Bondes

Aos habitantes deste século XXI pode parecer pitoresco, mas a verdade é que, durante muito tempo, os bondes foram um meio de transporte bastante trivial entre os cariocas — como também em outras capitais do país. Os primeiros a circularem pela então Capital Federal eram à tração animal, ou seja, puxados por burros, e corriam ainda de forma irregular.

Acervo fotográfico da Light. Bonde a tração animal: Madureira – Irajá.

A primeira linha regular de bondes a tração animal foi inaugurada em 1859, ligando o centro da cidade ao Alto da Boa Vista. Logo depois, vieram os bondes movidos à vapor que seriam substituídos pelos elétricos, sobre trilhos: o primeiro deles circulou no Rio em 8 de outubro de 1892. Os carros abertos eram a marca registrada dos nossos bondes em função das altas temperaturas da cidade além de facilitar o transporte de fumantes.

Acervo fotográfico da Light. Bonde 76 – Engenho de Dentro (Bonde elétrico)

A ampliação do serviço de bondes garantia a circulação dos moradores, incentivando os negócios e a expansão da cidade. Seu papel como elemento propulsor de expansão da urbe foi tão grande que Rui Barbosa descreveu os bondes como “a salvação da cidade”, “o grande instrumento, o agente incomparável do seu progresso material”. Já Machado de Assis elaborou, numa crônica, um breve e irônico manual de etiqueta para a convivência pacífica dentro dos carris, no qual recomenda, entre outras coisas, que “encatarroados” só possam entrar nos “bonds” com a condição de não tossirem mais de três vezes dentro de uma hora; e que, ao abrir um jornal, o passageiro leitor deveria ter o cuidado de não roçar as ventas dos vizinhos, nem levar-lhes os chapéus. O Rio chegou a ter 400 quilômetros de trilhos que ligavam o Centro da cidade às zonas Sul e Norte.

Foto: Milan – Bondes em circulação – Agência Tyba

Os bondes deixaram as ruas na década de 1960, mas ainda frequentam o imaginário da cidade como um ícone do Rio antigo. Há quem diga que os Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs), que circulam pela região central, seriam uma espécie de releitura contemporânea dos bondes antigos. Santa Teresa é o último bairro da cidade a ainda ser entrecortado pelos trilhos.