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Rio Desaparecido
Episódio 01
Marielle, Amarildo, Stuart e Rubens: presentes!
0:00faltam 45 min44:44
Transcrição
Na manhã de 20 de janeiro de 1971, o engenheiro civil e ex-parlamentar Rubens Paiva
- 0:00Na manhã de 20 de janeiro de 1971, o engenheiro civil e ex-parlamentar Rubens Paiva
- 0:30estava em casa, no bairro do Leblon, no Rio, com a esposa Eunice e os cinco filhos. Seis homens da aeronáutica armados entraram na casa. Rubens Paiva acalmou a família, falou para os homens baixarem as armas e pediu um tempo para trocar de roupa. Saiu junto com eles, vestindo terno e gravata e guiando o próprio carro. Quase quatro meses depois, às nove da manhã do dia 14 de maio
- 1:00Homens da mesma aeronáutica chegaram à Avenida 28 de Setembro Em Vila Isabel, na Zona Norte, Carioca O estudante de economia Stuart Angel foi abordado e colocado dentro de um carro Corta para outra abordagem, no mesmo Rio de Janeiro
- 1:30Só que quatro décadas depois Dessa vez, na favela da Rocinha, em 14 de julho de 2013 O ajudante de pedreiro Amarildo Dias de Souza estava indo comprar limão e alho num bar para temperar o peixe da janta de domingo com a esposa Elizabeth e os seis filhos. Foi interceptado por policiais militares da UPP e levado para a averiguação.
- 2:00Cinco anos depois daquilo, na noite de 14 de março de 2018, a vereadora Marielle Franco saiu de um evento na Casa das Pretas, num sobrado na Rua dos Inválidos, na Lapa. Ela entrou num carro branco com a assessora e amiga Fernanda Chaves e o motorista Anderson Gomes. Quando o carro virou na rua Joaquim Palhares, no Estácio, outro veículo emparelhou a menos de dois metros e baixou o vidro.
- 2:30Eu sou a Gabriela Montoni e essa é a segunda temporada do podcast Rio Memórias. Dessa vez, a gente vai explorar em seis episódios a Galeria Rio Desaparecido, com lugares e símbolos da cidade que deixaram de existir. Mas esse primeiro episódio é um pouco diferente. Porque hoje nós não vamos falar de lugares, vamos falar de pessoas. Eu quero te convidar para lembrar quatro vidas que foram silenciadas no Rio de Janeiro
- 3:00e, ao contrário do que os seus executores queriam, não desapareceram. Viraram ícones de resistência. Marielle, Amarildo, Stuart, Rubens, presentes. Se você está chegando agora ao Rio Memórias, eu te lembro que a nossa primeira temporada
- 3:30recriou conflitos históricos da cidade. No site riomemórias.com.br você pode acessar galerias como o Rio Desaparecido, Rio de Conflitos e várias outras. A gente também está no Instagram, arroba Riomemórias. Aqui no podcast, cada episódio é independente, então dá pra ouvir na ordem que você quiser. Busca aí a primeira leva, com as revoltas da vacina da chibata, os motins no fim da Era Vargas, os protestos do transporte público, a a Conjuração Carioca, as procissões abolicionistas e os comícios contra a ditadura.
- 4:00A gente precisa ficar sabendo de uma vez por todas que eles sempre vão apelar para a violência. E ai de nós se nós não nos prepararmos para essa violência. Esse aí é o Vladimir Palmeira, líder dos estudantes na passeata dos 100 mil em 1968. É nesse período nefasto da história brasileira que a gente retoma a nossa conversa. Só que um pouquinho antes, na gênese da ditadura, em 1964. Capítulo 1 – Quem matou Rubens Paiva e Stuart Angel
- 4:30E senhoras e senhores, continuando com esta série de depoimentos ao microfone da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, nesta madrugada de 1º de abril, vamos trazer o deputado Rubens Paiva,
- 5:00representante do Estado de São Paulo no Congresso Nacional. Meus patrícios, me dirijo especialmente a todos os trabalhadores, a todos os estudantes e a todo o povo de São Paulo, tão infelicitado por este governo fascista e golpista que, neste momento, vem traindo seu mandato e se pondo ao lado das forças da reação. Essa gravação foi feita no dia 1º de abril de 64. Você tem ideia do peso desse dia para a história do país?
- 5:30Com o avanço dos militares, o presidente João Goulart foi para Porto Alegre, mas ainda não tinha ido para o Uruguai. Mesmo assim, o golpe de Estado sai das sombras para virar realidade O discurso golpista é do presidente do Senado, Auro de Moura Andrade
- 6:00Na Rádio Nacional, Rubens Paiva tentava uma última cartada E convocava os trabalhadores e os estudantes para uma greve geral Todos os universitários que se unam em torno dos seus órgãos representativos, para que todos, em greve geral, deem a sua solidariedade integral à legalidade que ora representa o presidente João Goulart.
- 6:30Rubens Paiva nasceu em Santos, estudou engenharia e se tornou deputado federal em 1963, um ano antes dessa entrevista. Ele integrava a ala radical do Partido Trabalhista Brasileiro, o PTB, fundado em 1945 por Getúlio Vargas, e defendia com unhas e dentes as reformas de base propostas por Jango. O que ele pedia ali era uma resistência pacífica ao golpe. Julgamos indispensável que todo o povo se mobilize tranquila e ordeiramente,
- 7:00em defesa da legalidade, prestigiando a ação reformista do presidente João Goulart. Poucos dias depois, uma junta militar assumiu o poder e deu início a um período de 21 anos de ditadura Com o ato institucional número 1, Rubens Paiva teve seu mandato cassado Ele ficou nove meses no exílio, primeiro na Iugoslávia e depois na França Retornou ao Brasil, se mudou para o Rio de Janeiro, voltou a exercer engenharia e também o jornalismo
- 7:30Ele foi diretor de redação do jornal Última Hora, mas sempre de olho nas questões políticas e nos brasileiros exilados Enquanto isso, o outro personagem da nossa história militava na clandestinidade Stuart Edgar Angel Jones tinha sido bicampeão carioca de remo pelo Flamengo e estudou economia na Universidade Federal do Rio de Janeiro Era o filho mais velho de Zuzu Angel, uma estilista muito famosa na época
- 8:00Na virada dos anos 60 para os 70, ele entrou para o MR8, o Movimento Revolucionário 8 de outubro Era uma dissidência do Partido Comunista Brasileiro, o PCB, que seguia a linha da luta armada como resistência à ditadura. Surgiu em 1964 e, mais tarde, adotou esse nome para lembrar o dia em que Che Guevara foi capturado na Bolívia, em 8 de outubro de 1967. Em 1968, vem o Ato Institucional Nº 5, o AI-5.
- 8:30É do interesse nacional que ponhamos um basta à contrarrevolução. A repressão fica cada vez mais feroz Opositores do regime são presos, torturados e assassinados Em setembro de 69, o MR-8 e a Ação Libertadora Nacional fundada pelo guerrilheiro Carlos Marighella exigem a libertação de 15 presos políticos em troca do embaixador americano Charles Elbrick
- 9:00Dois meses depois, os agentes do DOPS o Departamento de Ordem Política e Social comandados pelo delegado Sérgio Fleury armam uma emboscada e matam Marighella em São Paulo. Então, chegou a hora de chamar o nosso convidado nesse episódio, que é justamente o biógrafo de Marighella, o jornalista Mário Magalhães, também autor de um livro chamado Sobre Lutas e Lágrimas,
- 9:30uma biografia de 2018. E já já a nossa história vai chegar nesse ano. Mas antes, o Mário Magalhães ajuda a gente a entender aquele cenário ali no fim da década de 60, início de 70, e o risco que cercava os nossos dois personagens. Rubens Paiva como ex-parlamentar de oposição à ditadura e Stuart Angel como militante da luta armada. Um jeito de operar que vinha ganhando corpo desde o golpe de 64.
- 10:00Ao contrário do que a ditadura contava e do que diz certa historiografia, o golpe de estado de 1964 foi feito com sangue. Sangue de muita gente, houve muitos assassinatos na virada de março para abril de 64. Então a ditadura se impõe num golpe de Estado feito com armas, feito com tanques, e começa matando, e ela vai continuar matando. A ditadura mata nos protestos de 68, estudantis em vários lugares do Brasil,
- 10:30então esse modus operandi de prender ilegalmente, sequestrar ilegalmente, torturar, matar e provocar o desaparecimento forçado, eles já existiam. Em 1971, esse modus operandi citado pelo Mário Magalhães só precisou de um intervalo de cinco meses para atingir Rubens e Stuart. Então a gente volta para a cena que abre esse episódio no dia 20 de janeiro, quando agentes do Centro de Informações da Aeronáutica,
- 11:00ou CISA, armados e sem mandado, chegaram na casa de Rubens Paiva, no Leblon. O ex-deputado saiu dali guiando o próprio carro até a sede da terceira zona aérea no aeroporto Santos Dumont. Ele tinha 41 anos. Foi a última vez que viu a esposa e os cinco filhos. Quatro meses depois, o Centro de Informações da Aeronáutica encontrou Stuart Angel na zona norte do Rio.
- 11:30Ali, em maio de 71, ele tinha 25 anos. Alguns registros na internet e na imprensa dizem que a prisão aconteceu em junho, mas o relatório da Comissão Nacional da Verdade e o atestado de óbito confirmam o dia 14 de maio. O destino dele naquele dia foi a base aérea do Galeão. Os agentes da repressão queriam arrancar do Stuart informações sobre o guerrilheiro Carlos Lamarca,
- 12:00dirigente do MR-8. Como ele se recusou a falar, foi brutalmente espancado e torturado. O relato mais preciso foi feito pelo poeta e ex-guerrilheiro Alex Polari, que também estava preso na base aérea. Pela janela da cela, ele viu as torturas no pátio No ano seguinte, entregou para Azuzu Angel uma carta Com um relato que nem uma mãe quer ler sobre um filho Em um momento, retiraram o capuz e pude vê-lo sendo espancado Depois de descido do pau de arara Antes, à tarde, ouvi durante muito tempo um alvoroço no pátio do Sisa
- 12:30Havia barulho de carros sendo ligados Acelerações, gritos e uma tosse constante de engasgo E que pude notar que se sucedia sempre às acelerações Consegui com muito esforço olhar pela janela que ficava a uns dois metros do chão E me deparei com algo difícil de esquecer Junto a um sem número de torturadores, oficiais e soldados Stuart, já com a pele semi-esfolada Era arrastado de um lado para o outro do pátio Amarrado a uma viatura
- 13:00E de quando em quando, obrigado, com a boca quase colada a uma descarga aberta A aspirar gases tóxicos que eram expelidos No caso do Rubens Paiva, ele começou a ser torturado no mesmo dia em que foi capturado, na terceira zona aérea. Depois, foi transferido para o quartel do Primeiro Exército, na rua Barão de Mesquita. Tanto ele como Stuart foram dados como desaparecidos. E aí, começou uma luta em busca da verdade, com duas mulheres à frente das cobranças.
- 13:30Eunice Paiva, esposa do Rubens, e Zuzu Angel, mãe do Stuart. Nos 40 anos seguintes, o caso Rubens Paiva teve vários altos e baixos A imprensa cumpriu um papel importante em determinados momentos Em 1978, o Jornal do Brasil publicou uma reportagem com o título Quem matou Rubens Paiva? Em 86, já no governo Sarney, a revista Veja entrevistou um ex-segundo-tenente do Exército
- 14:00que também era médico-psicanalista e falou que o corpo do ex-deputado tinha sido esquartejado Em 2014, o jornal O Globo publicou depoimentos de alguns militares envolvidos no caso Aquela altura, com a Comissão Nacional da Verdade instaurada no governo Dilma Rousseff Já dava para ter uma ideia mais precisa do que aconteceu Rubens Paiva foi preso em casa, interrogado e agredido na terceira zona aérea
- 14:30Torturado e morto no quartel da Barão de Mesquita As investigações apontaram como seu assassino um ex-tenente Ligado ao Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica chamado Antônio Fernando Rio Gigi Carvalho. O ex-parlamentar foi enterrado no Alto da Boa Vista, mas logo depois removido para o Recreio dos Bandeirantes, que ainda era uma área pouco habitada nos anos 70. Em 73, os restos mortais foram desenterrados, colocados em uma lancha e jogados em alto mar.
- 15:00Essa operação teria sido comandada pelo então capitão do Exército, Paulo Malhães, que torturou e matou vários presos políticos na Casa da Morte, em Petrópolis. Ele confirmou a informação ao jornal O Globo, mas depois negou no depoimento à Comissão da Verdade. O senhor recebeu, o senhor declarou, acho que saiu no Globo, o senhor resolveu a missão para assumir a calçada do Ministério Público. É, mas quem executou essa missão não fui eu.
- 15:30Por uma coincidência só. Quem teria que ter feito era eu Você não fez por quê? Porque eu tive uma outra missão Eu só disse que fui eu Porque eu acho uma história muito triste Quando a família leva 38 anos
- 16:00Dizendo que quer saber o paradeiro do... Eu não sou sentimental, não Mas tem as minhas crises Então, o Paulo Malhães Um torturador e assassino Confesso Disse que mentiu sobre a autoria daquela missão Porque estava sensibilizado com a família do Rubens Paiva Queria acabar com aquela história E colocou a culpa na imprensa Que não soube interpretar as declarações dele Cristo Falava por parábolas
- 16:30Um mês depois desse depoimento Em 2014 O coronel teve sua casa invadida Por três homens encapuzados e foi assassinado por asfixia. Com ele, provavelmente morreram outras informações. O principal motivo da prisão do Rubens Paiva em 1971 também demorou muito para vir à tona. Depois eu vim a saber, isso recentemente que eu vim a saber disso, que ele era Pombo Correio. O que irritou os militares foi o fato de que o ex-deputado intermediava a correspondência entre os militantes Helena Bocaiuva,
- 17:00que estava exilada no Chile, e Carlos Alberto Muniz, que usava o codinome Adriano e integrava o MR-8. O mesmo MR-8 que tinha em suas fileiras, o jovem Stuart Angel. Assim como no caso Rubens Paiva, algumas revelações sobre a morte do Stuart só vieram muito tempo depois, com os depoimentos na Comissão da Verdade. O preso era levado para o subterrâneo e lá submetido às mais provéstimas.
- 17:30Esse é o advogado José Bezerra da Silva, que serviu como soldado na base aérea do Galeão entre 1971 e 1979. Ele foi um dos militares perseguidos e torturados pelos colegas por causa de discordâncias com o regime. Eu estava entrando na enfermaria e vi um jovem ser tirado de uma viatura, encapuzado, tiraram o capuz dele, ele estava apavorado, alucinado.
- 18:00Quando foi lá por volta de uma ou duas horas da manhã, pediram por telefone que nós dessemos acesso a uma ambulância que vinha do hospital, logo ali do lado. Quando a ambulância entrou e quando a ambulância saiu, 20 minutos, meia hora depois, foi dito que nada mais podiam fazer pelo príncipe. No dia seguinte, nós ficamos sabendo que tratava-se do estorte de guarda-anjo.
- 18:30Nos anos 70, depois de receber a carta de Alex Polari descrevendo as torturas, Zuzu Angel mergulhou numa procura incansável pelo filho e carregou essa causa no seu trabalho como estilista. Fez desfiles e coleções com referência ao tema, virou uma importante defensora dos direitos humanos. Em abril de 76, entregou ao Chico Buarque um documento que dizia Se eu aparecer morta por acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho.
- 19:00Uma semana depois, o carro que ela dirigia na madrugada do dia 14 de abril derrapou na saída do túnel Dois Irmãos, em São Conrado, bateu na mureta e capotou Testemunhas afirmaram que o carro foi jogado para fora da pista após ser fechado por outro veículo Mais de 10 anos depois, a Comissão Especial dos Desaparecidos Políticos julgou o caso e concluiu que o acidente aconteceu por causas não naturais, responsabilizando o regime militar A Comissão Nacional da Verdade divulgou hoje uma foto que identificaria um militar
- 19:30na cena do acidente que matou a estilista Zuzu Angel, mãe de Stuart Angel, um dos desaparecidos da ditadura. A imagem mostra o coronel Fred Perdigão em frente ao carro acidentado em 1976. Em 2013, quase quatro décadas depois da morte de Zuzu, o sargento Abílio Corrêa de Souza, codinome Pascoal, foi apontado como o principal torturador de Stuart e o último a vê-lo
- 20:00ainda vivo na cela. O estudante recebeu o status de desaparecido político da ditadura no relatório final da Comissão da Verdade. Diante das circunstâncias do caso e das investigações realizadas, pode-se concluir que Stuart Edgar Angel Jones foi vítima de desaparecimento forçado em ação perpetrada por agentes do Estado brasileiro, em contexto de sistemáticas violações de direitos humanos promovidas pela ditadura militar implantada no país a partir de 1964.
- 20:30A impunidade é o maior combustível da barbárie. Aqui, de novo, o jornalista Mário Magalhães. Quando não se pune um crime, o que se faz é autorizar novos crimes da mesma natureza, porque quem vai cometê-lo sabe que não vai ser punido. Até hoje não foram punidos os assassinos e responsáveis pelo desaparecimento dos torturadores do deputado Rubens Paiva, do estudante guerrilheiro Stuart Angel.
- 21:00Ou seja, a história vai se repetindo. Ela se repete, sobretudo, primeiro, porque o Estado tenta sufocar aqueles que dizem não e que não aceitam a opressão do Estado. E a impunidade estimula a que esses crimes de lesa humanidade, muitos deles, venham a se repetir. Se a impunidade marca os crimes cometidos na época da ditadura,
- 21:30ela também se arrasta pela transição democrática e chega até os dias de hoje. De lá pra cá, o Brasil ganhou uma nova Constituição, eleições diretas e independência dos poderes. Mas essa democracia é pra quem? É pra todos? Com o inchaço populacional, principalmente nos grandes centros Vem o aumento dos índices de criminalidade A repressão avança A chamada guerra ao tráfico ganha força E as milícias surgem nas sombras
- 22:00E justamente no momento em que a Comissão da Verdade Tentava desvendar aqueles crimes ocorridos décadas antes A violência do Estado continuava agindo Agora com um recorte racial e social ainda mais demarcado Batendo de frente com a população negra e pobre A gente está em São Conrado
- 22:30No mesmo bairro carioca onde Jesus o Ângel perdeu o controle do carro em 76, lembra? Mas a data agora é 14 de julho de 2013 Depois de trabalhar a semana toda como ajudante de pedreiro Amarildo Dias de Souza sempre pegava as varas de bambu que ele mesmo fazia E ia pescar nas rochas de São Conrado Ele era filho de um pescador e de uma empregada doméstica.
- 23:00Nasceu e morou a vida inteira na Rocinha, a maior favela do país, na zona sul do Rio, cercada por prédios de classe média alta. O barraco de 20 metros quadrados era dividido com a esposa, Elizabeth Gomes, e os seis filhos. Naquele momento, várias favelas do Rio eram ocupadas pelas UPPs, as Unidades de Polícia Pacificadora. O programa da Secretaria de Segurança Pública era uma espécie de cartão de visitas da gestão do governador Sérgio Cabral Filho.
- 23:30Quatro anos depois, ele seria preso por corrupção e condenado a um total de mais de 400 anos de prisão. Mas naquele momento, no começo das UPPs, o governador ainda cantava vitória. É uma mudança cultural, um choque do bem tão bacana. Cada vez que eu vou inaugurar uma obra, uma conquista nessas comunidades, já há uma cobrança assim, quase que escancarada dos moradores, sem medo.
- 24:00E aí, Cabral, quando é que chega o PP aqui? Vai chegar. Vai chegar em Manguinhos, vai chegar no Alemão, vai chegar na Rocinha. Chegou na Rocinha no dia 20 de setembro de 2012. Foi a 28ª o PP. A Rocinha ganhou nesta quinta-feira a primeira unidade de polícia pacificadora, chamada UPP, permanente na cidade O dia foi de chuva, mas também de festa para a comunidade O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, aproveitou a oportunidade para fazer um discurso empolgado
- 24:30A polícia está aqui e vai permanecer aqui para sempre, garantindo a tranquilidade de todos os moradores da Rocinha A tranquilidade do Amarildo, como a gente sabe, não foi garantida Menos de um ano depois daquele discurso do governador Era um domingo O ajudante de pedreiro voltou pra Rocinha depois da pescaria Limpou os peixes na escadinha em frente ao barraco onde morava E saiu pra comprar limão e alho num bar ali perto, o Bar do Júlio Nem deu tempo de chegar no bar
- 25:00Naquele fim de semana, tava em curso na favela a Operação Paz Armada A polícia queria encontrar principalmente as armas do traficante Nen Que tinha sido preso dois anos antes Foram dezenas de prisões e quase nenhuma apreensão relevante No domingo, uma informante da polícia disse que tinha escutado dias antes O Amarildo dizendo que Fecha aspas Amarildo foi abordado antes de chegar no Bar do Júlio Foi colocado dentro de uma viatura e levado para o posto de controle na Rua 2
- 25:30As câmeras de segurança mostraram o momento em que ele sai do posto E entra de novo na viatura Um carro da polícia manobra e para em frente ao posto. Este foi o primeiro local para onde Amarildo teria sido levado depois de ser abordado para averiguação por policiais da UPP. Um grupo de PMs faz o patrulhamento em frente ao posto. No canto esquerdo do vídeo, uma mulher aparece sentada perto de um dos policiais.
- 26:00Essa mulher é a Elisabeth, a esposa do Amarildo. Quando ele sai do posto, ela corre até o carro. Foi a última vez que ela viu o marido. Isso foi aqui na rodanha. Essa é uma entrevista da Elisabeth à TV Globo, quase um mês depois. Foi na hora que meu marido falou, Beto, meu documento está na mão desse policial, o que abordou meu marido, entendeu? Pegaram meu documento, meu marido é com fome, tem chegado da pescaria, sem camisa, e pegaram meu marido, nem comeu nesse dia. Passou o dia todo na praia pescando.
- 26:30Aí abordaram meu marido, até agora, fazia um mês agora essa semana, meu marido apareceu. Mas fizeram muita covardia com muita gente. Só que todo mundo calou a boca e a gente começou a gritar. Mesmo sabendo que corria risco, a Elisabeth registrou o desaparecimento do marido na 15ª DP, na Gávea, e liderou protestos ao lado dos moradores da Rocinha. O Rio vivia o clima das jornadas de junho de 2013, e a pauta ganhou força nas manifestações, até em outras cidades.
- 27:00O major Edson Santos, comandante da UPP, disse que o Amarildo tinha sido liberado, que o desaparecimento dele era obra de traficantes. Para esconder as evidências, o major desligou câmeras da sede da unidade, desativou o GPS da viatura, armou testemunhos falsos e tentou ligar Marildo e Elizabeth ao tráfico. A investigação só avançou por causa da pressão popular e da atuação de figuras como o delegado Orlando Zacconi e o deputado Marcelo Freixo, que presidia a Comissão
- 27:30de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa. Por fim, foi revelado o que tinha acontecido. Sob as ordens do Major Edson e do Tenente Luiz Medeiros, a viatura levou o Amarildo até um pequeno depósito que ficava entre a encosta do morro e os containers que eram usados como sede da UPP. Ali aconteceu uma sessão de tortura de 40 minutos, com descarga elétrica, asfixia e afogamento. O ajudante de pedreiro não resistiu e morreu.
- 28:00Aos 47 anos, ele foi mais uma vítima da tortura, um mal que atravessa a história do Brasil como uma espécie de herança. Das ditaduras e da escravidão. Aqui, novamente, o Mário Magalhães. Um dos principais instrumentos de tortura da ditadura era o pau de arara. O pau de arara é um instrumento de tortura herdado da escravidão. E a questão racial encontra outro problema já apontado aqui pelo Mário, que é a impunidade. O fato de que muitos crimes de tortura das ditaduras brasileiras não foram punidos,
- 28:30seja no Estado Novo, nos anos 30 e 40, ou depois do golpe de 64. Deu no que? Deu na manutenção do que é uma prática corriqueira e generalizada nas delegacias do Brasil, que é a prática da tortura, sobretudo contra jovens, sobretudo contra negros, sobretudo contra pessoas pobres, moradoras de comunidades pobres do país inteiro. Quando a polícia militar chega a um bairro de classe média para cima, de média alta, um bairro de elite,
- 29:00Ela não sai atirando Quando a PM chega num bairro pobre Onde vivem pessoas pobres e miseráveis A PM atira E assim são mortas as crianças Estão em casa estudando Estão passando o trabalhador Ou seja, essas práticas De torturar, de atirar De matar E de expor os mais pobres A tiros e a outras práticas De extermínio Elas vêm da ditadura, mas elas vêm também da escravidão Ela vem de duas ditaduras do Brasil
- 29:30do século XX e vem da escravidão. Ou seja, há uma continuidade e um grande estímulo para isso, eu reitero, é a impunidade. Enquanto os violadores de direitos humanos não forem punidos, a tortura vai continuar a ocorrer, mortes vão continuar a acontecer e corpos vão continuar a sumir. Amarildo virou um símbolo de tantos assassinatos
- 30:00que continuam acontecendo em periferias do Brasil inteiro. O caso virou objeto de estudo de muitos pesquisadores. Entre eles, uma mulher criada no Complexo de Favelas da Maré, que cursou a pós-graduação em Administração Pública na Universidade Federal Fluminense, a UF, e escreveu uma dissertação com o título UPP, A Redução da Favela a Três Letras. Eu quero convidar você que está ouvindo para lembrar e honrar a história dessa mulher.
- 30:30Capítulo 3 – Quem Mandou Matar Marielle Obrigada. O mandato de uma mulher negra Favelada, periférica Precisa estar pautado Junto aos movimentos sociais Junto à sociedade civil organizada Junto a quem está fazendo para nos Fortalecer naquele local Onde a gente objetivamente não se reconhece
- 31:00Não se encontra Não se vê A negação é o que eles apresentam Como o nosso perfil Então ter a nossa casa Ter o nosso lugar, ter o nosso período ter o nosso lugar de resistência daí fazer esse evento Essa é a Marielle Franco na Casa das Pretas, no bairro da Lapa abrindo o evento Jovens Negras Movendo Estruturas no dia 14 de março de 2018 Ela está sentada
- 31:30numa cadeira ao lado de outras quatro mulheres negras, ativistas e empreendedoras Entre sorrisos e aplausos, elas vão falando enquanto a plateia vai bebendo água e se abanando como pode porque é uma noite de muito calor no Rio de Janeiro. O evento dura quase duas horas e Marielle vai mediando o debate. Chega a citar a filha, que estava sempre com ela, mas naquela vez não pôde ir.
- 32:00A Luiara não está aí hoje porque está com 18 e 20, mas a minha filha está com 19 anos. Elas eram pequenas. As nossas filhas eram pequenas. Mãe da Luiara, irmã da Aniele, filha da dona Marinette do Seu Antônio, companheira da Mônica. Marielle Franco era cria da Maré. Começou a trabalhar aos 11 anos como ambulante ao lado dos pais. Aos 18, virou educadora em uma creche e trabalhou também como dançarina. e, aos 21, perdeu uma amiga numa troca de tiros entre policiais e traficantes na favela.
- 32:30A partir daí, passou a militar pelos direitos humanos. Entrou para a Faculdade de Ciências Sociais, na PUC-Rio, com uma bolsa do programa Universidade para Todos, o ProUni. Depois, fez um mestrado em Administração Pública na UF, aquele da dissertação sobre a UPP. Marielle era uma estudiosa de segurança pública, denunciava casos de abuso policial e tinha uma postura crítica à intervenção federal na segurança do Rio. Um dia histórico, infelizmente, de dor, principalmente para quem é favelado e quem é favelado, quando...
- 33:00Essa é uma entrevista concedida à Ponte Jornalismo, menos de um mês antes daquele evento na Casa das Pretas. De supetão, na última sexta-feira, o presidente legítimo Michel Temer, não só pelas ameaças de retirada do direito à reforma da Previdência, por exemplo, via PEC, como também estabelece uma intervenção federal no estado do Rio de Janeiro. Naquela altura, Marielle falava de segurança pública com muito conhecimento de causa. O envolvimento com a política começou em 2006, quando ela se tornou assessora do deputado estadual Marcelo Freixo.
- 33:30Como servidora da Assembleia Legislativa, ela coordenou a CPI das milícias. Ajudava a denunciar a violência policial, mas também dava assistência às famílias dos policiais mortos em confrontos. O maior passo veio em 2016, quando se lançou candidata a vereadora pelo PSOL. Eu sou Marielle Franco. Mulher, negra, mãe da favela. Eu sou porque nós somos.
- 34:00Resultado? Recebeu 46.502 votos. A quinta maior votação entre todos os candidatos do Rio e a segunda mulher mais votada nas câmaras do Brasil inteiro. No dia 1º de janeiro de 2017, ela estava pronta para tomar posse no Palácio Pedro Ernesto. Estou aqui com a vereadora Marielle Franco, que está na sua primeira legislatura
- 34:30Marielle, primeira vez como vereadora, quais são as expectativas? Gabi, acho que muitas O tamanho das expectativas, acho que para além do eleitorado As pessoas vão descobrindo o trabalho e só vai crescendo a expectativa de 2017 Marielle implantou um mandato coletivo E todas as decisões eram tomadas em conjunto com as assessoras e as funcionárias do gabinete Sempre em diálogo com vários setores da sociedade Ela levou para a Câmara
- 35:00Pautas sociais, raciais e de gênero Não só apresentava projetos Como fazia discursos contundentes Na tribuna, sem se intimidar Com os frequentes ataques machistas A minha palavra é a palavra de mulher Mas vale, não é só a palavra de homem que vale não E outra coisa Vale mais inclusive do que Meia dúzia aqui que desce falando gracinha No elevador para assessoria Com relação a questões do PL da visibilidade lésbica ontem. Então eu estou dispondo os microfones, claro
- 35:30que com a anuência da presidência, que cada um se inscreva para falar no microfone, nem fazer piada no elevador e nem muito menos achar que a palavra que vai valer aqui é só a palavra de homem, que a palavra de mulher aqui vai valer também. Uma vereadora atuante, com princípios muito definidos, que incomodava os donos do poder, inclusive os donos do poder paralelo, como milicianos. Era esse cenário naquele 14 de março de 2018 na Casa das Pretas. E acho que esse é um momento, um ano
- 36:00para reflexão, para pensar os nossos movimentos e a nossa ocupação nos espaços. A gente está com um movimento de mais mulheres na política, mais mulheres no poder, mais mulheres nos espaços de decisão, porque só assim a gente vai ter a política pública qualificada. Marielle saiu dali aplaudida. Gente, muito obrigada. avante, vamos mover muitas estruturas de sair daqui com o corpo com o coração e com a mente
- 36:30fortalecida para as batalhas que virão por volta das nove da noite Marielle se despediu e saiu junto com a Fernanda Chaves assessora, amiga, vizinha e confidente ela entrou no carro branco onde estava o Anderson Gomes que ela tinha contratado para trabalhar como motorista durante aquele mês Marielle sempre ia na frente com o Anderson mas naquela noite ela foi no banco de trás com a Fernanda. As duas conversavam sobre o futuro político da vereadora.
- 37:00Ela queria terminar o mandato, mas tinha a possibilidade de sair como candidata a deputada estadual ou até vice-governadora nas eleições de 2018. No meio do caminho entre a Lapa e a Tijuca, no bairro do Estácio, um outro carro emparelha pelo lado direito. Um homem, baixo vidro traseiro e, com uma pistola automática 9mm, faz 13 disparos.
- 37:30Marielle, que estava perto da porta no lado direito do carro, é atingida quatro vezes na cabeça. Anderson, ao volante, leva três tiros nas costas. Os dois morrem na hora. Fernanda é ferida por estilhaços, mas sobrevive ao atentado. O local do crime não tinha nenhuma câmera de segurança. Já era tarde da noite quando a notícia chocou o país.
- 38:00A vereadora Marielle Franco do PSOL foi assassinada a tiros agora à noite no centro do Rio de Janeiro Ela estava num carro, o motorista também morreu E esse carro foi cercado pelos criminosos e atingido por uma sequência de disparos Marielle tinha 38 anos e Anderson tinha 39 O motorista deixou a esposa, Agatha Reis, e o filho Arthur, que na época tinha um ano e dez meses
- 38:30No dia seguinte, o velório levou milhares de pessoas ao centro do Rio As manifestações se espalharam pelo país e as perguntas ganharam força. Quem matou Marielle Franco? Quem matou Anderson Gomes? Esse é o Heraldo Pereira, no Jornal das 10 da Globo News. Essa execução covarde, brutal, intolerável, em vez de calar, levou hoje às ruas do Brasil numa comoção poucas vezes vista milhares de pessoas. E elas se fizeram presentes.
- 39:00Foi sob aplausos de uma multidão que os caixões com os corpos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Pedro Gomes chegaram à Câmara dos Vereadores do Rio Na escadaria, homenagens à mulher que representava diferentes vozes A investigação percorreu um caminho de muitas perguntas e poucas respostas
- 39:30com troca de delegado, pressão para federalizar o caso e suspeitas de intervenção externa nos rumos da apuração Quase um ano depois, o ex-sargento do BOP, Rony Lessa, que chefiava uma milícia na Zona Oeste do Rio Foi indiciado como autor dos disparos Também foi preso e indiciado o ex-PM, Elcio Queiroz, que dirigia o carro Mas quem mandou matar Marielle é uma pergunta que continua sem resposta E como disse o Mário Magalhães sobre os casos do Rubens Paiva, do Stuart Angel e do Amarildo
- 40:00Aqui também se trata de uma vitória da impunidade Quatro vidas silenciadas no Rio de Janeiro Quatro crimes com vários pontos em comum. Em primeiro lugar, eles foram cometidos por agentes do Estado ou por pessoas com vínculos com o Estado. No caso do Rubens Paiva e do Stuart, os autores foram militares, integrantes das Forças Armadas, mais precisamente da Força Aérea. O Amarildo foi assassinado por policiais militares e a Marielle Franco foi morta por ex-integrantes
- 40:30da Polícia Militar do Rio de Janeiro e, muito provavelmente, os mandantes têm vínculos com o Estado de alguma maneira, porque as milícias caracterizam justamente pelo profundo vínculo que elas têm com o aparato de Estado, mesmo que isso não seja legalizado. E tem um outro ponto que une essas quatro pessoas. Elas representavam um lado mais fraco. Elas defendiam, tendo ou não origem nas comunidades mais pobres, elas defendiam as
- 41:00pessoas mais pobres, e elas defendiam pessoas mais pobres contra o poder do Estado, seja numa ditadura como a que vigorou de 64 a 85, seja no Estado, mantendo práticas dos tempos da ditadura. Nós temos um outro aspecto que chama a atenção. Três são, entre aspas, desaparecidas, reiterando que as famílias não tiveram o direito de enterrar essas pessoas. Elas foram sumidas. Dessas quatro pessoas, três foram torturadas, e Nunca a tortura, com ditadura ou sem ditadura,
- 41:30foi aceita pela legislação brasileira ou nos costumes da civilização. Nós temos as quatro, duas pessoas que cresceram em comunidade, moraram em comunidade. A Marilda ainda morava, a Marilda na Rocinha, a Marielle na Maré. Dos quatro, dois são negros, a Marielle e a Marilda. Ou seja, há muitas coisas em comum nesses quatro crimes.
- 42:00Por isso a gente juntou essas quatro histórias aqui na abertura da temporada. Eu sei que são memórias doídas, mas eu espero que o episódio tenha feito você refletir sobre o que sempre aconteceu e continua acontecendo no nosso país. Eu agradeço demais ao Mário Magalhães, que ajudou a gente nessa jornada. E, se você ainda não leu, recomendo que procure o livro do Mário sobre o ano de 2018. O título é Sobre Lutas e Lágrimas. Além, claro, da biografia Marighella, o guerrilheiro que incendiou o mundo.
- 42:30Conta pra gente o que você achou da estreia dessa temporada Nosso Instagram é E no site Você pode navegar Pela Galeria Rio Desaparecido A partir da próxima semana Você vai conhecer aqui no podcast Lugares do Rio que não existem mais A gente vai te levar pro Morro do Castelo
- 43:00Pro Palácio Monroe Pros cinemas de rua Acho que você vai curtir essa viagem Esse podcast é uma produção da Escuta Aqui Com coordenação do Rodrigo Alves Que também faz as locuções adicionais E escreve os roteiros A supervisão de roteiro é do Thales Ramos A Jamile Boulay é a nossa produtora E foi ela que entrevistou o Mário Magalhães A pesquisa é do Danilo Marques E do Davi Arueira
- 43:30Do projeto República da UFMG A Clara Costa faz a montagem A edição e a sonorização E a trilha sonora original Incluindo essa música que você está ouvindo agora É do Gabriel Falcão Nesse episódio você ouviu áudios de TV Globo, Globo News Rio TV Câmara, Rádio Nacional, Ponte Jornalismo, o canal da Karina Comete e o canal Comissão Nacional da Verdade no YouTube.
- 44:00Eu sou a Gabriela Montoni, historiadora e apresentadora do Rio Memórias. A gente se encontra de novo na próxima semana, combinado? Um beijo e até lá! O Rio Memórias é patrocinado pelo Ministério do Turismo, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura, pelas empresas Norsul e Casnar Leonardos por meio da Lei de Incentivo à Cultura e pelo banco BTG Pactual, Adam Capital e Concremate por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, Lei do ISS.
- 44:30Obrigado e até o próximo episódio.
Disponível em
Todos os episódios
- 01Marielle, Amarildo, Stuart e Rubens: presentes!Duração 44:44
Na estreia da 2ª temporada, o Rio Memórias conecta quatro trajetórias que foram interrompidas no Rio de Janeiro e viraram símbolos de resistência: Marielle Franco, Amarildo de Souza, Stuart Angel e Rubens Paiva. Entrevistado neste episódio: Mário Magalhães.
- 02Morro do CasteloDuração 38:50
Um símbolo da fundação do Rio de Janeiro literalmente caiu por terra no início do século 20 e sumiu do mapa. A história do Morro do Castelo, contada com a ajuda de um depoimento histórico de dois moradores. Entrevistado neste episódio: Alberto Mussa.
- 03Cinemas de RuaDuração 32:52
Ao longo de um século, o Rio de Janeiro viveu uma história feita de salas deslumbrantes, telas enormes, pipocas saborosas e filmes que marcaram as nossas vidas: a magia dos cinemas de rua.
- 04Palácio MonroeDuração 36:04
A incrível história do Palácio Monroe, uma construção majestosa que viajou de um país para outro, se instalou no Centro do Rio, foi sede do Senado e sumiu deixando para trás uma praça vazia com um chafariz sem água. Entrevistado neste episódio: Eduardo Ades.
- 05Rádios que se foramDuração 38:34
No ano que marca o centenário do rádio no Brasil, uma viagem por emissoras que deixaram saudade: a magia das radionovelas, o poder dos noticiários, o fanatismo pelas grandes cantoras e a força das transmissões esportivas. Entrevistado neste episódio: Edson Mauro.
- 06Cais do ValongoDuração 37:25
No encerramento da 2ª temporada, a história do Cais do Valongo, maior ponto de entrada de africanos escravizados nas Américas, e as seguidas tentativas de apagamento dessa memória. Entrevistada neste episódio: Eliana Alves Cruz.