Estátua de General Osório

Entre os tantos edifícios e monumentos históricos do Largo do Paço, há uma estátua equestre de 8 metros de altura, em homenagem a um dos militares que, entre a segunda metade do século XIX e meados do século XX, era uma das figuras mais populares do Exército: o general Osório. 

Monumento ao General Osorio, na Praça XV. Foto: LIS Atelier (Flickr)

Nascido no Rio Grande do Sul em 1808, Manoel Luís Osório foi criado nas terras dos avós maternos. Não frequentou escola formal e iniciou sua carreira militar pouco antes de completar 15 anos, em 1823. Entrou no Exército como soldado, alcançou a mais alta patente e adquiriu relevância nacional a partir de sua atuação na controversa Guerra do Paraguai (1864-1870). 

Admirado não apenas por sua atuação no campo de batalha – que por vezes beirava a irresponsabilidade, tendo lutado corpo a corpo com inimigos no front –, mas também por sua postura com companheiros e subordinados, era percebido como um homem afável, corajoso e querido pelos soldados. De certa maneira, subvertia a hierarquia do Exército, falando de maneira igualitária com militares de patentes mais baixas e ensinando pelo exemplo.

Batalha do Avaí. Óleo sobre tela de Pedro Américo – c.1872-1877. Wikimedia Commons

Dentre todos os conflitos da Guerra do Paraguai dos quais Osório participou, os destaques ficam por conta da Batalha de Tuiuti, (maio/1866) – uma das maiores batalhas da América do Sul, em que sua atuação teve importância crucial para rechaçar o ataque paraguaio – e a Batalha do Avaí, (dezembro/1868), ocasião em que as tropas brasileiras saíram vitoriosas mas um tiro de fuzil destruiu completamente seu maxilar.

Detalhe da tela de Pedro Américo. General Osório, sobre seu cavalo, empunha uma espada e é alvo de dois atiradores. Wikimedia Commons

Ferido na Batalha do Avaí, o general foi se tratar no Rio Grande do Sul. Porém, poucos meses após o acidente, precisou atender a um pedido do conde D’Eu, marido da Princesa Isabel, convocado a assumir o comando das tropas em lugar de Caxias. Osório foi requisitado como uma espécie de conselheiro, a fim de auxiliar o inexperiente comandante e, em meados de maio de 1869, ainda muito debilitado, se encaminhou ao Paraguai, onde não só prestou conselhos ao conde D’Eu, como foi novamente ao campo de batalha.

Também envolvido nos debates políticos, Manoel Luís Osório foi membro do Partido Liberal, tendo liderado a organização no Rio Grande do Sul no fim da década de 1860, já como general do Exército. 

Osório, c. 1868. Autoria desconhecida. Wikimedia Commons

Seu envolvimento político o alçou a ministro da Guerra em 1878, cargo em que permaneceu até sua morte, em outubro de 1879, aos 71 anos, vítima de pneumonia. Sua popularidade era tamanha que, no ano de sua morte, surgiu a ideia de erigir uma estátua em homenagem ao general. Em 1887, o monumento foi encomendado a Rodolfo Bernardelli por 160 contos de réis – quantia arrecadada pela própria população carioca – e em 1894, na Praça XV, a estátua equestre foi inaugurada em uma grande festa, como parte das comemorações de cinco anos da Proclamação da República, a qual compareceram cerca de 40 mil pessoas.

Juan Gutierrez – Inauguração da estátua equestre de General Osório, novembro/1894. Acervo: Instituto Moreira Salles

Confeccionada com bronze de canhões capturados na guerra do Paraguai, a estátua retrata Osório sobre um cavalo, com a espada desembainhada e parece pronto a dar ordem de ataque. Na base do monumento, feito em granito, há baixos-relevos que representam o Passo da Pátria (acampamento paraguaio) e a batalha de Tuiuti. Há ainda uma coroa de carvalho com a inscrição “A Osorio — O Povo”, e a data de seu nascimento.

João Martins Torres – Estátua equestre de General Osório (Detalhe) – Acervo: Instituto Moreira Salles

No momento da instituição da República, Osório se tornou um dos símbolos do novo regime, graças ao seu posicionamento político que, alinhado às origens do Partido Liberal, defendia a descentralização do poder e maior participação dos cidadãos nos debates políticos.

Sua popularidade era tamanha que, antes da criação do Dia do Soldado, em 25/08/1925, era no dia 24 de maio (dia da Batalha de Tuiuti)  que os militares se reuniam para celebrar o Exército — sempre em frente à estátua de Osório.

Esse prestígio começou a minguar a partir dos anos 1960, quando Duque de Caxias foi alçado ao posto de Patrono do Exército, em 13/03/1962. Na mesma data, Osório foi colocado em um degrau inferior no panteão militar, ao ser oficializado Patrono da Cavalaria.

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