Rio de Sons

CURADORIA

Heloisa Murgel Starling

Na cidade há som. O Rio de Janeiro é canção e barulho. Nossos ouvidos escutam um velho samba que toca em um botequim, o grito do "olha o mate" na praia, o bloco de carnaval que passa na rua, o helicóptero que sobrevoa uma comunidade. O silêncio não existe. Ao andarmos pelas ruas, somos invadidos por sons e barulhos com os quais nos identificamos e identificamos a cidade.

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Ó, abre alas que eu quero passar... Bum bum paticumbum prugurundum. O Carnaval é o fenômeno cultural mais marcante do Rio. Transgressão e irreverência, mescla singular de alegria e tristeza: impossível definir seu espírito. Tampouco representar a amálgama de sons e de ritmos que o sustenta. Não à toa, às vésperas da farra, o prefeito entrega a Momo as chaves da cidade. Cria-se uma brecha libertadora no tempo, um momento de suspensão da rotina. Uma lembrança que, nos demais 360 dias, vale como marca-passo a orientar a pulsação da cidade.

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