Rio de Sons
CURADORIA
Heloisa Murgel Starling
Na cidade há som. O Rio de Janeiro é canção e barulho. Nossos ouvidos escutam um velho samba que toca em um botequim, o grito do "olha o mate" na praia, o bloco de carnaval que passa na rua, o helicóptero que sobrevoa uma comunidade. O silêncio não existe. Ao andarmos pelas ruas, somos invadidos por sons e barulhos com os quais nos identificamos e identificamos a cidade.
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A alegre revoada de maritacas, o assovio de micos-estrela correndo sobre a fiação elétrica. Vez ou outra, alguns sons da fauna se sobressaem na malha de ruídos da cidade, lembrando como é peculiar o enlace carioca entre natureza e progresso urbano. Nas praias, os sons se misturam também de forma singular: ondas e vozerio, o tumulto de pessoas encontrando o tumulto exuberante da paisagem. Pena que toda essa algazarra pode ser entrecortada pelo ruído inconfundível de tragédias que são obra do descaso, como ocorre durante as tempestades de verão.