Rio de Sons

CURADORIA

Heloisa Murgel Starling

Na cidade há som. O Rio de Janeiro é canção e barulho. Nossos ouvidos escutam um velho samba que toca em um botequim, o grito do "olha o mate" na praia, o bloco de carnaval que passa na rua, o helicóptero que sobrevoa uma comunidade. O silêncio não existe. Ao andarmos pelas ruas, somos invadidos por sons e barulhos com os quais nos identificamos e identificamos a cidade.

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Não raro, o som dos tambores se mescla às badaladas dos sinos das igrejas. O ritmo do samba, com seu ímpeto sensual, é herança transformada de tradições de matriz africana. Odô Yiá, Odô Yiá, celebram os adoradores de Iemanjá, misturando sua cantoria ao barulho do mar. Na madrugada de 23 de abril, os fogos acordam a cidade: é alvorada de São Jorge. No mesmo dia, os terreiros oferecem batuques a Ogum. O Rio é uma encruzilhada de sons, espaço marcado pela interseção de culturas cujo resultado cotidiano é o enlace pulsante entre fé e festa.

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