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Rio Memórias

Toques de Atabaque - Professor Paulo de Xangô

A cantoria à capela de uma roda de samba, acompanhada pela marcação das palmas e pelos versos repetidos pelo coro de vozes, começa após a saudação aos Orixás. “Epa Babá, Oxalá! Epahey Oyá! Ora yê yê ô, Oxum!” O som ecoa da curva numa ladeira íngreme, numa área verde que fica entre mansões e prédios de luxo na Lagoa. A placa acima do portão que dá acesso aos 18 mil m² de mata logo indica que se trata do quilombo Sacopã. “Nós somos da Nigéria. Somos negros no meio de brancos”, conta o sambista Luiz Sacopã, remetendo-se à história do quilombo urbano instalado no alto da ladeira do Sacopã, em 1929, que teve dentre os fundadores seu pai, Manoel Pinto, sua mãe, Eva Manoela Cruz, e quatro irmãos.

Mulher com vestido bordado segura vara de bambu; figura coberta por rede; homem de pé com colar; mulher mais idosa olha figura coberta; janela com grades e imagem religiosa.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia em preto e branco. Do lado esquerdo, vemos uma mulher vestindo um vestido com detalhes bordados e um lenço na cabeça. Ela está segurando uma vara de bambu. Ao centro, há uma figura coberta por uma rede de malha, que parece estar sendo conduzida por outra pessoa. Atrás dessa figura, há um homem de pé, vestindo uma camisa branca e calça branca, com um colar pendurado. À direita, está uma mulher mais idosa, também com lenço na cabeça e vestindo um traje tradicional. Ela está olhando para a figura coberta pela rede. No fundo, há uma janela com grades metálicas e uma imagem religiosa pendurada na parede.

Foto: Thiago Diniz - Terreiro de Encantaria Palácio da Mãe D'água, aniversário do Caboclo Zé Pelintra - 2018

“No terreiro de preto velho, iá, iá / Ora vamos, Saravá / A quem meu pai? Xangô!”. A alguns quilômetros dali, outra roda de samba com pegada de capoeira e batida de berimbau ressoa de uma comunidade quilombola remanescente. Dessa vez, é o quilombo da Pedra do Sal, localizado na zona portuária, região próxima ao Cais do Valongo. Área que um dia foi apelidada de “Pequena África” por Heitor dos Prazeres, e que, em 1987, foi tombada como patrimônio material da cultura negra no Rio de Janeiro. Frequentado, no início do século XX, por ex-escravizados, foi de lá que saíram os primeiros e mais populares terreiros e rodas de samba do Rio de Janeiro, como aquele do babalorixá João Alabá, na rua Barão de São Félix.

Pessoa tocando instrumento musical tradicional com fita adesiva.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia de uma pessoa tocando um instrumento musical tradicional. A imagem mostra uma mão segurando um dedo com fita adesiva branca, posicionada sobre o instrumento. O instrumento tem uma superfície branca com cordas de madeira amarradas com fios de algodão. À frente do instrumento, há um tecido colorido com padrões geométricos em vermelho, preto e branco. No fundo, vemos uma parede branca e uma coluna marrom.

Foto: Thiago Diniz - Terreiro de Encantaria Palácio da Mãe D'água, aniversário do Caboclo Zé Pelintra - 2018

Saindo da antiga rua Visconde de Itaúna, próxima à praça Onze, um corredor dava acesso à casa de dona Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata, mãe de santo e uma das tias baianas mais conhecidas no centro do Rio. Foi na Casa da Tia Ciata, que Donga e Mauro de Almeida compuseram aquele que é considerado o primeiro samba da história a ser gravado: “Pelo Telefone”.

Evento cultural ou religioso com pessoas vestindo trajes tradicionais e bandeira "Divino Espírito Santo".Descrição da imagem: Esta é uma fotografia de um evento cultural ou religioso. Na parte superior esquerda, vemos duas pessoas vestidas com trajes tradicionais, segurando flores. À frente delas está uma pessoa de pé, também com roupas tradicionais. No centro, há uma figura deitada no chão, coberta por um tecido vermelho e branco, enquanto outra pessoa, de pé, se inclina sobre ela. À direita, sentados em cadeiras, estão três indivíduos vestidos com trajes coloridos e adornados. Atrás deles, há uma cortina branca e plantas verdes pendentes. Na parte superior direita, vemos uma bandeira com o texto "DIVINO ESPÍRITO SANTO".

Foto: Thiago Diniz - Terreiro de Encantaria Palácio da Mãe D'água, aniversário do Caboclo Zé Pelintra - 2018

Exemplos da relação simbiótica entre o sagrado e o profano, espaços onde pulsam os traços do candomblé e da umbanda, as rodas de samba e terreiros cariocas mantêm viva a herança daquela tradição ancestral de unir agogôs, xequerês e atabaques, conduzidos por Alabês e Curimbas, para buscar, na agudeza dos sentidos e na performance dos corpos, a manifestação do divino.

Outras memórias

Memória 1 de 4: Quando o sagrado desce as ruas