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Rio Desaparecido

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Rio Desaparecido

Episódio 05

Radios that are gone

0:00faltam 39 min38:34

Transcrição

Oi, tá ouvindo bem aí?

  1. 0:00Oi, tá ouvindo bem aí? Essa é uma transmissão de 64 anos atrás, no dia 29 de junho de 1958. O Brasil enfrenta a Suécia na decisão do Mundial
  2. 0:30Mais de 100 emissoras brasileiras se uniram para transmitir aquela Copa Sob o comando da Rádio Nacional do Rio de Janeiro E dava para ouvir no país todo Então eu quero que você imagine uma cena bem longe do Rio Em Maceió Quem está ali almoçando antes de ir para a escola, grudado no aparelho de rádio e vidrado na voz do narrador Edson Leite, é um outro Edson.
  3. 1:00Um pequeno Edson de oito anos, alternando as garfadas do almoço e as jogadas de Pelé, Garrincha e companhia. Essa pintura do Pelé, com direito a chapéu no zagueiro dentro da área
  4. 1:30Foi o terceiro gol da seleção brasileira na vitória por 5x2 Que garantiu o nosso primeiro título mundial E a festa do menino em Maceió se repetia no país inteiro Graças à força do rádio O melhor disso tudo é que daqui a pouco a gente vai conversar com aquele pequeno Edson É claro que ele não tem mais oito anos
  5. 2:00mas segue apaixonado pelo rádio. Ele veio para o Rio de Janeiro ainda jovem e construiu uma carreira linda à frente dos microfones. Já, já eu te conto quem é. Mas antes, eu nem me apresentei, né? Eu sou a Gabriela Montoni, historiadora e apresentadora do Rio Memórias. Nessa segunda temporada do podcast, eu te levo para conhecer lugares e símbolos da cidade
  6. 2:30que não existem mais. Aproveitando que 2022 é o ano do centenário do rádio no Brasil, Hoje a gente vai celebrar grandes emissoras do Rio que já se foram, como a Rádio Nacional, que liderou aquela rede de transmissões na Copa. Então ajeita aí seu fone de ouvido, sintoniza o seu radinho e vamos nessa que tá na hora. Capítulo 1 – Os pioneiros Essa música eu tenho certeza que você já ouviu várias vezes.
  7. 3:00Talvez você conheça como a música da voz do Brasil, O noticiário radiofônico estatal obrigatório em todas as estações
  8. 3:30Ele foi criado em 1935 com o nome de Programa Nacional Depois virou a Hora do Brasil E desde os anos 60 é a Voz do Brasil A música, claro, é a abertura da ópera O Guarani, de Carlos Gomes E por que eu toquei essa música agora? Porque o Guarani estava lá, no berço da história do rádio brasileiro Há exatamente um século, em 1922 No dia 7 de setembro daquele ano, no Rio de Janeiro,
  9. 4:00o cientista, professor e antropólogo Edgar Roquette Pinto aproveitou a abertura de uma exposição para comemorar o centenário da independência do Brasil e transmitiu por rádio o discurso do presidente Epitácio Pessoa, além de algumas músicas, incluindo o Guarani. Um transmissor foi instalado no Alto do Corcovado e 80 receptores se espalharam por Rio, Niterói, Petrópolis e até São Paulo.
  10. 4:30Foi um acontecimento. Mas, olha, cá entre nós não deu pra ouvir direito, não. Muito pouca gente se interessou pelas demonstrações experimentais de radiotelefonia então realizadas pelas companhias norte-americanas Westinghouse, na estação do Corcovado, e o Western Electric na Praia Vermelha.
  11. 5:00Esse é o próprio Roquete Pinto, mais de 30 anos depois, explicando num depoimento que aquela transmissão não foi exatamente um sucesso. Creio que a causa principal desse desinteresse foram os alto-falantes, ouvindo discursos e músicas reproduzidos no meio de um barulho infernal, tudo rofenho, distorcido, arranhando os ouvidos. Era uma curiosidade, sem maiores consequências. E tem outra coisa também.
  12. 5:30Três anos antes, em 6 de abril de 1919, alguns jovens estudantes de eletricidade e telegrafia já tinham feito uma experiência com um radiotransmissor em Recife. Liderados por Augusto Joaquim Ferreira, eles conseguiram um aparelho importado da França e fizeram uma transmissão bem amadora. Era o nascimento da Rádio Clube de Pernambuco. A experiência do Roquete Pinto acabou ganhando mais destaque porque aconteceu na capital do país,
  13. 6:00com a presença do presidente e de forma mais profissional, com direito a equipamentos fornecidos por empresas americanas. No ano seguinte, ele criou a também pioneira Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. A programação era educativa, com um monte de aulas de física, química, geografia, tinha de tudo. Também tinha música clássica e foi ali que surgiu o rádio noticioso no Brasil, com o Jornal da Manhã, apresentado pelo próprio Roquete Pinto.
  14. 6:30Todo esse movimento no Rio incentivou a criação de outras emissoras. O problema é que, naquele começo, pouca gente ouvia. Só a elite financeira do país tinha aparelho de rádio em casa. Isso só começou a mudar na década de 30. Aí sim veio a Era de Ouro.
  15. 7:00Capítulo 2. A Rádio das Rádios. Esse trechinho instrumental de Luar do Sertão, Composta pelo poeta Catulo da Paixão Cearense e pelo violonista João Pernambuco Era o prefixo da Rádio Nacional do Rio de Janeiro Uma rádio que já nasceu gigante Na noite de 12 de setembro de 1936 Ela foi inaugurada numa festa cheia de pompa Anunciada por aviões que sobrevoaram o centro do Rio de Janeiro
  16. 7:30Os estúdios ficavam nos dois últimos andares do majestoso edifício à noite Um arranha-céu na Praça Mauá que reunia os veículos do grupo de comunicação à noite, incluindo o jornal Às 21 horas daquele sábado, esses acordes de Luar do Sertão que você ouviu Com o vibrafone de Luciano Perrone, colocaram no ar a maior rádio que o Brasil já teve Essa era a abertura do programa César de Alencar, um sucesso estrondoso da Nacional.
  17. 8:00Pra você ter uma ideia, as pessoas dormiam na porta do prédio na esperança de conseguir um lugarzinho no auditório. Era um programa de variedades que também recebia estrelas da música.
  18. 8:30Mas pra chegar nesse nível de sucesso, demorou um pouquinho, porque no início os transmissores não iam tão longe, então pouca gente escutava. Em 1940, a emissora foi estatizada por Getúlio Vargas. Com o respaldo do governo, os anunciantes chegaram, a estrutura deu um salto e a audiência subiu que nem foguete. A Nacional finalmente fez jus ao nome, chegando nas cinco regiões do país. Inclusive na casa do menino de oito anos, lá em Maceió.
  19. 9:00A nossa equipe foi atrás do Edson, que se transformou em um dos maiores radialistas do país. Vamos ver por onde andam a Jamílio, Tales e o Rodrigo. Estão chegando aqui no freio da Rádio Globo. Hoje é dia de gravar com a lenda Edson Mauro. Grande Edson Mauro. Isso, aqui no centro da cidade do Rio, é um cara que tem muitos bordões, principalmente pra quem gosta de futebol, ele é muito marcante aqui. Pra variar, a gente tá no centro da cidade do Rio, né? Sempre, sempre por aqui, né? Tá aí no centro da cidade, vai topar com a gente aí pelo caminho.
  20. 9:30É verdade, esse trio tá sempre no centro. Mas pronto, fim do mistério, o pequeno Edson é o grande Edson Mauro, o bom de bola. Locutor esportivo com quase 60 anos de rádio Que construiu uma carreira fantástica aqui no Rio de Janeiro na Rádio Globo E ele já ouvia as emissoras do Rio desde criança
  21. 10:00Eu vim para o Rio com 21, mas desde os 8 eu ouço as rádios do Rio, entendeu?
  22. 10:30Lá em Maceió E se o nosso episódio é sobre rádio, nada melhor do que levar o Edson para dentro de um estúdio, né? Foi no meio de um monte de microfones que rolou esse papo. O Bom de Bola recebeu o Rio Memórias e fez as honras da casa. Estamos aqui no estúdio reserva do Sistema Globo de Rádio, aqui na Marquês de Pombal. A gente tem aqui uma mesa imensa com seis microfones, seis ou sete microfones, Cada um deles com a identificação da rádio CBN ou da Rádio Globo
  23. 11:00E é esse o ambiente, é o ambiente do rádio Basicamente é esse que a gente está vivenciando aqui Mas eu fiquei curiosa para saber mais sobre aquele sábado 64 anos atrás, na final da Copa de 58 Quando o Edson estava grudado no aparelho de rádio da família O rádio era um rádio sempre Que eu nunca mais vou esquecer a cara dele De válvulas, de válvulas devia ter assim, sei lá, um palmo e meio de altura por dois palmos e meio de largura, entendeu?
  24. 11:30A válvula se esquentava para caramba, de vez em quando dava alguns choques, aqueles negócios assim, mas era um rádio sempre, que eu ouvi principalmente, a Copa do Mundo de 58, eu ouvi basicamente nesse rádio, mas colado no rádio, colado no rádio. Eu lembro que às vezes havia jogos que eram transmitidos aqui para o Brasil no horário do meio-dia, no horário do Brasil,
  25. 12:00e na Suécia já 4h30 da tarde, 5h da tarde, pelo fuso, e eu precisava ouvir o jogo e comer porque eu tinha que ir para a escola. Aí ficava ali comendo na frente do rádio e sentindo o bafo do rádio, aquele cheiro do rádio pelas válvulas, porque rádio de válvulas, De repente, ele começa a esquentar, aí você sente aquele cheiro. E eu achava aquilo uma delícia. Ficava com o prato na frente do rádio e ouvindo Pedro Luiz e Edson Leite, dois narradores maravilhosos, espetaculares.
  26. 12:30Espectaculares. Na Copa de 58, o Pedro Luiz narrava o primeiro tempo e o Edson Leite narrava o segundo.
  27. 13:00Eles eram da Rádio Bandeirantes. A dupla da Nacional, Jorge Cury e Oswaldo Moreira, também transmitiu a decisão. Aliás, a Nacional já tinha feito outra final histórica A da Copa de 50 no Brasil Foi uma tristeza, né? O narrador Antônio Cordeiro deixou o país atônito Com o segundo gol do Uruguai em pleno Maracanã O trágico maracanazo não está na memória do Edson Mauro
  28. 13:30Porque ali ele não tinha nem quatro meses de vida Mas a paixão pelo rádio mexe tanto com as pessoas Que não demorou muito tempo para ele se aventurar na locução Ainda criança, dentro de casa Mais especificamente, dentro do banheiro Eu já estava habituado, desde os 10 anos de idade, de pegar o jornal do meu pai
  29. 14:00De noite, quando ele estava em casa, voltava, jantava Aí abria o jornal, daqui a pouco cochilava, o jornal caía Eu passava a mão no jornal e ia para o meu quarto, ia para o banheiro ler Eu ia para o banheiro porque o banheiro tem aquela voz, aquele som legal De estúdio, né? Da eco e tudo mais Aí eu ia ler em voz alta as notícias Mas sei, ó, os trens hoje que sairão para Pernambuco Sairão com atraso de meia hora Aí lia as notícias todas, a capa do jornal e tudo mais
  30. 14:30Tanto que eu fui ganhando gosto pela leitura de jornal E depois a própria leitura de livros e tudo mais E também fui desenvolvendo essa técnica de ler notícias Falando em ler notícias Amigo, vista que fala o repórter S, o testemunho ocular da história O repórter Esso estreou na Nacional em 1941 e ficou famoso na voz do Eron Domingues.
  31. 15:00Ele lia as manchetes com estilo inconfundível, assim como o Edson tentava fazer no banheiro de casa com o jornal do pai dele. Mas nem tudo era notícia e futebol na Rádio Nacional. Tinha a emoção das radionovelas.
  32. 15:30O direito de nascer, de 1951, foi um fenômeno de popularidade. Na época, a audiência das radionovelas era predominantemente feminina,
  33. 16:00mas nesse caso, a família toda se reunia em volta do aparelho. Todo mundo queria ouvir a história do filho de mãe solteira rejeitado pelo avô. E olha que foram 314 capítulos durante três anos. O elenco incluía Paulo Gracindo, Nélio Pinheiro, Talita de Miranda e Dulce Martins. Vários atores que depois fariam sucesso na TV começaram no rádio. E dramaturgos também, como Janete Clare, Dias Gomes e Oduvaldo Viana.
  34. 16:30As gravações aconteciam nos estúdios do último andar do edifício à noite. No penúltimo andar, o agito era outro. E aqui está agora uma outra cantora do nosso cast, que não poderia faltar a essa homenagem que prestamos à Casa da Paraíba. A nossa favorita, Eminha! Lá na rua onde eu moro tem um gatinho de amargar
  35. 17:00É sabido e vive muito bem com as gatinhas do lugar Mas a gata lá de casa é um osso duro de ruer Essa é a Emelinha Borba cantando no programa César de Alencar diante de fãs enlouquecidas no Auditório da Nacional. As cantoras criaram rivalidades históricas nos concursos das rainhas do rádio
  36. 17:30nas décadas de 40 e 50. Ouve só. Sua majestade Ângela Maria canta para os seus súbditos de todo o Brasil.
  37. 18:00Vamos fazer um contrato.
  38. 18:30Até maro! E você, de samba de gente bem, não vai encontrar ninguém, aqui que é no mato, como samba. Deu pra sentir o clima? De um lado, as fãs da Emelinha. Do outro, as fãs da Marlene. E assim, o sucesso se espalhava pelo Brasil inteiro. A minha mãe, ela gostava muito de ouvir música.
  39. 19:00Quando tinha nas próprias rádios de Manceió, havia programas de auditório nas rádios de Manceió. E as cantoras locais, elas cantavam muito as músicas de Emilinha Borba, Angela Maria e Dalva de Oliveira. E a minha mãe, como ela gostava muito de cantar, ela era admiradora dessas três cantoras, basicamente. Então quando uma delas estava cantando Tinha lá os programas que ela ouvia
  40. 19:30Ela ficava cantarolando também e tudo mais Miau, miau, miau, miau Toda noite sem declaração Miau, miau, miau, miau E a gatinha sempre diz que não Miau, miau, miau, miau Toda noite sem declaração Miau, miau, miau, miau E a gatinha sempre diz que não É menina borba, ela que é a nossa favorita Está se apresentando nesse programa Capítulo 3
  41. 20:00Uma onda de risadas Em Brasília, 19 horas Ih, acho que esse episódio está sendo interrompido Para a exibição da Voz do Brasil Mentira, não está não Mas me diz uma coisa Você costuma desligar o rádio quando toca essa música? Hoje em dia até dá para trocar de estação Porque a Voz do Brasil não vai ao ar no mesmo horário Em todas as rádios Pode ser na janela entre 7 e 10 da noite
  42. 20:30Mas antes era sempre às 7, então não tinha pra onde correr Com a família do Edson Mauro era assim Pintou o Guarani Aí todo mundo ligava, era hora que eu ia tomar café, jantar e coisa e tal Aí 8 horas da noite eu religava na rádio Marim que venga Que eu achava maravilhosa Porque ela começava entre 8, mas diariamente isso era sensacional Entre oito e acho que dez ou meia-noite
  43. 21:00Uma programação só de humoristas Essa era a turma da Maré Mansa Um carro-chefe da programação da Mayrink Veiga Na era de ouro da década de 1950 Com um grande elenco de humoristas Se você se lembrou da loja famosa nos anos 80 Sim, tem tudo a ver
  44. 21:30A impecável Maré Mansa era patrocinadora do programa Inclusive, quando a Mayrink Veiga foi fechada pela ditadura em 1964 o dono da loja, o seu Sampaio recontratou todos os comediantes alugou um estúdio e bancou a continuidade do programa que ainda
  45. 22:00ficaria muito tempo no ar passando por outras rádios Nas décadas de 1930 e 40 a Mayrink Veiga tinha sofrido com a explosão dos musicais da Nacional e da Tupi Ela andava meio caidinha no início dos anos 50 mas se recuperou apostando justamente em programas de humor como a Turma da Maré Mansa e em grandes locutores Aí apareceram, aí Chico Anísio, apareceu Cid Moreira, Cid Moreira era da Rádio Marim que Veiga, e a Rádio Marim que Veiga, ela tinha essa ambientação toda e deveria ter uma audiência imensa, não só no Rio como no Brasil, mas era uma programação muito bem feita, muito redonda, locutores incríveis, humoristas maravilhosos,
  46. 22:30Esses humoristas todos que apareceram mais adiante na escolinha do professor Raimundo com Chico Anísio, todos eles, eu quando era garoto, ouvia na Rádio Marim que Veiga. E o Chico Anísio, na Rádio Marim que Veiga, ele assinava como Francisco Anísio.
  47. 23:00Um programa criado e apresentado por Francisco Anísio. Aí a galera batia palma. Deu certo esse investimento em nomes de peso, como o Sérgio Porto, Que era o famoso Stanislaw Ponte Preta E apresentadores como Haroldo Barbosa Que fez estourar na Mayrink Veiga Um programa que também passou pela Nacional E depois migrou pra televisão O humorístico A Cidade Se Diverte Também na Mayrink Veiga
  48. 23:30Nasceu um clássico do humor no rádio brasileiro Que estreou em 1944 Depois pulou pra Nacional pra Tupi, voltou pra Mairinkveiga, depois pra Nacional de novo, e enfim, foi um sucesso absoluto durante duas décadas. Ouvintes do Brasil, muita atenção.
  49. 24:00Essa é a PRK30. Eu vou deixar você ouvir a introdução, inclusive com o anúncio do patrocinador, um analgésico que prometia curar todas as dores. A Rádio Nacional, neste momento, entra em cadeia com a PRK30, a mais divertida emissora do planeta, sob a direção dos conceituados Freio Men, Otelo Trigueiro e Megatério Nababo da Licerce, ou sejam, Lauro Borges e Castro Barbosa, a maior dupla humorística do rádio brasileiro. PRK-30, como sempre, vai ao ar numa gentileza de Guaraina, produto nacional de conceito universal.
  50. 24:30Divirta-se com as piadas de Otelo e Megatério e mantenha o seu bom humor com Guaraina. Guaraina, o famoso analgésico brasileiro, corta dores de cabeça, de dentes e de ouvidos. sem atacar o coração. Guaraina não é melhor nem pior, é única. PRK-30 era uma sátira do próprio rádio. Lauro Borges e Castro Barbosa simulavam uma estação clandestina que sequestrava a programação oficial e brincava com os ídolos, os apresentadores, o elenco inteiro.
  51. 25:00Era a metalinguagem purinha que depois a gente viu na televisão, em programas como TV Pirata e até em podcasts atuais como o Meio Rádio. Todo mundo a adorava. Houve só um trechinho de uma coluna da revista O Cruzeiro na época A PRK30 é o que se pode chamar de um programa marcado Toda gente sabe dia e hora em que ela vai ao ar Desde a moça Granfina, o político Sisudo ou apenas aquele funcionário público
  52. 25:30Lauro Borges e Castro Barbosa exploram situações alegres e inesperadas, engraçadas Fazem as mais saborosas piadas, imitam os grandes cartazes do microfone Interpretando todos os gêneros de música Fazem caricaturas gostosas dos locutores de voz mais conhecida Apresentando sob prisma gaiato a propaganda dos produtos mais anunciados Agora, você imagina a responsabilidade de substituir esse programa Quando ele saiu do ar na Rádio Nacional A missão caiu no colo de Max Nunes e Paulo Gracindo
  53. 26:00E nasceu outro clássico 100% financiada pela Mirsa Sociedade Anônima Inaugura-se neste momento em qualquer parte da cidade maravilhosa o monumental edifício Balança. Balança! Balança! Mas não cai! O Balança Mas Não Cai reunia histórias que se passavam no edifício famoso da Avenida Presidente Vargas,
  54. 26:30mas tinha esse nome porque diziam que ele podia desabar a qualquer momento. Mas era só boato, ele está aí até hoje. Projeto e construção de Max Nunes, moradores, todos os astros e estrelas da Nacional, Exceto que foram despejados por falta de pagamento O único edifício que não exige... O Balança tinha quadros que depois migraram para a TV Como O Primo Pobre e O Primo Rico Com Brandão Filho e Paulo Gracindo Foi um estouro Você sabe a fortuna que eu gastei Para mandar buscar esse coral da Rússia?
  55. 27:00200 milhões de jovens aprenderam português Para cantar isso Você me dá este prejuízo Você paga para vir um coral para você dormir? Claro, é ótimo dormir com música Eu tenho uma insônia desgraçada Você não gosta de dormir com música, não, Prit? Lá em casa eu só durmo com música. Ah, é? É. E tudo coral. Coral? Mas é um coral russo como esse? É russo, é tudo russo. Tem aquele coral do Mosquitovski. Tem o outro coral do Pereira Kovski.
  56. 27:30E tem um agora, um mexicano que tá fazendo muito sucesso. É Los Grilancheros. Bom, gente, o papo tá muito legal, muito divertido, mas a hora tá passando, né? Será que ainda dá tempo de colocar mais um capítulo nesse episódio? Deixa eu ver que horas são. 23 horas 1 minuto 0 segundo Você sabia?
  57. 28:001300 anos antes de Cristo as mulheres já usavam cosméticos para manter a beleza do rosto. Essa era a Rádio Relógio AM, que nasceu em 1956 e informava a hora certa de minuto em minuto na locução da Iris Letieri, que também ficou conhecida como a voz do Aeroporto Internacional do Rio. Você sabia? Um homem consome em alimentos por dia o equivalente a 2,5% do seu peso.
  58. 28:30Entre um minuto e outro, o locutor Tavares Borba contava umas curiosidades aleatórias tiradas das enciclopédias. Dois minutos, zero segundo. Então, beleza, ainda dá tempo de chamar o nosso último capítulo.
  59. 29:00Tem certeza, Gabi? Posso ir? Pode ir, confia Bora falar de rock e pop? Tá bom, então vamos nessa Capítulo 4, A Revolução Musical Essa era a abertura do programa do Big Boy
  60. 29:30Na Mundial AM Que tocava clássicos e lançamentos da música internacional Quem comandava o show era um tímido professor de geografia, o Newton Duarte, que se transformava completamente no alucinado Big Boy, o maior disc jockey do rádio brasileiro. Ele começou a brilhar em 1966, quando o Grupo Globo adquiriu a Mundial e implantou uma linguagem voltada ao público jovem. O Big Boy morreu muito cedo, aos 34 anos
  61. 30:00Mas ele foi um revolucionário, fazendo o rádio AM com esse jeitão de FM Aliás, você sabe qual é a diferença entre AM e FM?
  62. 30:30Eu vou resumir pra você A rádio AM, de amplitude modulada, tem mais alcance e é mais barata Mas sofre mais interferências de outras ondas, o que gera mais ruídos A FM, frequência modulada, tem um alcance mais curto e é mais cara Mas garante uma qualidade muito melhor É ideal para tocar música Então a gente vai lembrar aqui duas rádios Uma do Rio e uma de Niterói Que já surgiram no FM e ajudaram na formação musical de muita gente
  63. 31:00A Rádio Cidade apareceu em 1977 e moldou a cara das FMs no país inteiro Vinheta rápida, locução informal cheia de gírias, interação o tempo todo com o público. Aliás, a interação rolava até no meio da rua. Você aí que tá ouvindo, diz pra mim. Você já colou adesivo de rádio no seu carro pra ganhar promoção?
  64. 31:30Agora você que tem o adesivo da Rádio Cidade no seu carro, ganha prêmios de 8 horas! Atenção, Chevette Branco, WV8456. Você é patrão LP dos Paralamas. Prazo de uma semana pra passar aqui na Rádio Cidade, Avenida Brasil 500, primeiro andar! De hora em hora na Rádio Cidade, você que tem o adesivo do seu carro, ganha muitos prêmios. Cinco anos depois da estreia da Rádio Cidade, às seis da manhã do dia 1º de março de 82, entrou no ar A Maldita.
  65. 32:00Esse FM, seis horas. A ousadia, a ansiedade, a busca incessante das coisas novas e criativas impuseram que os rumos das FMs cariocas sofressem alterações.
  66. 32:30Profundas e revolucionárias alterações A Rádio Fluminense FM Stereo é uma prova palpável dessa nova mudança Apesar dessa locução aí da estreia, a Fluminense tinha apresentação exclusivamente feminina Uma das locutoras era a jornalista Milena Ciribelli no comecinho da carreira Ouvimos paralamas do sucesso com mensagem de amor e óculos Fluminense FM O apelido de maldita não era à toa
  67. 33:00A rádio apostava no rock e se recusava a seguir o marketing da época Ali não tinha tal música de trabalho imposta pelas gravadoras A rádio é que escolhia qual música ia tocar Mesmo com esse comportamento que subvertia as regras do mercado E mesmo só ficando no ar por 12 anos A Fluminense marcou uma geração inteira E a relação com os ouvintes era uma coisa inacreditável Quer um exemplo? Houve essa historinha Uma vez, rolou uma promoção envolvendo uma banda de rock britânica
  68. 33:30Esse é o produtor Amaury Santos no documentário A Maldita, de T.T. Matos O Amaury conta essa história ao lado de outros dois criadores da rádio O Sérgio Vasconcelos e o Luiz Antônio Melo Então nós fizemos uma promoção de ir para a Praia do Arpoador com o carro da rádio Que ele gentilmente chamava de cipituca E que era uma belina E os caras inventaram um negócio que quem reunisse mais formigas vivas dentro de vidros
  69. 34:00e levasse até o carro da rádio ia ganhar camisetas que tinham as formigas subindo com sangue escorrendo pela camiseta. Resultado? No domingo, dia da promoção, o arpoador virou um caos. Era uma fila, quilômetro de gente com vidro e formiga na mão. As formigas invadiram e cada formiga de todo tamanho com sacos de plástico. Foi um tumulto generalizado, deu defesa dos animais, IBDF, IBAMA, não sei o que, todo mundo, entendeu? Porque foi um tumulto de formiga espalhado por tudo quanto é lugar.
  70. 34:30Aí a promoção foi suspensa e os ouvintes, desesperados, simplesmente começaram a tentar virar o carro da rádio. Sabe como é que Luiz Antônio Mello resolveu a situação? Eu liguei então para a locutora, que era a Selma Vieira, e falei, Selma, põe no ar o seguinte, você vê como é que era a relação. Vocês querem acabar com a rádio? Então para de virar carro da rádio, pô. A gente passou aqui por várias rádios do Rio que já se foram
  71. 35:00Mas essa conexão direta com os ouvintes se mantém até hoje de várias formas Seja na interação pelas redes sociais, nas participações por telefone Ou até no caso das rádios comunitárias Em que a população local influencia diretamente o que vai ao ar Um século depois daquelas primeiras transmissões experimentais cheias de ruído O rádio continua vivo e gigante Olha, eu acho que o rádio é um meio de comunicação que nunca vai morrer, ele vai sempre se renovar.
  72. 35:30Está de volta o Edson Mauro para fechar a nossa viagem radiofônica. O rádio hoje se renovou de uma maneira que não é mais rádio, agora é áudio. Agora é áudio, você consome o quê? Consome áudio. E o áudio agora já se mistura com podcast, já se mistura com videocast. O rádio, você leva para qualquer lugar pela mobilidade dos aparelhos celulares, do tablet, do computador que você ouve enquanto trabalha. Então, eu vibro muito com os meios de comunicação de uma forma geral, entendeu?
  73. 36:00Por quê? Porque eles se renovam, não vão morrer nunca e vão continuar sendo úteis como hoje são e como sempre foram. Eu agradeço demais ao Edson Por ter dividido com a gente essa paixão dele Pelo rádio E obrigada também a você que ouviu até aqui Marca aí a ArrobaRioMemórias no Instagram E me conta sobre suas lembranças
  74. 36:30O que você gostava de ouvir? De qual rádio você tem saudades? Se você escuta a gente pelo Spotify Dá pra comentar por lá também Tem uma pergunta lá pra você responder Lembrando que no Museu Virtual RioMemórias.com.br Você pode navegar pela Galeria Rio Desaparecido Que é a base da nossa segunda temporada E tem um monte de outras galerias Para você explorar a história do Rio de Janeiro Você ouviu nesse episódio Vários áudios de emissoras Que foram citadas aqui
  75. 37:00E alguns desses áudios só estão disponíveis Graças ao esforço de canais independentes Dedicados à memória radiofônica Como o canal A História do Rádio Do Roberto Salvador E o Relíquias do Rádio Do Felipe Braga Esse podcast é uma produção da Escuta Aqui Com coordenação do Rodrigo Alves Que também escreve os roteiros A pesquisa é do Davi Arueira E do Danilo Marques Do Projeto República da UFMG
  76. 37:30O Tales Ramos faz a supervisão de roteiro A Jamile Boulay faz a produção E as entrevistas A Clara Costa edita e faz a sonorização Dos episódios E o Gabriel Falcão compõe a nossa trilha sonora Original Incluindo essa música que você está ouvindo agora Eu sou a Gabriela Montoni Historiadora e apresentadora do Rio Memórias. Obrigada e até o próximo episódio. O Rio Memórias é patrocinado pelo Ministério
  77. 38:00do Turismo, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura, pelas empresas Norsul e Cajnar Leonardo por meio da Lei de Incentivo à Cultura e pelo Banco BTG Pactual, Adam Capital e Concremate por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, Lei do ISS. Obrigado e até o próximo episódio.

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Todos os episódios

  1. 01Marielle, Amarildo, Stuart, and Rubens: present!
    Duração 44:44

    In the premiere of Season 2, Rio Memórias connects four life stories that were cut short in Rio de Janeiro and became symbols of resistance: Marielle Franco, Amarildo de Souza, Stuart Angel and Rubens Paiva. Interviewee in this episode: Mário Magalhães.

  2. 02Morro do Castelo
    Duração 38:50

    A symbol of the founding of Rio de Janeiro literally came crashing down in the early 20th century and vanished from the map. The story of Morro do Castelo, told with the help of a historic account by two former residents. Interviewee in this episode: Alberto Mussa.

  3. 03Neighborhood Movie Theaters
    Duração 32:52

    Over the course of a century, Rio de Janeiro lived out a story made of dazzling theaters, huge screens, tasty popcorn, and films that shaped our lives: the magic of the neighborhood movie theaters.

  4. 04Palácio Monroe
    Duração 36:04

    The incredible story of Palácio Monroe, a majestic building that traveled from one country to another, settled in Rio's Centro, was the seat of the Senate, and disappeared, leaving behind an empty square with a dry fountain. Interviewee in this episode: Eduardo Ades.

  5. 05Radios that are gone
    Duração 38:34

    In the year marking the centennial of radio in Brazil, a journey through radio stations that left us longing for the past: the magic of radio soap operas, the power of newscasts, the fanaticism for great singers, and the strength of sports broadcasts. Interviewed in this episode: Edson Mauro.

  6. 06Cais do Valongo
    Duração 37:25

    In the closing episode of the 2nd season, the story of the Cais do Valongo, the largest entry point for enslaved Africans in the Americas, and the repeated attempts to erase this memory. Interviewed in this episode: Eliana Alves Cruz.