As primeiras federações de boxe estaduais e nacional surgiram na década de 1930 e, com a institucionalização, atletas profissionais e amadores passaram a disputar competições internacionais. A estreia da seleção brasileira foi no Sul-Americano de Boxe Amador na Argentina, em 1933, com um detalhe: todos os boxeadores da delegação eram cariocas. Isso aconteceu porque, nessa época, a única federação estadual de boxe do país era a do Rio de Janeiro.

Douglas Andrade. Foto: Reprodução/Instagram. Site Agência de Notícias das Favelas

Para os Jogos Olímpicos Rio 2016, a Associação Internacional de Boxe Amador (AIBA) aprovou uma mudança na regra que permitiu, pela primeira vez, a participação de lutadores profissionais em olimpíadas

Rebecca Lima, prata no Continental Juvenil. 2018.Foto de Emmanuelle Bernard. Site da Revista Trip

O Rio de Janeiro conta com bons atletas da modalidade, entre eles os jovens Douglas Andrade, Rebecca Lima e Wanderson de Oliveira. Nascido na favela Nova Holanda, no Complexo da Maré, o trio compete em torneios internacionais. Douglas é quatro vezes campeão brasileiro e atual líder na categoria Peso Mosca (52 kg) no ranking da Confederação Brasileira de Boxe. Rebecca Lima ganhou a medalha de prata no Continental Juvenil de 2018, na Hungria, na categoria Leve (60 kg). Já o Meio Médio Ligeiro (63 kg) Wanderson “Sugar” de Oliveira é o brasileiro melhor ranqueado pela Associação Internacional de Boxe Amador (AIBA), em 20° lugar.

Wanderson “Sugar” Oliveira – boxeador carioca. Fotógrafo não identificado. Jornal Lance!
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