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Rio Memórias

Sons da Floresta da Tijuca

O silvo dos micos atravessa a tarde. Chapes de asas, crepitar de folhas, assovios de aves, a batida da água doce sobre a pedra. Os sons da natureza não ocupam apenas a faixa litorânea do Rio, e sim se espalham pelas extensas áreas verdes que ainda cobrem parte da cidade.

Foto: Américo Vermelho - Quinta da Boa Vista

Campo de golfe com palmeiras e sombras verdes.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia aérea de um campo de golfe. Do lado esquerdo, vemos várias palmeiras dispostas em uma curva, com suas sombras projetadas sobre o gramado verde. À medida que nos movemos para a direita, o gramado se torna mais escuro, formando uma faixa clara que separa o campo de golfe do restante da imagem. No canto superior esquerdo, vemos duas pessoas caminhando. A cor predominante é verde, variando de claro para escuro conforme a sombra das palmeiras se estende.

Talvez seu pedaço mais representativo sejam os quase 4 mil hectares do Parque Nacional da Tijuca – símbolo nacional de preservação da Mata Atlântica –, que equivalem a cerca de 3,5% da área total do município do Rio. Trata-se da maior floresta urbana do mundo, constituída por um rico conjunto de ecossistemas. A unidade de conservação é composta pela Floresta da Tijuca, Serra da Carioca, Pedra Bonita e Pedra da Gávea. Basta atravessar a portaria principal de acesso à floresta, no Alto da Boa Vista, para mergulhar no verde profundo, um ambiente em tudo diferente daquela agitação tão comum aos complexos urbanos.

O relevo de silêncio ao fundo é integrado ao farfalhar das copas das árvores e aos cantos de saíras, rendeiras e tangarás. As quedas d’água de cascatas e grutas tornam a composição ainda mais harmônica. Do Mirante Dona Marta à Pedra da Gávea, existe um universo de sons e sensações que passam pelo Corcovado, Parque Lage, Cachoeira do Horto, Cascatinha Taunay, Pedra Bonita, Garganta do Céu, entre tantas outras atrações que lembram o lugar imperial da natureza no meio da cidade.

Cidade costeira com montanhas, rio e mar azul.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia panorâmica de uma cidade costeira. Do lado esquerdo, vemos uma montanha coberta de vegetação densa. Ao centro, a cidade se estende com edifícios coloridos e um rio que corta a paisagem. À direita, o horizonte é composto por mais montanhas e o mar azul. O céu está parcialmente nublado, com nuvens brancas e cinzentas distribuídas pelo espaço.

Foto: Américo Vermelho - Vista Chinesa

Sob a trama de flora e fauna exuberante, pulsam os ecos de uma história de disputas e dedicação, que poderia começar com o ruído de troncos sendo derrubados. É que, nos séculos XVII e XVIII, o maciço da Tijuca foi ocupado e devastado pela extração de madeiras e da utilização em monoculturas, especialmente o café, o que gerou sérios problemas ambientais ao Rio. Um deles foi a escassez de água. Por isso, a partir de 1862, Dom Pedro II ordenou o reflorestamento do local, missão que ficou a cargo do major Manuel Gomes Archer, que iniciou o trabalho com seis escravos, alguns feitores, encarregados e assalariados. Em apenas 13 anos, mais de 100 mil árvores foram plantadas, principalmente, espécies da Mata Atlântica. Mais tarde, o barão d'Escragnolle, elaborou um plano de paisagismo, transformando a floresta em um belo e enorme parque, repleto de recantos surpreendentes.

Mas se é verdade que a Floresta da Tijuca, com toda a sua diversidade de fauna e flora, pode muito bem ser considerada o pulmão do Rio de Janeiro, outras áreas verdes menores, como praças e jardins, não deixam de ser fundamentais no arranjo sonoro da paisagem natural carioca.

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