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Rio Memórias

Sirene da Defesa Civil avisando risco de chuvas fortes no Rio de Janeiro

Os fortes ventos anunciam que uma tempestade está prestes a chegar. Raios e trovões tomam o céu, riscando as nuvens escuras, tão carregadas, que parecem estar a poucos metros do chão. A chuva vira temporal e traz consigo os ruídos do caos: gritos e buzinas tomam as ruas, rios transbordam, vias param, áreas inteiras acabam alagadas.

Reportagem sobre chuvas no Rio de Janeiro

Muitas vezes, o estrondo de desabamentos anuncia que outras vidas foram ceifadas. A sirene da Defesa Civil, alertando para o risco de deslizamentos, é um tipo de som que permanece, aos ouvidos do carioca, um enigma: ora ressoa, ora não, como têm mostrado inúmeros episódios.

Paisagem urbana sob céu nublado com montanha e água.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia de uma paisagem urbana sob um céu nublado. Do lado esquerdo, vemos uma montanha escarpada, enquanto à direita, há uma cidade com edifícios espalhados. No centro, há uma grande área de água, possivelmente um lago ou rio. O horizonte está dominado por nuvens densas e sombrias, que cobrem grande parte do céu. A iluminação é baixa, sugerindo que pode estar prestes a chover.

Foto: Américo Vermelho - Vista Chinesa

O verão no Rio de Janeiro também pode ter esses sons — e esses silêncios. A natureza cobra o seu preço, afinal, reivindicando obras e mecanismos de prevenção que aplaquem a fúria de tragédias já anunciadas. O equilíbrio entre paisagem natural e ocupação urbana, por fim, pode ser rompido pelo mais suave rumorejar.

Cidade costeira com montanha, edifícios coloridos e praia.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia de uma cidade costeira sob um céu nublado. Do lado esquerdo, há uma montanha coberta de vegetação verde. Ao centro, vemos uma área densamente populada com muitos edifícios coloridos, incluindo casas e prédios de diferentes tamanhos. À direita, há uma praia com ondas batendo na costa. No fundo, à esquerda, estão prédios mais altos, possivelmente de um centro urbano. Na parte direita da imagem, há uma árvore grande com folhas verdes.

Foto: Américo Vermelho - Vidigal

O lamento e a desolação dos cariocas desabrigados pelas chuvas de verão, todos os anos, não costuma constar no inventário de sons a integrar o imaginário sobre a Cidade Maravilhosa. Mas eles estão lá, com seu choro desesperado ante a perda de um lar, com seu ressonar coletivo nos pátios de igrejas e escolas tornados abrigos temporários. Exemplo disso são as consequências dos temporais que provocaram grandes estragos na cidade, em fevereiro de 2019, deixando ao menos sete mortos — dois deles dentro de um ônibus que foi soterrado por um deslizamento, na avenida Niemeyer. Além dos ventos, do ruído das águas e das trovoadas, outro som tem se tornado frequente nessas chuvas: o das árvores caindo, traço renovado de uma tragédia que se repete.

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