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Rio de Conflitos

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Rio de Conflitos

Episódio 01

Revolta da Vacina

0:00faltam 46 min45:52

Transcrição

Oi! Eu queria te convidar para dar uma volta comigo pelo centro do Rio de Janeiro, mas não é o Rio de hoje.

  1. 0:00Oi! Eu queria te convidar para dar uma volta comigo pelo centro do Rio de Janeiro, mas não é o Rio de hoje. A gente está em 1904, na freguesia do Sacramento, perto da Candelária. Essa viela estreita aqui vai dar na Rua do Ouvidor. Opa! Cuidado aí com a carroça, chega pra cá.
  2. 0:30Se a gente virar para trás, no sentido oposto a Candelária, ali perto tem a Freguesia de Santana, que é bem mais populosa. Mas aqui no Sacramento também tem habitações populares, tem bastante comércio. E aqui é um ponto central da operação conhecida como Bota Abaixo. Espera aí que eu já te explico o que está acontecendo. Está cheio de mosca aqui, né?
  3. 1:00Na virada do século XIX para o XX, no comecinho da República, o Rio é a capital do Brasil, tem uns 700 mil habitantes e está longe de ser um lugar em sintonia com o que se chama de modernidade. O centro é uma região de ruas pequenas, construções antigas, muita sujeira, muita doença, enfim, é uma cidade que fica pulando de uma epidemia para outra. Por isso, em 1902, quando o presidente Rodrigues Alves assumiu, ele prometeu no discurso de
  4. 1:30posse que ia modernizar a capital federal. E isso incluía a reforma do porto, porque aqueles navios a vapor cada vez maiores já não conseguiam nem mais chegar perto para descarregar a mercadoria. Eles tinham que ficar ancorados lá no meio da Baía da Guanabara, aí os barcos iam até lá para pegar a carga, enfim, uma operação complexa que não combinava com o desenvolvimento econômico. Mas a questão ia além do porto, era uma reforma urbana radical que ia abrir, por exemplo, ruas mais largas nos moldes europeus.
  5. 2:00É o caso da Avenida Central, que depois ficaria conhecida como Rio Branco. E adivinha o que o presidente fez? Ele nomeou o engenheiro Pereira Passos como prefeito e deu pra ele uma carta branca. Ou seja, por decreto, o prefeito tinha o poder de simplesmente demolir todas as casas antigas que tivessem no caminho do progresso. Era só fixar um aviso na porta e as pessoas que se virassem pra sair dali, porque os funcionários da prefeitura entravam nos cortiços derrubando tudo.
  6. 2:30Você tá ouvindo o barulho das picaretas? É que tudo isso acontece exatamente em 1904. É bem aqui, na freguesia do Sacramento, que a Avenida Central vai passar. Então, vamos chegar mais perto pra você entender por que essa operação ganhou o nome de Bota Abaixo. Ou seja, pra mudar a paisagem, pra embelezar a cidade, pra abrir as avenidas largas,
  7. 3:00quem sofreu foi a camada mais pobre da população. Centenas de moradias sumiram do mapa. Milhares de pessoas ficaram sem ter onde morar. Mas a missão do Rodrigues Alves não acabava ali. O presidente também queria livrar o Rio da fama de Cidade Pestilenta. Quem abraçou a tarefa de higienizar a cidade foi um jovem e promissor médico-sanitarista, Oswaldo Cruz.
  8. 3:30Nomeado diretor de saúde pública, ele precisava atacar, por exemplo, a febre amarela. O vilão era o famoso Aedes aegypti, que também transmite adentro. O problema é que, na guerra contra o mosquito, os agentes de saúde tinham a mesma sutileza de quem derrubava os cortiços. Essa é uma cena do filme Sonhos Tropicais.
  9. 4:00O longa-metragem da Pandora Filmes, dirigido por André Sturme em 2001, é baseado no romance de Moacir Sklier e conta a história de uma imigrante polonesa tendo como pano de fundo as transformações no Rio de Janeiro do início do século XX. E não era só o mosquito que estava no caminho do Oswaldo Cruz.
  10. 4:30Para combater a peste bubônica transmitida pelos ratos, o governo chegou a oferecer recompensa em dinheiro a quem entregasse os animais. Resultado, teve gente montando criadouros de ratos Para vender e garantir alguma renda Como diz a letra de Claudino Costa na música Rato Rato Quem os tiver já não passa sem dinheiro Só se vem aqui no Rio de Janeiro Rato, rato, rato
  11. 5:00Quem os tiver já não passa sem dinheiro Rato, rato, rato E a nossa salvação Desde nós malandrosos não passarem Todo dia sem o pão Só que matar roedores e insetos não tinha nenhum efeito quando a ameaça era a terrível varíola, uma doença causada por um vírus que passava de pessoa para pessoa. O efeito era brutal, principalmente em crianças. Febre, vômitos, erupções na pele, cegueira e risco de morte acima de 30%.
  12. 5:30Para enfrentar a varíola, só tinha um jeito. Vacinar a população. O difícil seria convencer um povo que já estava indignado com a truculência da reforma urbana e os métodos invasivos dos agentes de saúde. Ninguém aguentava mais aquilo. O Rio estava no limite. Eu sou a Gabriela Montoni e esse é o podcast Rio Memórias.
  13. 6:00Em seis episódios, um por semana, eu vou te levar para conhecer conflitos históricos que aconteceram na cidade. E a gente começa mergulhando nesse enredo complexo que envolve saúde pública, questões sociais e raciais, violência, negacionismo e fake news. Parece atual e bem familiar, né? Mas tudo aconteceu mais de um século atrás, em 1904, o ano em que o Rio viveu a revolta da vacina.
  14. 6:30Se por um lado essas reformas vinham sendo muito cobradas pela imprensa já há décadas... Essa é a Jane Santucci. Por outro lado, ela também sofreu uma grande reação. A Jane é arquiteta urbanista, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e autora do livro Cidade Rebelde – As Revoltas Populares no Rio de Janeiro no início do século XX.
  15. 7:00É ela que vai ajudar a gente a entender todo esse tumulto no começo da República e a forte reação das pessoas à vacina naquela época. tanto na imprensa como também uma reação popular de incompreensão daquele momento, do que estava acontecendo naquele momento e também das pessoas que perderam as suas moradias. Foi nesse panorama de revolta que vai explodir a revolta da vacina, mas que já vem de um lastro desde o século XIX
  16. 7:30com várias revoltas urbanas acontecendo no Rio de Janeiro. A partir do advento da República, se instaura um clima de grande turbulência na cidade. Uma turbulência política, urbanística e sanitária. Foram revoltas em relação ao transporte urbano, mas também revoltas militares, a revolta armada. Aí, na virada do século, também tivemos a revolta das carnes verdes, em 1902,
  17. 8:00que teve uma grande repercussão. E, em 1903, a primeira greve geral, quando todas as fábricas realmente pararam. E aí, logo em seguida, em 1904, a revolta da vacina. No momento em que o Rio era atacado por várias doenças. Nós tínhamos no verão a questão da febre amarela. Entre uma epidemia e outra tinha a peste bubônica. E tínhamos também a questão da varíola, né?
  18. 8:30Que era assim, que já vinha desde o século passado. É, esse ambiente não tá parecendo muito turbulento, né? Eu sei que eu falei que a nossa viagem era pro Rio de Janeiro de 1904, mas como lembrou a Jane, a história da vacina contra a varíola tinha começado mais de um século antes.
  19. 9:00Então, eu tô vendo aqui que a gente caiu em 1772, no sudoeste da Inglaterra, numa cidadezinha bem pequena e pacata chamada Berkeley. Essa camponesa que está ali tranquilamente ordenhando uma vaca Foi quem ligou um sinal de alerta na cabeça de um médico inglês chamado Edward Jenner Ele tinha uns 20 e poucos anos e estava pesquisando sobre a varíola
  20. 9:30A camponesa cismou que tinha imunidade porque já tinha contraído a varíola bovina Essa era uma doença altamente contagiosa que dava nas tetas das vacas Mas os efeitos nos humanos eram bem mais suaves E quem pegava a versão bovina, geralmente passava ileso pelos surtos da varíola humana, que eram bem comuns na Europa naquela época. Então, qual foi a conclusão da medicina popular? Quem ordenha a vaca, tá imune.
  21. 10:00Mas ciência é ciência, né? Então, o doutor Jenner passou os anos seguintes fazendo vários testes, inclusive no próprio filho. Era uma coisa meio desagradável. Ele fazia uns arranhões nos braços das crianças e esfregava ali o líquido das feridas das vacas. As reações geralmente eram leves, tipo uma febre. Mas depois realmente vinha a imunidade ao vírus da varíola. Em 1798, o estudo enfim foi aceito e Edward Jenner ficou conhecido como o pai da vacina.
  22. 10:30Ou seja, aquele papo da ordenha das vacas não era conversa pra boi dormir. O problema é que essa história de inocular líquido de ferida bovina nos filhos dos outros era um prato cheio pra quem gosta de inventar fake news, né? Então, vamos voltar pro Brasil, porque naquela época o país já era bom nesse negócio de espalhar informação falsa. Até os médicos começaram a inventar as teorias mais loucas sobre a vacina da varíola.
  23. 11:00Houve só o que se falava na época. Esse tal de Edward Jenner quer bestializar os seus semelhantes introduzindo no corpo matérias pútridas tiradas das tetas das vacas doentes As crianças vacinadas correm o risco de desenvolver feições de boi e tumores na cabeça indicando o lugar dos chifres Pouco a pouco vai adquirindo a fisionomia de vaca e a voz passa a ser de um mugido de touro
  24. 11:30Se você virar o jacaré, é problema de você, pô Opa, opa, opa, peraí, esse último não tem nada a ver com a varíola, é outra coisa Mas enfim, voltando No início do século XX, mais de 100 anos depois da criação da vacina Ainda circulava uma boataria desenfreada que ia desde bizarrices médicas Até um apelo muito forte ao moralismo da sociedade da época Resultado? Uma sociedade inteira com medo de se vacinar
  25. 12:00Olha, os motivos foram os boatos Hoje em dia a gente vive uma guerra de fake news Naquele momento também não foi diferente Porque a vacina da varíola já vinha lentamente sendo aceita
  26. 12:30Essa música é A Vacina Obrigatória, interpretada por Mário Pinheiro e composta provavelmente em 1904, quando esse debate dominava o Rio de Janeiro.
  27. 13:00A letra é cheia de duplo sentido e de exageros, como essa história aí de mandar para o xadrez quem não tomasse a vacina. Não era bem assim. O que houve nesse momento foi assim que a oposição usou a questão da vacinação como uma forma de atacar o governo Rodrigues Alves. Então, eles formaram essa liga contra a vacinação. Quem criou a liga foi o senador Lauro Sodré,
  28. 13:30tenente-coronel do Exército e um dos grandes opositores do projeto de lei que chegou ao Congresso em julho de 1904 para reforçar a obrigatoriedade da vacinação contra a varíola. O objetivo era resistir, seja por meios legais ou pela força. Tanto que a criação da Liga foi noticiada no jornal O Comércio do Brasil com um informe cujo título era A Bala. Eram vários jornais de oposição. Eram artigos em matéria todos os dias, matérias contra a vacina.
  29. 14:00Tinha também médicos que também eram contrários à vacina e assinavam artigos. panfletos que eram distribuídos na cidade, no centro da cidade, nas residências. As charges que sempre tiveram um grande apelo popular, mesmo para uma população iletrada, via aquela charge e entendia. Então havia uma série de boatos em cima da questão da vacina que foram sendo disseminadas ao longo desses meses,
  30. 14:30até o momento da eclosão da revolta. Sabe aquele papo de que tal lei não pegou? Isso já existia lá em 1846. Nessa época, a vacina já era obrigatória, só que ninguém ia nos postos de saúde.
  31. 15:00A vacinofobia fazia os pais esconderem seus filhos E muita gente achava que a varíola era um processo natural Que todo mundo ia acabar pegando Sabe imunidade de rebanho? Tipo isso Quando o projeto chegou no Senado Os próprios jornais começaram a bombardear a população com boatos O clima de rebelião estava instalado E uma das vozes mais ativas era a de Vicente de Souza o líder socialista que presidia o Centro das Classes Operárias.
  32. 15:30No dia 31 de outubro, o projeto foi transformado em lei e só faltava definir a regulamentação. E aí, em 5 de novembro, a Liga contra a Vacinação Obrigatória reuniu mais de 2 mil pessoas na Praça Tiradentes. O líder Vicente de Souza estava fazendo um discurso e, no meio do discurso, ele disse que a vacina os agentes de saúde iriam invadir as casas e levantar as roupas das mulheres
  33. 16:00e das filhas para vacinar. E no discurso ele dizia, você é trabalhador enquanto você está na fábrica a sua mulher está desprotegida em casa, suas filhas estão desprotegidas, os agentes de saúde vão levantar as roupas, vão levantar as suas vestes apalpá-las e não sei o que. Só lembrando que a população já estava furiosa com o governo desde o início daquele ano com as demolições das moradias populares. A boataria se multiplicava, muita gente acreditava que a vacina era feita de caldo de rato morto.
  34. 16:30E outro problema era que a injeção era no braço. Pois é, e isso já constrangia as mulheres na frente dos agentes de saúde. Imagina então quando começaram a inventar que a aplicação era na coxa ou na virilha. Então, isso foi realmente o que faltava para que a multidão ficasse enfurecida. E a partir desse discurso, as pessoas já saíram virando bondes, botando fogo,
  35. 17:00enfrentando a polícia, gritando na rua, morra a polícia, abaixa a vacina. Então, esse momento foi decisivo mesmo para que a revolta acontecesse. Foi assim a faísca que faltava para que essa bomba explodisse. No meio desse barril de pólvora, coube a Oswaldo Cruz redigir a regulamentação da lei e as normas de vacinação.
  36. 17:30Ele mostrou uma primeira versão do texto para alguns médicos, juristas e políticos. Ninguém seria preso por fugir da seringa, mas o atestado de vacina seria exigido para matrícula em escola, emprego, nas fábricas, viagem, até para votar e para casar. No dia 9 de novembro de 1904, veio o estopim que faltava. O jornal A Notícia teve acesso a uma cópia do texto do Oswaldo Cruz
  37. 18:00e publicou as propostas na íntegra. O Rio de Janeiro mergulhou no caos. E agora, você respira fundo porque a gente vai atravessar esses sete dias de protestos, tiroteios e batalhas pelas ruas da capital. Quinta-feira, dia 10 de novembro No fim da tarde, um grupo de estudantes se reuniu no Largo de São Francisco
  38. 18:30E começou a pregar resistência à vacina Cantando músicas e fazendo rimas de deboche ao governo Aí o grupo resolveu descer a Rua do Ouvidor Bem pertinho de onde a gente estava no início do episódio, lembra? Quase um ano depois do início das demolições
  39. 19:00Aquela região ainda estava bem bagunçada Com obras incompletas e escombros espalhados pelas ruas Um delegado de polícia intimou um dos oradores a ir até a delegacia. Os estudantes reagiram e continuaram avançando. Quando eles chegaram perto da Praça Tiradentes, deram de cara com a cavalaria. Pronto, começou a confusão. Voou pedra para tudo que é lado. Quinze pessoas foram presas e a situação só foi se acalmar lá pelas sete e meia da noite.
  40. 19:30Começava ali, oficialmente, a revolta da vacina. Sexta-feira, dia 11 As cenas se repetiram no Largo de São Francisco, mas dessa vez com um elemento novo Os estudantes levaram bombinhas de fogo de artifícios, dessas de festa junina O barulho causava correria e a polícia perseguiu os manifestantes até a Praça Tiradentes e o Largo do Rosário
  41. 20:0018 pessoas foram presas Sábado, dia 12 Chegou o fim de semana e a coisa começou a ficar mais séria Tinha uma reunião marcada para as oito da noite na sede do Centro das Classes Operárias, perto da Praça Tiradentes.
  42. 20:30E ali pelas cinco, o povo começou a se juntar no Largo de São Francisco. Os estudantes pegaram uns pedaços de madeira das obras da região e começaram a simular a agressão da polícia nos dias anteriores. Aí a cavalaria chegou e aquilo deixou de ser uma simulação.
  43. 21:00Os manifestantes responderam com os fogos de artifício e, pela primeira vez, com tiros de revolver. Quando o tumulto deu uma trégua, foi todo mundo para a reunião na Rua Espírito Santo, que hoje é a Rua Pedro I, que vai dar na Praça Tiradentes. Eram 4 mil pessoas para ouvir os discursos do senador Lauro Sodré e do Vicente de Souza, o presidente do Centro das Classes Operárias. Dali, a multidão saiu em passeata até a Rua do Ouvidor. Os gritos eram a favor e contra a imprensa, dependendo do posicionamento de cada jornal.
  44. 21:30A favor do Correio da Manhã, que era de oposição, e contra o Jornal do Comércio e o País, que apoiavam o governo. Naquela altura, a tensão era enorme e o exército já estava de prontidão nas ruas do Rio. O Correio da Manhã daquele dia convocou os manifestantes para a Praça Tiradentes.
  45. 22:00Naquele dia, sairia o resultado da reunião que ia examinar o projeto de regulamentação da lei. A comissão acabou fazendo mudanças no texto original de Oswaldo Cruz, mas aquela altura não importava mais No início da tarde, quando o chefe de polícia, Cardoso de Castro, chegou para a reunião, o carro dele foi apedrejado A polícia revidou e a Praça Tiradentes virou um campo de batalha A pancadaria foi se espalhando pelas ruas próximas
  46. 22:30Sacramento, Avenida Passos, Rua da Assembleia, 7 de setembro, o tumulto era generalizado Bondes foram derrubados e queimados.
  47. 23:00Barricadas foram montadas na Avenida Passos e nas ruas ali perto. O centro do rio ficou pequeno para aquele cenário de guerra. E os distúrbios se espalharam pela Praça Onze, Gamboa, Saúde, Tijuca, Prainha, Botafogo, Laranjeiras, Catumbi, Rio Cumprido e Engenho Novo. Delegacias foram alvejadas, companhias de bondes foram saqueadas, o gasômetro foi assaltado.
  48. 23:30Quando caiu a noite, boa parte da cidade estava às escuras porque muitos lampiões de gás foram quebrados. Os tiroteios continuavam. Doze policiais ficaram feridos e dezenas de populares também. Pelo menos uma pessoa morreu naquela noite. Segunda-feira, dia 14. A chuva fina que começou a cair no início daquela segunda-feira encontrou uma cidade destruída
  49. 24:00O Jornal do Comércio descreveu assim o cenário Os combustores da iluminação partidos com os postes vergados estavam imprestáveis Os vidros fragmentados brilhavam na calçada Paralelipípedos revolvidos que serviam de projetas para essas depredações coalhavam a via pública Em todos os pontos, destroços de bondes quebrados e incendiados, portas arrancadas, colchões, latas, montes de pedras
  50. 24:30Mostravam os vestígios das barricadas feitas pela multidão agitada E logo a agitação recomeçou, principalmente na freguesia do sacramento e na saúde Tiroteios, arrombamentos, vidros quebrados, três pessoas morreram A cidade, naquele momento, a parte central da cidade, na verdade,
  51. 25:00ia do Caju até Botafogo. Copacabana ainda estava começando as primeiras moradias, mas a parte mesmo de extensão urbana que poderia ser considerada seria Caju a Botafogo. E essa área foi totalmente tomada, começando pelas ruas centrais, a Praça Tiradentes, que era onde ficavam as sedes das ligas operárias,
  52. 25:30então ali era um local de muito tumulto. As batalhas foram se espalhando, começaram no centro, mas aí foram pegando vários bairros, Catete, Laranjeiras, Botafogo, então, de certa forma, ela foi se espalhando, os focos foram se espalhando pela cidade, alguns acontecendo simultaneamente. Por volta das 10 da noite do dia 14, esse som começou a dominar o bairro de Botafogo
  53. 26:00As ruas estavam às escuras e os moradores se trancaram em casa com medo Daqui a pouquinho a gente volta para essa cena Mas antes, eu preciso te contar uma trama paralela que surgiu naquela segunda-feira Véspera do aniversário de 15 anos da Proclamação da República Como se não bastasse todo o caos, houve uma tentativa de golpe para derrubar o presidente Rodrigues Alves
  54. 26:30Um movimento que começou às duas da tarde com uma reunião no clube militar Estavam nessa reunião duas figuras que você já conhece Um era o senador e tenente-coronel Lauro Sodré O outro era o líder oposicionista Vicente de Souza O combinado era tomar o comando de duas escolas militares E incitar os alunos a marcharem até o Palácio do Catete
  55. 27:00A notícia da conspiração chegou até o ministro da guerra o marechal Francisco de Paulo Argolo, que ligou para o clube militar e mandou dispersar a reunião. Mesmo assim, o plano seguiu. À noite, o major Gomes de Castro e o deputado Pinto de Andrade chegaram na escola preparatória e de tática do Realengo, que era comandada pelo general Hermes da Fonseca. O deputado já entrou incitando os alunos e gritando Prende o general! Mata o general!
  56. 27:30Mas a reação do Hermes da Fonseca foi rápida e tanto o deputado quanto o major foram presos. O Vicente de Souza tinha voltado para o centro da cidade e também foi preso. A última chance do golpe era a escola militar da Praia Vermelha. Foram para lá o Lauro Sodré e o general Silvestre Travassos, que tinha a missão de incitar os rebeldes, e deu certo. Eles conseguiram depor o general que comandava a escola e ganharam o apoio de 300 cadetes.
  57. 28:00Com dois pelotões, um deles munido com metralhadoras, a ideia era avançar pela Rua da Passagem na expectativa de enfrentar uma brigada policial. Só que as informações do motim tinham vazado e o governo usou exército, marinha e bombeiros para reforçar as tropas. Às 10 da noite, os moradores já ouviam o som das botas nas ruas de pedra. Militares dos dois lados. Rebeldes marchavam de um lado, governistas marchavam do outro.
  58. 28:30Perto da praia de Botafogo, os dois grupos se encontraram. E na escuridão total, começou o confronto. Com meia hora de conflito, o general Travassos caiu baleado.
  59. 29:00E o senador Lauro Sodré não pensou duas vezes. Fugiu dali e desapareceu. Resultado? Os cadetes não tinham mais voz de comando e começaram a correr. Naquela escuridão, os governistas também debandaram E aí foi uma bagunça danada Isso aconteceu exatamente ali naquela esquina da Rua da Passagem, na Praia de Botafogo Aí muitos correram para o cemitério, pularam o muro do cemitério
  60. 29:30Outros invadiram casas E os que não conseguiram fugir foram presos Enquanto isso, no Palácio do Catete, os militares do governo tentavam convencer Rodrigues Alves a fugir para um navio de guerra na Baía da Guanabara. O presidente se recusou e logo chegou a informação de que os golpistas tinham debandado. Em vez de um presidente deposto, que se viu no amanhecer do aniversário da República,
  61. 30:00foi um monte de cadetes rebeldes se entregando à prisão. Terça-feira, dia 15. O desfile militar foi cancelado, o golpe foi desmantelado, mas os distúrbios da revolta da vacina continuavam espalhados pela cidade. O governo recebeu reforço de batalhões de São Paulo e Minas Gerais e o rio foi dividido em três zonas de policiamento.
  62. 30:30A marinha cuidava do litoral. O exército assumiria toda a região ao norte da Avenida Passos e a polícia controlaria as ruas ao sul da avenida. Quarta-feira, dia 16. A cidade amanheceu sob estado de sítio, decretado oficialmente em todo o Distrito Federal. O cenário não era mais de guerra, mas durante o dia era comum ver alguns sinais de confusão.
  63. 31:00Pessoas correndo com medo, fechando lojas. E para as tropas do governo ainda faltava desmobilizar um dos mais temidos focos de resistência da revolta. O Porto Arthur. Esse nome, aliás, era uma referência a uma batalha que tinha acontecido em fevereiro daquele mesmo ano de 1904, só que do outro lado do planeta. Foi o episódio que iniciou a guerra russo-japonesa Quando navios destroyers do Japão fizeram um ataque noturno surpresa contra as embarcações russas
  64. 31:30E depois avançaram para um combate sangrento na base naval em Porto Arthur Que na época era uma região de domínio russo e hoje é um distrito da China O Porto Arthur Carioca ficava no bairro da Saúde Eram barricadas ao longo de toda a Rua da Harmonia Desde a praça até a esquina com a Rua da Gamboa Começou a circular pela cidade a informação de que os amotinados tinham dinamites e canhões
  65. 32:00prontos para resistir a qualquer investida policial. O jornal O País, que apoiava o governo, não economizava nas palavras para descrever o lugar. É o último reduto do anarquismo, tomado por grande número de indivíduos desclassificados, fascínoras de ínfima condição, acobertados com a capa de marítimos e de trabalhadores da estiva. Então a polícia não conseguia entrar no bairro, porque ela era recebida com uma chuva de pedras, canos e pedaços de obras.
  66. 32:30E um dos mais temidos líderes de Porto Arthur era o capoeirista e estivador Horácio José da Silva, o Prata Preta. Era um homem negro, com cerca de 30 anos, que enfrentava a polícia usando uma navalha, uma faca e dois revólveres. As histórias foram se espalhando e ele se tornou uma lenda. Hoje é até inspiração para o cordão do Prata Preta, um bloco de carnaval de rua do Rio de Janeiro.
  67. 33:00Prata Preta foi preso no dia 16. Ele estava num beco, resistiu à prisão o máximo que pôde e, na briga, ainda teria matado um soldado do exército. A lenda em torno do capoeirista era tão temida pelos policiais que ele quase foi linchado quando chegou na delegacia. Nesse mesmo dia, houve a tomada do Porto Arthur.
  68. 33:30E aí todo mundo ficou sabendo que as famosas dinamites eram só pedaços de madeira enrolados com papel prateado. E o canhão voltado para o mar, que fez a marinha posicionar três navios apontando para o Morro da Gamboa? Bem, dois repórteres conseguiram furar o cerco e viram que aquilo não era exatamente um canhão. O que era, era um amontoado de pedras com um poste como se fosse um canhão e apontado para o mar.
  69. 34:00Havia toda ali uma cenografia de uma guerra que, na verdade, foi puro boato e que assustou a cidade. A cidade toda ficou alarmada porque ia haver uma grande batalha entre a Gamboa e a Marinha. Mas, enfim, uma série de boatos que construíram essa questão da revolta da vacina. Ainda no dia 16, durante a tarde, Um boletim da Gazeta de Notícias foi colado em vários postes
  70. 34:30Sinalizando recuo na obrigatoriedade da vacina E um pedido pelo fim dos protestos O governo já declarou que a vacina não é obrigatória Se não para alguns institutos oficiais Não há razão para continuar o protesto que até agora está sendo feito Só os políticos estão explorando a situação Não se deve o povo iludir A causa do protesto está morta. Nos dias 17 e 18, as ruas do Rio já começaram a voltar ao movimento normal.
  71. 35:00200 pessoas já tinham sido detidas, mas a partir desse dia, a polícia acelerou as prisões e chegou a 945 o número de presos enviados para a Ilha das Cobras, uma fortificação no interior da Baía da Guanabara. Quase metade acabou deportada para o Acre, inclusive alguns líderes dos rebeldes, como Prata Preta Depois que foi para o Acre, nunca mais se ouviu falar do capoeirista
  72. 35:30Por isso é difícil estimar quantas pessoas morreram na revolta da vacina Pelo menos 23 nos confrontos, mas na Ilha das Cobras, muitos presos eram espancados e nas deportações ninguém ficava sabendo o destino daquelas pessoas Com o recuo na obrigatoriedade da vacinação, a adesão foi muito baixa. No fim de 1904, foram registradas 3.500 mortes por varíola. Quatro anos depois, um novo surto matou 6.000 pessoas, principalmente das camadas mais pobres.
  73. 36:00E aí sim, a população percebeu que a vacina era a solução. Tanto que, em 1910, só uma pessoa morreu de varíola. E o Rio finalmente se livrou daquele estigma. Eu sei que você deve estar pensando no paralelo com o que o Brasil e o mundo passaram a viver a partir de 2020, com a pandemia do coronavírus.
  74. 36:30Mas deu pra perceber que havia algumas diferenças básicas, né? No início do século passado, a reação à vacina não era só negacionismo. Era o reflexo de uma população fragmentada nas questões sociais e raciais. Isso fica evidente na visão de dois cronistas da época. Olavo Bilac, poeta e representante da burguesia conservadora, escreveu o seguinte na revista Cosmos, de novembro de 1904. As arruaças deste mês, nascidas de uma tolice e prolongadas por várias causas,
  75. 37:00vieram mostrar que nós ainda não somos um povo. Amanhã, um especulador político irá, pelos becos e travessas, murmurar que o governo tenciona degolar todos os católicos, ou fuzilar todos os protestantes, ou desterrar todos os homens altos, ou encarcerar todos os homens baixos. E a gente humilde aceitará como verdade essa invenção imbecil, como aceitou a invenção da vacina com sangue de rato pestiferado.
  76. 37:30Enquanto isso, Lima Barreto, jornalista e escritor negro, morador do subúrbio carioca, foi por outro caminho em um dos seus artigos. Durante as mazorcas de novembro de 1904, eu vi a seguinte e curiosa coisa Um grupo de agentes fazia parar os cidadãos e os revistava O governo diz que os oposicionistas à vacina com armas na mão são vagabundos, gatunos, assassinos
  77. 38:00Entretanto, ele se esquece que o fundo dos seus batalhões, dos seus secretas e inspetores Que mantém a opinião dele, é da mesma gente Essa mazorca teve grandes vantagens 1. Demonstrar que o Rio de Janeiro pode ter opinião e defendê-la com as armas na mão 2. Diminuir um pouco o fetichismo da farda 3. Desmoralizar a escola militar Pela vez primeira, eu vi entre nós não se ter medo de homem fardado O povo, como os aztecas ao tempo de Cortês, se convenceu de que eles também eram mortais
  78. 38:30Além das questões sociais, pesou também o forte componente de moralismo Aquela coisa do medo de levantar a manga e mostrar o braço para um agente de saúde Então tinha bastante coisa diferente em relação à Covid-19 Mas algumas semelhanças com o momento atual também são inegáveis Principalmente na onda de informações falsas e esse clima de teoria da conspiração Então são momentos que nos aproximam de 1904, da revolta da vacina
  79. 39:00Mas eu acho que, principalmente, o que mais se assemelha nessa história toda é uma crise sanitária, que deveria ser tratada cientificamente, ter sido levada para o campo da política. Isso é o que provoca mais danos. E, no fim das contas, apesar da truculência dos agentes, apesar dos problemas de comunicação, o que derrotou a varíola foi a ciência.
  80. 39:30O plano do Oswaldo Cruz para vacinar a população era a principal saída naquele momento, assim como a saída para combater o coronavírus também passa pela vacina. E se o Oswaldo Cruz estava certo, nada mais justo que terminar esse episódio ouvindo o Oswaldo Cruz. Só um instante, deixa eu fechar o WhatsApp. Ih, acho que esse, não sei se esse som vaza, deixa eu fechar aqui para você.
  81. 40:00Ué, em 1904 ainda não tinha o WhatsApp, né? E aí tá uma loucura, né? A gente acompanhando os dados dia a dia, vendo o que acontece. Bom, deixa eu tentar explicar. Esse é o Oswaldo Gonçalves Cruz. Ele é filho do Oswaldo Cruz Neto, neto do Oswaldo Cruz Filho e bisneto do Oswaldo Gonçalves Cruz, o original do início do século XX, que tem o nome igualzinho ao dele.
  82. 40:30Deu pra entender? E o Oswaldo Cruz de hoje trabalha há 35 anos na fundação que leva o nome do bisavô, a Fiocruz, no Departamento de Computação Científica. Então, a ciência de dados, ou seja, a gente trabalha com dados, com modelos estatísticos, matemáticos e computacionais aplicados à saúde. Então, isso a minha vida inteira eu fiz, quer dizer, esse ano eu estou completando 35 anos de Fiocruz e sempre estive dentro dessa área. E olhando para a atuação do bisavô na revolta da vacina,
  83. 41:00ele identifica as mesmas questões apontadas pela Jane Santucci. A ciência sendo atravessada pela política. Tem questões políticas envolvidas. Oswaldo Cruz foi atacado por pessoas, inclusive por Rui Barbosa, que era quando era oposição. Então, a questão política sempre esteve envolvida. Um mérito enorme do Oswaldo Cruz é ele sempre ter se colocado contra e, muitas vezes, colocado o seu cargo à disposição. Esta é a maneira científica que tem que fazer.
  84. 41:30Se eu não quero, eu saio. Então, ele foi muito firme na sua posição, até porque, naquela época, muitas coisas eram debatidas ainda. Não era todo mundo que aceitava que o mosquito transmite a febre amarela, por exemplo. Então, existia uma camada de desinformação a respeito de vacina, de boatos. Se você já folhou as charges da época, tem material muito vasto sobre todas essas campanhas.
  85. 42:00E elas estavam todo dia na imprensa. Nessa época, as charges tinham muito poder, porque os índices de analfabetismo eram bem altos. Então você tinha uma pequena elite, e na realidade a resistência era essa pequena elite, que eram os líderes, que provavelmente se racharam como racham hoje. só que hoje em dia o país é muito maior e isso tem consequências muito mais profundas e no cenário de hoje como é que a gente lida com isso então o Nancy achava que hoje em dia nós temos muita informação temos muito acesso à informação
  86. 42:30e as pessoas vão tomar as decisões racionais baseadas em fatos ou baseadas em análise não, não funciona assim a informação é sempre fundamental e no próximo episódio a gente vai mergulhar ainda mais nesse assunto Se hoje o nosso tema foi uma reação antivacina que acabou se tornando uma revolta muito mais ampla, na semana que vem a nossa viagem vai ainda mais longe no passado, lá para o fim do século XVIII.
  87. 43:00Uma época em que um grupo de intelectuais driblou a repressão da coroa portuguesa e encontrou maneiras alternativas de espalhar os ideais revolucionários. As leis dos franceses são boas, pela igualdade que introduziram entre os homens. A guerra dos republicanos é justa. Os reis da Europa são todos uns ladrões Ouça bem, meu caro relogioeiro Os franceses executaram o plano perfeitamente A guerra foi um sucesso Dizem até que o WhatsApp, na verdade Foi inventado no Rio de Janeiro em 1794
  88. 43:30A gente vai tirar isso a limpo Isso aí a gente não vai contar pro pessoal Mas eu acho que os cariocas inventaram as redes sociais Lá no século XVIII, em 1794 Esse foi o primeiro episódio do nosso podcast Me conta o que você achou lá no nosso Instagram, e indica por aí nas redes sociais.
  89. 44:00No site riomemórias.com.br você pode navegar pela Galeria Rio de Conflitos e por várias outras galerias com momentos históricos da cidade. Se você quiser se aprofundar mais na revolta da vacina, anota aí essas dicas de livros que foram usados como referência nesse episódio. Além do Cidade Rebelde, da Jane Santucci, tem Os Bestializados, do José Murilo de Carvalho, Cidade Febril, do Sidney Chalub e o Bota Abaixo, do José Vieira.
  90. 44:30Esse podcast é uma produção da Escuta Aqui, com coordenação do Rodrigo Alves, que também faz as locuções dos trechos de jornais e é responsável pelo roteiro ao lado do Tales Ramos. A Jamile Boulay faz as entrevistas e o Tales e a Jamile também gravaram locuções adicionais nesse episódio. Deixa eu gravar de novo, porque acho que o rogido da cadeira aqui atrapalhou, peraí. Fica à vontade, Thales. A pesquisa é do Danilo Marques, do Projeto República, da UFMG. A Clara Costa faz a montagem, a edição e a sonorização.
  91. 45:00A trilha sonora original é do Gabriel Falcão. Ouve aí. Eu sou a Gabriela Montoni e a gente se encontra de novo na próxima semana. Obrigada e até lá. O Rio Memórias é patrocinado pelo Ministério do Turismo, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura, pelas empresas Norsul e Casnar Leonardo, por meio da Lei de Incentivo à Cultura,
  92. 45:30e pelo Banco BTG Pactual, Adam Capital e Concremate, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, Lei do ISS. Obrigado e até o próximo episódio.

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Todos os episódios

  1. 01Revolta da Vacina
    Duração 45:52

    Em 1904, o decreto da vacinação obrigatória contra a varíola transformou o Rio de Janeiro em praça de guerra. Além do negacionismo científico e do moralismo da época, os protestos e quebradeiras em vários bairros revelam uma população que já estava no limite com as reformas autoritárias do prefeito Pereira Passos.

  2. 02Contrabando de ideias
    Duração 39:26

    Em 1794, um grupo de médicos e intelectuais cria uma rede clandestina de informações para driblar a repressão da coroa e espalhar pelo Rio de Janeiro conceitos de liberdade, bem comum e ideais inspirados na revolução francesa.

  3. 03Nem 20 réis, nem 20 centavos
    Duração 40:53

    Viajamos por três períodos em que as manifestações contra os preços das tarifas de transporte público evoluíram para movimentos que ajudaram a mudar a história do Rio de Janeiro e do país: as revoltas do Vintém (1880), do Bonde (1956) e as Jornadas de Junho (2013).

  4. 04Revolta da Chibata
    Duração 42:26

    Em 1910, João Cândido, o Almirante Negro, lidera um movimento contra os castigos físicos impostos nos navios. Marujos se recusam a aceitar a herança da escravidão e assumem o controle de embarcações importantes da Marinha brasileira em um levante histórico.

  5. 05O fim da Era Vargas
    Duração 42:37

    Em agosto de 1954, os motins após o suicídio de Getúlio Vargas revelam a rede de intrigas que dominava a política brasileira nos anos 50. O gesto extremo do presidente e a revolta da população frearam o golpe de estado que se desenhava.

  6. 06O corpo e a alma das ruas
    Duração 38:08

    Das procissões abolicionistas à resistência contra a ditadura, o Rio de Janeiro sempre teve a rua como protagonista de suas lutas políticas. É na rua, ao longo de vários momentos cruciais, como o Comício de 13 de março na Central, a Passeata dos 100 mil, o movimento das Diretas), que se passa o episódio final do podcast.