Estátua de Noel Rosa
Esta placa integra o circuito ‘Rota do Samba de Vila Isabel – Os três apitos’. Clique aqui e veja mais sobre esse e outros circuitos.
Noel de Medeiros Rosa nasceu em 11 de dezembro de 1910, no bairro de Vila Isabel, zona Norte do Rio de Janeiro. Seu nascimento foi marcado por uma intervenção com fórceps, que causou uma fratura responsável por uma deficiência permanente no queixo. Filho de uma família de classe média, cresceu em um ambiente musical que mais tarde influenciou decisivamente sua trajetória. Seu primeiro instrumento foi o bandolim, que aprendeu a tocar com sua mãe. Estudou no tradicional Colégio São Bento e chegou a ingressar na faculdade de Medicina, abandonando o curso para seguir sua verdadeira vocação: a música.

O início de sua trajetória artística ocorreu com o grupo Bando de Tangarás, fundado em 1929 por Almirante, que gravava gêneros musicais como o coco, emboladas e maracatus, revelando a proximidade de Noel com as raízes populares brasileiras. Frequentador assíduo dos principais redutos do samba carioca, tais como os morros da Mangueira, São Carlos, Macacos, Festa da Penha e os botequins da Lapa, Noel circulava em espaços de sociabilidade negra onde estabeleceu parcerias inéditas com sambistas. Conheceu o samba em sua origem – nas favelas cariocas — e ajudou a levá-lo para o asfalto e às grandes rádios, contribuindo para a consolidação do gênero.
Foi parceiro de nomes como Cartola, Ismael Silva, Heitor dos Prazeres, Vadico, Orestes Barbosa e Francisco Alves. Criou uma poesia popular simples, direta e profundamente ligada ao cotidiano, abordando temas como a fome, o dinheiro, a malandragem, o trabalho, o morro e a vida urbana, quase sempre misturando humor e drama. Em apenas seis anos, compôs mais de 250 canções, muitas consideradas clássicos da música brasileira. Sua principal intérprete foi a cantora Aracy de Almeida.
Na vida pessoal, foi marcado por polêmicas e amores intensos, como o casamento com Lindaura Martins e o romance com Ceci, dançarina e prostituta da Lapa, inspiração de canções como “Dama do Cabaré”. Portador de tuberculose, morreu em 4 de maio de 1937. Hoje, sua memória permanece viva em Vila Isabel, especialmente na escultura do Boulevard 28 de Setembro, referência ao samba “Conversa de Botequim”. Noel Rosa, o Poeta da Vila, popularizou o samba e ajudou a transformá-lo em símbolo da identidade nacional.

