Podcast

Rio de Conflitos

Podcast

Rio de Conflitos

Episódio 04

Revolta da Chibata

0:00faltam 42 min42:26

Transcrição

Oi, tudo bem? Pode chegar, já ajeita aí o volume.

  1. 0:00Oi, tudo bem? Pode chegar, já ajeita aí o volume. Se puder ouvir com fone, melhor, para pegar os detalhes. Mas se não der, não tem problema. Vai se preparando aí que daqui a pouquinho a gente vai embarcar num conflito histórico do início do século XX no Rio de Janeiro, em plena Baía de Guanabara. Eu tô só esperando um contato aqui da nossa repórter e produtora, a Jamile Boulay, Porque ela tava indo exatamente pra lá, pro lugar onde tudo aconteceu.
  2. 0:30Ou é ela? Oi, Jamile, tudo bom? Fala, Gabi. Tudo tranquilo, e você? Tudo certo. Você tá onde? Eu tô aqui no aterro do Flamengo. Mas você tá em que ponto, exatamente? Eu tô aqui perto das quadras de basquete, sabe? Boa! Então é aí mesmo. Só olha aí pra água e conta pra gente o que você tá vendo. Ah, eu tô vendo a Baía de Guanabara, dá pra ver o Pão de Açúcar, Tem bondinho indo de um lado pro outro
  3. 1:00Tem os barquinhos na água E tem algumas pessoas jogando futebolha na areia Não devia ter tanta gente A gente tá ainda na mesma pandemia Mas enfim Também tem umas pessoas andando de bicicleta pela orla Beleza, maravilha Agora tenta imaginar o seguinte Em novembro de 1910 Bem nessas águas aí que você tá vendo agora Tinham quatro navios de guerra Incluindo dois encoraçados gigantes E esses navios foram tomados por um motim dos marinheiros que queriam condições mais dignas de trabalho
  4. 1:30Os encuraçados tinham vários canhões enormes e estava tudo apontado para a cidade, bem aí onde você está Ah, que ótimo! Estou numa situação super confortável, né? Navio de guerra na Baía de Guanabara é demais Agora conta logo essa história aí que eu já estou curiosa Deixa comigo, Jamile Obrigada e se cuida aí Valeu, Gabi! Um beijo! Eu sou a Gabriela Montoni e esse é o quarto dos seis episódios do podcast Rio Memórias.
  5. 2:00A gente visita momentos que mudaram a história da cidade, baseados na Galeria Rio de Conflitos, que faz parte do nosso museu virtual no site riomemórias.com.br. Se você está chegando agora e ainda não ouviu os episódios anteriores, tudo bem, fica à vontade. A gente já passou pela revolta da vacina, pela conjuração carioca e pelos protestos do transporte público. Mas não precisa ouvir na ordem certinha não, pode montar sua viagem aí do jeito que você preferir.
  6. 2:30Agora se ajeita aí que hoje eu vou te levar para o centro da ação na Revolta da Chibata, liderada pelo João Cândido, o Almirante Negro. Ele não era almirante na patente, mas teve a grandeza de liderar um motim histórico dentro de um navio gigante com a artilharia apontada para o Rio de Janeiro.
  7. 3:00E olha, os marinheiros até tentaram na base do diálogo. Ah, esse é o Álvaro Pereira do Nascimento. Procuraram autoridade, procuraram o senador Rui Barbosa, procuraram o presidente, procuraram o Nilo Peçanha, na época, no presidente. O Álvaro é professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, doutor em História pela Unicamp e autor dos livros Cidadania, Cor e Disciplina na Revolta dos Marinheiros, em 1910,
  8. 3:30e João Cândido, o mestre sala dos mares. É ele que vai ajudar a gente a entender esse movimento dos marinheiros que queriam ser ouvidos, mas ninguém queria ouvir. Ah, vocês não querem ouvir? Então tá legal, a gente vai aumentar o volume. Agora se preparem, que o bagulho vai ser alto. Pra contar essa história, eu vou levar o Álvaro pra dentro da Baía de Guanabara.
  9. 4:00E eu convido você pra vir com a gente. É ali pertinho de onde a Jamile tava, só que em 1910. A gente vai se concentrar em quatro navios de guerra que estavam por ali, um cruzador e três encoraçados. O cruzador era o Bahia, Bahia com H porque muitos navios tinham nomes de estados brasileiros. Ele media 122 metros de comprimento e se deslocava a 46 km por hora. Os encoraçados, você sabe por que eles tinham esse nome?
  10. 4:30É que o casco era revestido com uma couraça de metal que protegia contra os tiros de canhão. Ali eram três encoraçados. Um era o Deodoro, que não tinha nome de estado, mas tinha o nome do primeiro presidente da república. Era um navio de patrulha, menor, mais antigo e mais lento. Os outros dois, aí sim, eram o grande orgulho da Marinha Brasileira. O São Paulo e o Minas Gerais. Dois gigantes de 165 metros construídos na Inglaterra
  11. 5:00que tinham acabado de chegar ao rio para reforçar a frota. Tá ouvindo aí o som? É dentro do Minas Gerais que a gente está agora. Você precisava ver a euforia quando esse navio entrou pela primeira vez na Guanabara. Em 18 de abril, às 10 da manhã, o Minas Gerais chegou ao Rio.
  12. 5:30Aplausos eufóricos, salva de canhões, era esse o clima. Ouve só como o jornal O País retratou esse momento de arrobo patriótico. A chegada do Minas Gerais, eis o grande acontecimento que faz palpitar numa vibrante emoção patriótica toda a alma nacional
  13. 6:00Foi o Brasil inteiro que saudou no vulto agigantado do colosso dos mares sul-americanos O símbolo soberano da sua própria pujança, a expressão concreta da sua energia de nação Os brasileiros saudavam no vulto de aço do Minas Gerais o Brasil novo, opulento e poderoso que vai na sua rota do progresso e civilização com a mesma galhardia com que o navio entrou nas águas espelhantes da Guanabara.
  14. 6:30Depois daquela estreia triunfal, o Minas Gerais está envolvido em outro evento patriótico, dessa vez ao lado de embarcações de vários países que vieram para saudar a posse do novo presidente do Brasil. Como Álvaro disse ainda há pouco, o Nilo Peçanha era o presidente até o dia 15 de novembro de 1910. Aí assume o Marechal Hermes da Fonseca, que derrotou na eleição o favorito Rui Barbosa. Estava agitado o Palácio do Catete, que ficava ali pertinho do mar, já que ainda não tinha o Aterro do Flamengo.
  15. 7:00O Rio de Janeiro se orgulhava das reformas do prefeito Pereira Passos e das políticas sanitárias do Oswaldo Cruz. Se você ouviu o nosso primeiro episódio, você lembra como foi. Para as elites, estava tudo lindo. As epidemias estavam indo embora, não tinha mais febre amarela, a vacina contra a varíola tinha funcionado. E a burguesia estava se achando, com a novíssima Avenida Central cheia de pompa. Aqueles homens de chapéu, colete, bengala e luvas.
  16. 7:30As mulheres com vestidos de seda e perfume francês. Era o Rio vivendo seus dias de Paris, a sua Belle Époque. Só que a capital federal, desde aquela época, já era uma cidade partida. Com a demolição violenta e arbitrária dos cortiços, muita gente passou a viver em condições precárias. E esse contexto, que tinha relação direta com os marinheiros, não era só social. Era racial também.
  17. 8:00Algo que é fundamental na sociedade brasileira é nós entendermos que não existe só uma divisão de classe, mas é de raça. Em todas as sociedades que viveram e tiveram a experiência da escravidão moderna, com a utilização de mão de obra negra escrava trazida, proveniente da África, de onde eles foram sequestrados e sequestradas. É difícil falar somente em classe. Não dá para falar. Não há como falar somente em classe. Mais ainda, eu entendo que a questão racial
  18. 8:30vem antes do que a questão da classe, porque a pessoa negra pode estar vestindo a melhor roupa, ela não vai ser entendida como de uma classe acima da pessoa que tem um preconceito dela a ver. Esse cenário é muito importante para a gente entender a situação dos marinheiros que estavam dentro dos navios. Sobre os marinheiros, que eles já identificavam classe e raça desses indivíduos,
  19. 9:00mas também havia sobre os marinheiros uma visão muito negativa, no sentido de que eles eram muito metidos em arruaças, em brigas, em confusões. Algo muito próprio de pessoas, para a época pelo menos, de pessoas que foram servir à Marinha forçadamente, não foram voluntariamente, e foram desterradas dos seus lugares de nascimento.
  20. 9:30Muitas vezes aqui no Rio de Janeiro tinha baiano, gaúcho, mato-grossense, amazonense, sabe assim, que estava aqui totalmente distante dos seus familiares. Ganhavam salários muito ruins e sem nenhuma orientação de como viver na capital federal da república. Então havia um olhar negativo em relação aos banheiros, de um modo geral. Dentro dos navios, como se não bastassem as condições de trabalho péssimas dos marujos, com alimentação péssima, locais inadequados para dormir,
  21. 10:00ainda tinha a prática da punição com castigos físicos. Teve um decreto publicado em 1890 pelo Marechal Deodoro, o mesmo que dava nome a um dos encoraçados, lembra? O último artigo do decreto estabelecia as punições para os atos de má conduta e indisciplina. Para faltas leves, prisão e ferro na solitária a pão e água por três dias. Faltas leves repetidas, idem-idem por seis dias. Faltas graves, 25 chibatadas.
  22. 10:30Aqui, a gente não pode perder de vista que a escravidão tinha sido oficialmente abolida no Brasil 22 anos antes da Revolta da Chibata, em 1888. E logo depois veio esse decreto do Marechal Deodoro. Então eu chamo de volta aqui o Álvaro para perguntar se a gente pode entender esses castigos físicos nos navios como uma herança direta da escravidão. Eu vou dizer também pode.
  23. 11:00E por que eu estou falando também pode? Porque o castigo de corporais eram muito comuns nas marinhas, do mundo todo, na inglesa, russa, enfim. Não é à toa que você tem a história do encuraçado Potemkin, uma revolta que ocorre na Rússia ainda, quizarista, em 1905, e uma das questões era o castigo corporal praticado dos marinheiros. A revolta no navio russo rendeu, em 1925, o filme O Encuraçado Potemkin,
  24. 11:30Um clássico dirigido por Sergei Einstein, um dos maiores cineastas soviéticos. Nem adianta eu mostrar um trechinho aqui pra você, porque é um filme mudo, né? Então só tem a música. Mas se você já assistiu, você vai lembrar dessa trilha sonora na famosa cena do massacre na escadaria, quando os soldados abrem fogo contra a multidão que vai descendo os degraus. Mas o cenário na Rússia era um e no Brasil era outro. Por mais que os castigos físicos fossem comuns em vários países,
  25. 12:00Aqui, a gente tinha a bagagem de mais de três séculos de escravidão. Então, o peso da chibata tinha outro significado. E os próprios marinheiros sabiam disso. Eles diziam, não queremos que a marinha seja uma fazenda de escravos. Eles utilizam essa definição. Quem escreve isso, inclusive, é um jovem marinheiro cearense chamado Francisco Dias Martins.
  26. 12:30Que se autodenominava Mão Negra e foi um dos líderes da revolta. Poucos meses antes, em junho, ele estava no cruzador Bahia, a caminho do Chile, que comemorava 100 anos de independência. O clima a bordo estava tenso. Muitos castigos físicos. Depois de uma sessão de chibatadas em alguns marujos, o Francisco Dias Martins escreve uma carta e coloca embaixo da porta do comandante. Venho por meio destas linhas pedir para não maltratar a guarnição deste navio que tanto se esforça para trazê-lo limpo.
  27. 13:00Aqui ninguém é salteador nem ladrão. Desejamos paz e amor. Ninguém é escravo de oficiais. E chega de chibata. Cuidado. E pela primeira vez ele assinou Mão Negra. Ali já dava para ver o nível de consciência de marinheiros como Francisco Dias Martins e João Cândido. Até porque essas viagens permitiam que eles conhecessem a realidade em outros países
  28. 13:30Essa conscientização começa a ganhar corpo em 1906 Quando eles estavam numa missão internacional lá na terra do Potemkin E eles passam perto da Rússia E aí chega lá e vê algo esquisito Um movimento de marinheiros juntos com moradores locais e a repressão sobre eles, e é uma luta por melhores condições de trabalho. Então, essa conscientização já parte lá de trás, de 1906.
  29. 14:00Depois vem um segundo ponto muito importante, uma viagem para a Inglaterra justamente para visitar os estaleiros onde foram construídos o Minas Gerais e o São Paulo. Os marinheiros ficaram lá tendo curso de como usar os equipamentos, que eram muito modernos para a época, inclusive, E eles ficam semanas, meses ou até anos lá nessa região, na cidade de Newcastle, na Inglaterra, nos estaleiros Armstrong.
  30. 14:30Lá na Inglaterra, o João Cândido entra em contato com movimentos que ele nunca tinha visto, como uma greve dos marinheiros, por exemplo. Ele está vendo mobilização das pessoas, ele está vendo que os marinheiros ingleses já não são maltratados como anteriormente. É com essa bagagem que começa o planejamento do motim no Rio de Janeiro. Mas essa ideia foi amadurecendo com muita antecedência. A revolta da Chibata não surgiu de uma hora para outra. Só em reuniões foram dois anos.
  31. 15:00Quando estoura, existe uma carta já pronta há dias para ser enviada para o presidente. Os caras iam fazer a revolta no dia 15 de novembro de 1910, o dia da posse do presidente Hervé da Fonseca. Existe algo mais bem organizado do que isso? E a revolta só não rolou no dia 15, porque muitos marinheiros receberam autorização para desembarcar e ir até a cerimônia da posse. Então, a classe estava desmobilizada naqueles dias.
  32. 15:30Além disso, tinha a parada militar e o desfile naval. E, do nada, começou a chover. Segundo João Pedro, choveu, aí pessoas que tinham que vir, a coisa desandou. Falei assim, se a gente entrar com uma revolta agora, a gente vai perder. aguenta um pouco, os caras são militares estrategistas será furada fazer isso, a gente vai ter que entrar pra ganhar, hoje a gente vai perder vamos aguentar mais um pouco mais sete dias, o que aconteceu?
  33. 16:00O que aconteceu? Entrou em cena um marujo chamado Marcelino Rodrigues Menezes veio o Marcelino do marinheiro, chegou embriagado ameaçou um cabo com a canivete entraram em brigas e ele tomou 250 de batalha A punição ao Marcelino não foi o único motivo da revolta da chibata, ela ia acontecer de qualquer jeito. Mas, pensa bem, os marinheiros já estavam decididos a se amotinar, tudo combinado,
  34. 16:30aí, no meio daquele clima tenso, na madrugada do dia 16 de novembro, a tripulação do Minas Gerais é chamada para o convés. E ali, todo mundo é obrigado a assistir à cena do marinheiro levando 250 chibatadas. A cerimônia teve a leitura de uma proclamação pelo comandante e o som alto dos tambores sufocava os gritos Marcelino foi levado dali direto para a prisão do navio
  35. 17:00sem direito a tratamento médico para aliviar os ferimentos nas costas Aquilo era um estopim forte demais E a revolta estourou menos de uma semana depois Na noite de 22 de novembro, uma terça-feira João Cândido estava na torre do Minas Gerais vestindo seu uniforme desgastado um gorro de pano, rotina em um dos pés, chinelo no outro e o inseparável lenço vermelho de seda no pescoço. O combinado é que ele tocaria a corneta das 10 horas
  36. 17:30e daria um tiro de canhão para avisar os outros navios. Mas antes disso, a gente precisa fazer uma pausa para entender melhor quem foi o Almirante Negro. Foi numa fazenda chamada Coxilha Bonita, onde hoje é a cidade gaúcha de Encruzilhada do Sul, que João Cândido nasceu no dia 24 de junho de 1880. Os pais eram os ex-escravizados João Felisberto e Inácia Cândido Felisberto.
  37. 18:00A carreira militar começou cedo. Com 13 anos, o menino João se apresentou na Companhia de Artífices Militares e Menores Aprendizes no Arsenal de Guerra de Porto Alegre. Um ano depois, ele foi transferido para a Escola de Aprendizes de Marinheiros e, em 1895, foi para o Rio de Janeiro como grumete, uma espécie de estagiário nas embarcações. Ou seja, na época da Revolta da Chibata,
  38. 18:30João Cândido já era um amigo do mar há mais de 15 anos. Você não tem queixas do mar? Não, o mar é meu amigo. E aqui a gente está diante de algo raro. Nas nossas viagens aqui no podcast, você já ouviu muitas cenas que recriam os sons da época, né? No caso do João Cândido, não precisa recriar. A gente pode ouvir a voz dele de verdade. Porque no dia 29 de março de 1968, ali pela hora do almoço, o Almirante Negro chegou à Praça Marechal Âncora,
  39. 19:00nas margens da Baía de Guanabara, que ele conhecia tão bem. E aos 88 anos, ele se sentou no estúdio do Museu da Imagem e do Som e deu um longo depoimento aos historiadores Hélio Silva e Ricardo Cravo Albim. O que a gente tem nesses áudios é o próprio João Cândido explicando a revolta da chibata e as suas motivações.
  40. 19:30Foi com essa convicção que João Cândido liderou, em 1910, o motim que tomou quatro navios de guerra. Ali ele reunia tanto conhecimento técnico sobre as embarcações, como um prestígio perante os outros marinheiros.
  41. 20:00Eu dispunha de todos os poderes, como dispus dentro da revota de todos os poderes do Brasil. Parei o Brasil. Durante seis dias parei o Brasil. Agora você se prepara, porque a gente vai atravessar esses dias. Começando naquela noite de 22 de novembro, quando João Cândido estava na Torre do Minas Gerais, pronto para desencadear a revolta. Naquele exato momento, o presidente recém-eleito, Marechal Hermes da Fonseca,
  42. 20:30estava numa festa no Clube da Tijuca. Ali, pelas 10 da noite, os convidados apreciavam a ópera Tannhauser, do compositor alemão Richard Wagner. Foi aí que, de repente, às 10h50, o estrondo de um tiro de canhão sacudiu o Rio de Janeiro
  43. 21:00O disparo tinha saído do Minas Gerais, era o sinal combinado para chamar os outros navios O motim começou também no Bahia, no São Paulo e no Deodoro Oficiais reagiram e lutaram com os marujos O comandante do Minas Gerais, João Batista das Neves, lutou por cerca de 10 minutos com a espada em punho mas caiu ferido de morte por golpes de baioneta.
  44. 21:30No Bahia, foi morto o primeiro-tenente, Mário Alves de Souza, o único oficial que estava no navio naquele momento. No São Paulo, a maior parte dos oficiais se rendeu de forma pacífica. O Deodoro, a princípio, ficou em silêncio e não respondeu o tiro de alerta, mas depois também foi dominado. João Cândido ordenou que os holofotes iluminassem as praias e enviou uma mensagem de rádio para o Palácio do Catete. Não queremos a volta da chibata. Isso pedimos ao presidente da república e ao ministro da marinha.
  45. 22:00Queremos resposta já e já. Caso não tenhamos, bombardearemos a cidade e os navios que não se revoltarem. Assinado Guarnições, Minas, São Paulo e Bahia. A primeira resposta do ministro contra o almirante Joaquim Marques Batista de Leão foi meio vaga, sem dizer se ia atender às reivindicações. O ministro da Marinha, em nome do presidente da República, declara que reclamações, quando justas e baseadas na lei,
  46. 22:30só podem ser atendidas quando feitas com subordinação e respeito aos poderes constituídos. Vamos chamar o Álvaro para contar para a gente como foram aqueles dias. Foram dias de ameaças e negociação. Os caras estavam com as armas mais poderosas do mundo nas mãos. pra uma cidade que é o Rio de Janeiro que é a Litorânea agora todo mundo passa ali pelo Aterro do Flamengo passa pelo Sena Cidade e vê o Aterro do Flamengo mas se você passa assim aos seus 10
  47. 23:00na Cinelândia você estava a 50 metros do mar e o que que tinha na Cinelândia? você tinha o Senado Federal navega mais um cadinho pouquinho só você tá de cara pro Palácio do Catete que não tem Aterro do Flamengo É pertinho, entendeu? Vocês têm 48 horas para que nossas reivindicações sejam resolvidas, senão a gente vai bombardear a cidade toda.
  48. 23:30Mas ao longo de quatro dias, o que se viu foi muita troca de cartas e proclamações entre os rebeldes e o governo. Enquanto a negociação rolava, os navios circulavam pela Bahia durante o dia, sempre prontos para disparar, e quando chegava a noite, eles se afastavam para o alto mar. Por quê? Eles temiam o quê? Qualquer possibilidade de contra-ataque. Tinha os loucos, os oficiais do exército. Não, nós temos que lutar contra eles. Nós não podemos deixar assim. Gente, sabe aquela coisa que fala assim?
  49. 24:00Bicho, tu viajou, cara. Viajou, entendeu? Era uma mortandade tremenda. Porque além de canhões, tinha armamento tranquilo para arrebentar o que quisesse no Rio de Janeiro. Você imagina, era como se hoje tivesse um navio movido a energia nuclear, com bomba nuclear, aí tu fala que tu vai botar os canhões na beira da... Ah, cara, tá bom, isso é piada, isso é piada.
  50. 24:30Os caras não foram à toa, os caras meteram tiros contra a cidade do Rio de Janeiro. Morreram duas crianças, a mãe, inclusive, um projétil caiu na casa de uma família. A tragédia, uma grande tragédia. O governo até tinha uma frota nova de destroyers, mas para enfrentar os encoraçados era preciso equipar esses navios com explosivos que estavam armazenados em Niterói.
  51. 25:00E não dava para ir lá buscar porque a Bahia estava tomada. O combate também não era a intenção dos marinheiros. Eles estavam de prontidão, esperando a resposta das autoridades. Em alguns momentos mais tensos, umas granadas atingiram a cidade sem grande destruição. E aí teve esse disparo, que era para ser contra o arsenal da Marinha, mas acabou atingindo uma casa na Rua da Misericórdia e matou duas crianças. João Cândido ficou arrasado.
  52. 25:30No depoimento ao Museu da Imagem e do Som, ele fala rapidamente sobre essa intenção de preservar as vidas. Quer ouvir? Sempre foi contra as violências. Assumia o comando da Revolução com as condições tais. E poupar vida. Poupar vida. Porque o Rio de Janeiro, para mim, é minha cidade-madre. Cheguei aqui com 15 anos, estou com 88.
  53. 26:00É claro que o clima de conflito causou alvoroço na cidade. Mais de 3 mil pessoas subiram a serra em direção a Petrópolis. Muitas famílias da Zona Sul fugiram para o subúrbio. A Avenida Central virou uma bagunça. E a revolta não repercutiu só no Rio de Janeiro, virou assunto internacional. Eles não sabiam, mas eles já tinham sido capa do New York Times. A revolta da chibata é um negócio que chama a atenção do mundo todo. Então, como não dava para o governo reagir na bala, o debate migrou para dentro dos corredores da política.
  54. 26:30O Rui Barbosa vai propor o seguinte, olha, a gente vai dar anistia para eles. Eles entregam as armas, volta a normalidade e a gente acerta essa situação que eles estão pedindo aos poucos. E isso foi levado para os marinheiros. E para os marinheiros, vamos falar a verdade, o valor não foi o que eles queriam, mas crime de revolta entre os militares. Homicídio, que eles mataram oficiais e o comandante do navio. E em subordinação, só isso aí já está pena de morte.
  55. 27:00Então a anistia soava como uma boa saída. A votação na Câmara foi em regime de urgência. Anistia aprovada por 125 votos a favor e 23 contra Decreto publicado no dia 25 de novembro E o fim do castigo corporal não chegou a ser assinado como lei Mas também houve um acordo para suspender essas punições E a partir daí eles entregaram as armas Saíram dos navios, entregaram os navios No sábado, dia 26, o São Paulo e o Bahia entraram na Guanabara de manhã cedo
  56. 27:30À uma da tarde chegaram o Minas Gerais e o Deodoro As bandeiras vermelhas que simbolizavam o motim foram arriadas, fizeram homenagens aos mortos e o capitão de mar e guerra, João Pereira Leite, foi recebido no Minas Gerais por João Cândido com um aperto de mão. Ele leu o decreto da anistia e ali os marinheiros encerraram a revolta, na esperança de que os outros pedidos seriam negociados mais adiante.
  57. 28:00Era tudo uma grande ilusão. Eles entregaram as armas e deixaram a coisa voltar. e aí eles não sabiam que os futuros dias deles seriam os piores da vida deles. Passou o fim de semana e logo na segunda-feira veio um decreto autorizando a exclusão de qualquer marinheiro considerado dispensável ou inconveniente em relação à disciplina. Na teoria, não tinha nada a ver com a revolta.
  58. 28:30Na prática, não tinha anistia nenhuma. Vários marujos foram presos e começaram a lotar as celas do presídio da Ilha das Cobras dentro da Baía de Guanabara. Outros foram deportados e desapareceram, nunca mais voltaram. João Cândido continuava a bordo do Minas Gerais, porque de início os líderes da revolta não foram excluídos da Marinha. E mais que isso, eles ainda não acreditavam que aquela rendição era uma cilada. Parte dos liderados por eles, como diz aqui no Rio,
  59. 29:00meteu o pé, fugiu, antes que a coisa explodisse. Eles sacaram logo e... Primeira licença que eles tiveram, ah, hoje não tem que entrar, você pode ir à terra. Eles foram à terra e não voltaram mais. Aí entra uma outra força importante, os fuzileiros navais começam a se mobilizar também. A sede dos fuzileiros navais era exatamente na Ilha das Cobras, assim como o presídio da Marinha e o hospital da Marinha de Guerra.
  60. 29:30É lá que vai estourar a segunda revolta no dia 9 de dezembro. Dessa vez, sem o mesmo planejamento, sem os mesmos navios e sem João Cândido. Os líderes eram os marujos do cruzador Rio Grande do Sul e os fuzileiros. É um cabo, o cabo Piabas, que é um dos caras que é chamado como um dos grandes líderes desse movimento em dezembro. Eles vão começar a dar tiros também. Só que aí não é um navio, é uma ilha. É uma ilha que fica bem pertinho do continente.
  61. 30:00Então ficou fácil para o governo, que posicionou os canhões na margem e começou a bombardear. Achearam a bandeira branca? Continuaram mandando tiro para a Ilha das Cobras. Quantos morreram? Ninguém sabe. Apesar da facilidade para conter os rebelados, foi aprovado a toque de caixa no Senado o estado de sítio por 30 dias. Isso reforçava a tese de que o próprio governo tinha fomentado a segunda revolta.
  62. 30:30Tudo para criar as condições de implantar o estado de sítio e ignorar a anistia. Nesse cenário de exceção, no dia 13 de dezembro, João Cândido foi preso.
  63. 31:00Resolvi vir o arsenal de guerra, o arsenal de marinha. Vim o arsenal de marinha, fui preso, acusado de haver fomentado a segunda revolta preparada pelo governo, que era para tirar o efeito da anistia concedida, e aí, então, seguraram o resto dos marinheiros. A metade já tinham sido deportados, foram fuzilados em alto mar. João Cândido fica duas semanas detido no regimento de infantaria.
  64. 31:30Na véspera do Natal, ele e 17 companheiros são transferidos para a Ilha das Cobras, na temida Sela 5. A Sela 5 era uma solitária isolada no presídio. Para ir até lá, você tem que caminhar num túnel por 30 metros e entrar num buraco cavado na parede com uma escada de pedra. Aí você atravessa duas portas, uma de ferro e uma de madeira, até chegar na cela que fica encravada na rocha.
  65. 32:00Não tem iluminação do sol e a ventilação é precária Entrando o ar por uns furos minúsculos feitos nas duas portas Muito calor, tudo escuro e ainda jogavam água e cal para desinfetar Depois de um tempo a água evaporava e a cal ia direto para o pulmão, asfixiava Foi assim que aqueles 18 homens passaram o Natal Dia 24, dia 25 e às 8 da manhã do dia 26, finalmente abriram a solitária para encontrar uma cena terrível.
  66. 32:3016 presos tinham morrido. Sobreviveram dois. O soldado naval João Avelino e João Cândido. Você foi então preso naquela bolsa, naquela coisa? Eu estive em uma solitária lá. Uma solitária onde só você e um companheiro sobreviveram? Lá em que eu estive. É verdade isso? Lá em que eu estive morreram de zóio, desfecciados.
  67. 33:00Desfecciados pelo efeito do carne, ácido fênico e outras coisas. Quando é que tiraram vocês de lá? Todos os dias eles iam saber se João Cândido já havia morrido. Eles prometiam de só alimentar e com água depois que João Cândido morresse. Então eu pedi aqui aos outros que disseram que eu já havia morrido. E no dia que eles abriram, encontraram aquele espetáculo. Na em que eu estava, morreram 18 homens. Na lembrança de João Cândido, eram 18 mortos e não 16.
  68. 33:30Essa conta pode variar, mas ela não apaga um fato. Pobre negro, quando grita alto, é morto, é assassinado, é destruído de alguma forma. Até os dias atuais. Até os dias atuais Fuzilamento sem julgamento Morto por asfixia Por cal Dá pra ter noção do que é isso? Isso é tortura Feita pelo Estado Por ordem direta de oficiais da maioria de guerra brasileira
  69. 34:00Tá claro, filhos? Isso tem que ficar claro O almirante negro sobreviveu ao massacre da Sela 5 Mas continuou preso na Ilha das Cobras Até abril de 1911 e quando foi transferido para o Hospital de Alienados. Onde trabalhava o médico negro Juliano Moreira, um dos maiores nomes da psiquiatria brasileira nacional, e o atendeu, um homem negro psiquiatra e um homem negro revolucionário. Ele falou assim, esse cara não está louco, ele está com problemas.
  70. 34:30O cara era emocionais graves, o cara passou por traumas graves. Ele conseguiu segurar o João Cândido por quatro, três, alguns meses, Não lembro há quanto tempo ele ficou lá e aí a coisa se acalmou, né? E ele voltou para as grades. E ainda ficou outros 18 meses preso na ilha até o julgamento, em 1912. A Irmandade da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, que teve um papel importante na luta pela abolição, contratou advogados negros para defender os marinheiros.
  71. 35:00É o Vale de Voraz, é um deles. E eles vão entrar para defender o João Cândido. E eles vão mostrando que é um absurdo, ele é um homem nichado, não tem nem que estar preso. Ele é liberto, e advertido, e desligado da Marinha. E aí começam os problemas, porque ele não tem emprego, ele quer trabalhar, ele é um ótimo, chamaria hoje de um piloto, ele não consegue emprego porque os oficiais da Marinha de Guerra o perseguem.
  72. 35:30Como os oficiais o perseguem? Perseguem os empregadores dele. Perseguem os empregadores, então toda vez que ele está navegando, os caras falam Tem que tirar porque esse cara foi da revolta, blá, blá, blá, blá, blá. A única solução que ele vai encontrar em termos de trabalho é trabalhar como descarregando peixe na Praça 15. O único lugar que ele consegue morar é na Baixada Fluminense. Qual é a rua em que mora hoje, seu Cândido? Eu moro na rua Turmalina, terceiro distrito de São João de Miriquim.
  73. 36:00João Cândido Felisberto morreu de câncer aos 89 anos. Um ano e meio depois de dar o depoimento ao Museu da Imagem e do Som. Deixou cinco filhos, além de netos, bisnetos e um legado que a gente não pode esquecer. Quais são os nomes de seus filhos apenas a título de documentação?
  74. 36:30Está aqui Adalberto do Nascimento Cândido. O primeiro nome que ele cita, Adalberto do Nascimento Cândido, é o filho que estava ali do lado dele na gravação do depoimento. Hoje ele tem 82 anos. Eu sou o único filho agora vivo do Marinho João Cândido. Meu nome se chama Adalberto Nascimento Cândido, mais conhecido como Candinho. É uma honra receber o seu Candinho aqui no Rio Memórias. Ainda mais sabendo que ele está na casa onde João Cândido morou, em São João de Meriti.
  75. 37:00Estou morando agora com a minha filha, na rua Turmalina. Quem conversou com o seu Candinho foi a Jamile Boulay, a nossa repórter. No início do episódio, ela estava no aterro do Flamengo, eu sei que você lembra. Mas ela é nascida e criada em São João. Estou muito honrada de ter o senhor aqui conversando com a gente. Muita honra mesmo por tudo que seu pai representa na história do Brasil. E eu também sou de São João de Meritinho, então eu sempre ouvi histórias de ele morar aí. Estou bem feliz de ter o senhor aqui.
  76. 37:30O prazer é recíproco. Estar aqui presente também é uma cidadã de São João de Meritinho, onde meu pai morou por umas quatro décadas, aqui no município. Então, hoje ele está fazendo parte da história do Brasil. Ele agora, a modesta parte, ele é o herói de todos. Meu pai, ele é muito reservado. Ele não fez aquilo por motivo de grandeza nem nada.
  77. 38:00Ele nunca levou uma chubatada, mas ele não admitia que os colegas dele fossem para o último passeio, escoteado. Ele representa o último elo da escravidão, Porque a escravidão foi em 1888 e 22 anos depois ainda a gente tinha a escravidão na Marinha do Brasil. Por isso, essa luta se estendeu por muito tempo e é sempre importante manter essa história viva e aprender com ela.
  78. 38:30Vamos correndo atrás da luta dele, do mais reconhecimento dele, como agora como herói nacional. A luta continua. E continua pelas mãos das novas gerações. Assim como seu candinho diz isso agora, o pai dele já dizia meio século atrás.
  79. 39:00salvar de futuro a dignidade do Brasil e para isso está em vossas mãos os moços jovens estão com o poder os jovens hoje tem mais poder do que o exército uma mensagem dita há mais
  80. 39:30de 50 anos que continua tão atual, né? A gente só pode agradecer demais ao Almirante Negro e também ao seu Candinho ao Álvaro Pereira do Nascimento e a você que escutou até aqui Se você quiser saber mais sobre esse assunto, procura os livros do Álvaro João Cândido, Mestre e Sala dos Mares e Cidadania, Cor e Disciplina na Revolta dos Marinheiros, em 1910 Tem também o clássico A Revolta da Chibata livro fundamental do jornalista Edmar Morel
  81. 40:00que serviu muito para a nossa pesquisa hoje Se você gostou desse episódio, comenta lá no Instagram arroba rio-memórias No museu virtual rio-memórias.com.br você pode navegar pela galeria Rio de Conflitos que deu origem a esse podcast e por várias outras galerias sobre a história do Rio de Janeiro agora faltam dois episódios e na próxima semana a gente vai te levar para agosto de 1954 quando o Rio de Janeiro foi tomado por motins
  82. 40:30após o suicídio de Getúlio Vargas ou seja, a gente vai continuar ali na região do Palácio do Catete onde a Jamile estava no início desse episódio aproveitando o gancho
  83. 41:00vamos aos créditos A meritiense Jamile Boulay é responsável pela produção e pelas entrevistas Eu já botei aqui pra gravar o áudio porque eu sou meio esquecida Então eu falei assim, agora que eu já lembrei, já boto pra gravar logo Que aí já não tem problema Ainda bem que você lembrou, né Jamile? Quem não esquece de nada é o Danilo Marques do Projeto República da UFMG Ele cuida da nossa pesquisa também em Belo Horizonte a Clara Costa faz a montagem, a edição
  84. 41:30e a sonorização vou dar uma última revisada aqui nos equilíbrios dos volumes tá tudo equilibradinho, Clara o roteiro é do Rodrigo Alves e do Thales Ramos e a música original é do Gabriel Falcão o podcast Rio Memórias é uma produção da Escuta Aqui com coordenação do Rodrigo Alves, eu sou a Gabriela Montoni e a gente se encontra na próxima semana com episódio 5. Obrigada e até lá! O Rio Memórias é patrocinado pelo
  85. 42:00Ministério do Turismo, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura, pelas empresas Norsul e Casnar Leonardo, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, e pelo Banco BTG Pactual, Adam Capital e Concremate, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, Lei do ISS. Obrigado e até o próximo episódio!

Disponível em

Todos os episódios

  1. 01Revolta da Vacina
    Duração 45:52

    Em 1904, o decreto da vacinação obrigatória contra a varíola transformou o Rio de Janeiro em praça de guerra. Além do negacionismo científico e do moralismo da época, os protestos e quebradeiras em vários bairros revelam uma população que já estava no limite com as reformas autoritárias do prefeito Pereira Passos.

  2. 02Contrabando de ideias
    Duração 39:26

    Em 1794, um grupo de médicos e intelectuais cria uma rede clandestina de informações para driblar a repressão da coroa e espalhar pelo Rio de Janeiro conceitos de liberdade, bem comum e ideais inspirados na revolução francesa.

  3. 03Nem 20 réis, nem 20 centavos
    Duração 40:53

    Viajamos por três períodos em que as manifestações contra os preços das tarifas de transporte público evoluíram para movimentos que ajudaram a mudar a história do Rio de Janeiro e do país: as revoltas do Vintém (1880), do Bonde (1956) e as Jornadas de Junho (2013).

  4. 04Revolta da Chibata
    Duração 42:26

    Em 1910, João Cândido, o Almirante Negro, lidera um movimento contra os castigos físicos impostos nos navios. Marujos se recusam a aceitar a herança da escravidão e assumem o controle de embarcações importantes da Marinha brasileira em um levante histórico.

  5. 05O fim da Era Vargas
    Duração 42:37

    Em agosto de 1954, os motins após o suicídio de Getúlio Vargas revelam a rede de intrigas que dominava a política brasileira nos anos 50. O gesto extremo do presidente e a revolta da população frearam o golpe de estado que se desenhava.

  6. 06O corpo e a alma das ruas
    Duração 38:08

    Das procissões abolicionistas à resistência contra a ditadura, o Rio de Janeiro sempre teve a rua como protagonista de suas lutas políticas. É na rua, ao longo de vários momentos cruciais, como o Comício de 13 de março na Central, a Passeata dos 100 mil, o movimento das Diretas), que se passa o episódio final do podcast.