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Rio Atlântico

Episódio 02

A Travessia

0:00faltam 44 min44:08

Transcrição

Oi! Não sei se você estava esperando o som do oceano aqui nesse começo de episódio,

  1. 0:00Oi! Não sei se você estava esperando o som do oceano aqui nesse começo de episódio, mas hoje a nossa viagem começa bem longe da costa, quase 500 quilômetros para dentro do continente, na África Ocidental, no reino de Djugu. Hoje essa região é a cidade de Djugu, no Benin, uma república africana com 10 milhões de habitantes. Mas a gente
  2. 0:30está na década de 1840, quando esse território era movimentado pelo comércio de nozes, de ouro e de produtos que vinham da Europa. Portugueses já faziam negócios com os governantes locais bem antes de os franceses transformarem aquele lugar na colônia de Daomé. O rei de Zugú tinha uma espécie de mensageiro e guarda-costas, um jovem de família muçulmana chamado Mahoma
  3. 1:00Gardu Bakwakwa. Ele viveu uma infância tranquila. Seu pai, de ascendência árabe, era um homem de pele clara, nascido no reino de Bergu, no que hoje seria o norte de Benin. Sua mãe era uma mulher negra, de pele escura, nascida ali perto, no norte da Nigéria. Na adolescência, ele lutou em algumas guerras. Na primeira vez que ele foi capturado por um povo inimigo, a mãe conseguiu pagar o resgate. Na segunda vez, não teve jeito. Com menos de 20 anos,
  4. 1:30E, despertando inveja pela boa relação que tinha com o rei, Bakwakwa foi sequestrado e enviado numa longa caminhada terrestre até o litoral africano. Com cordas no pescoço e sacos de grãos na cabeça, os homens sequestrados atravessaram quase 500 quilômetros a pé, dia e noite, dentro da mata, abrindo caminho no capim alto, com risco de encontrar, a qualquer momento, um felino faminto.
  5. 2:00Quando finalmente chegou ao porto, Bakuáquia já sabia que seria jogado no porão de um navio com dezenas de outros africanos. O ano era 1845 e a embarcação faria uma longa viagem pelo Oceano Atlântico. Ou pela Calunga Grande, expressão com origem no Quimbundo, para se referir ao Grande Mar, quando os parentes estavam indo embora. Naquele lugar, ser amigo do rei não significava mais nada.
  6. 2:30Imagino que não existia um lugar mais horrível em toda a criação Do que um porão de um navio negreiro Dia e noite eram iguais para nós O sono nos sendo negado devido ao confinamento dos nossos corpos
  7. 3:00Eu sou a Gabriela Montoni e esse é o segundo episódio da temporada Rio Atlântico,
  8. 3:30baseada na galeria que você encontra no nosso museu virtual em rio-memórias.com.br. A nossa missão hoje é complexa, mas importante. Eu quero que você entenda como era a longa e dolorosa travessia do oceano que trouxe da África milhões de pessoas sequestradas e escravizadas.
  9. 4:30Essa interpretação que você ouviu da música Yayama Semba, composta por Roberto Mendes e Capinã,
  10. 5:00é da cantora Virginia Rodrigues, numa apresentação ao vivo em São Paulo, produzida pela Casa de Fulô em 2015. E o relato sobre o porão do navio foi escrito pelo próprio Bakuáqua e publicado numa autobiografia em 1854. Pois é, esse é um caso raro de um africano liberto que registrou sua história em livro, narrando a vida na África, a captura,
  11. 5:30a viagem transatlântica e o horror da escravidão nas Américas, incluindo o Rio de Janeiro. Para tratar de um assunto em que as fontes geralmente são indiretas, a gente vai priorizar o relato de alguém que de fato viveu tudo aquilo. Então, ao longo do episódio, você vai ouvir outros trechos lidos por uma voz que talvez seja familiar para você Mas não é só o Bacuaco que vai te ajudar a entender essa história Meu nome é Nilma Teixeira Scioli Eu sou professora de História
  12. 6:00aposentada pelo Estado do Rio de Janeiro e pela Prefeitura do Rio de Janeiro Tenho doutorado na UFRJ e o pós-doutorado também na UFRJ Minha pesquisa se concentra principalmente sobre as questões da escravidão e o pós-abolição, a vida da população negra no pós-abolição. A professora Nilma vai estar aqui com a gente. E como você já sabe, essa jornada começa bem antes de chegar no Atlântico.
  13. 6:30Bom, a primeira questão em relação a esse tráfico, como que chegavam aqui, tem que se pensar primeiro no litoral da África. Até chegar no litoral, o caminho era longo. A maioria desses homens e mulheres que vieram, eles eram recolhidos no sertão africano. Havia os chamados sertanejos, que eram homens geralmente portugueses, que iam para o interior da África e iam escravizando, pegando pessoas,
  14. 7:00recolhendo, jogando, aprisionando mesmo e amarrando uns aos outros. Os presídios eram uma espécie de fortes que existiam, portugueses, no interior da África. E depois eles voltavam, recolhia todos eles e levavam para o litoral, geralmente de Luanda. Essa relação não acontecia só com os portugueses. Antes disso, já existia o conflito entre os próprios africanos. Foi o que aconteceu com Bacuacua.
  15. 7:30Certo dia, fui à cidade para ver minha mãe, quando fui seguido por alguém tocando tambor enquanto era chamado pelo meu nome. O tambor batia a um ritmo que tinha sido aparentemente composto em honra a mim Eu supus devido a minha posição elevada diante do rei Me persuadiram a ir com eles para Zaraxo, a cerca de 1600 metros de Zubo Para visitar um rei estranho do qual eu nunca tinha ouvido falar
  16. 8:00Quando chegamos lá, o rei nos recebeu muito bem Uma grande festa foi preparada, muita bebida foi dada para mim Quando acordei pela manhã, percebi que eu era um prisioneiro E todos os meus companheiros tinham partido Então notei que tinha sido traído E tinha sido vendido como escravo por meus inimigos Porque o próprio povo africano, eles tinham a escravização
  17. 8:30Por exemplo, nós dois somos africanas Aí eu te devo alguma coisa Não posso pagar Eu fico trabalhando pra você um tempo Acontecia muito isso nos diferentes grupos étnicos africanos. Então, muitos eram inimigos. E aí, eles iam lá e não iam pegar o amigo, o parente, iam pegar o inimigo. E aí, já vendiam. Eles eram os sertanejos, iam amarrando. Chegava aqui nessa aldeia, olha, tem aquele ali, pode levar, vamos vender.
  18. 9:00Aí, ele amarrava, aí ia puxando. Ia para outra aldeia, chegava lá, tem mais dois aqui, vamos vender esse. Aí, eles iam sendo amarrados. E muitas vezes, isso está documentado, alguns morriam nesse caminho, que ia do sertão para o litoral. Permanecemos na floresta à noite e viajávamos durante o dia, já que havia animais selvagens em grande abundância. Podíamos ouvi-los uivando à noite.
  19. 9:30Havia um em particular ao nosso redor, do qual as pessoas tinham muito medo. Ele tinha a forma de um gato com um corpo comprido Os olhos deles brilhavam como esferas brilhantes de fogo à noite Até chegar no litoral Quando chegava no litoral, tinha os barracões Aí eles ficavam nos barracões esperando o navio chegar Finalmente, quando chegamos à praia, ficamos de pé na areia
  20. 10:00Oh, como eu queria que a areia se abrisse e me engolisse Eu não consigo descrever o mal-estar Qualquer coisa parecida com o esboço dos meus sentimentos Estaria muito além da realidade Havia escravos trazidos de todas as partes do continente Você que está ouvindo Você consegue imaginar esse momento? Você já atravessou uma jornada muito difícil e arriscada
  21. 10:30Durante semanas ou meses E aí você finalmente chega no litoral e encontra tanta gente que foi trazida de vários lugares da África. Esses barracões abrigavam em média 500 pessoas, mas alguns chegavam a reunir mais de 3 mil africanos à espera do embarque. Ali, o sentimento já era de pânico. Tem um livro do Francis Casseznal, que é um embaixador francês, e ele entrevistou vários africanos.
  22. 11:00E ele fala, é da época, ele fala com um que ele fala assim, eu estava com muito medo porque me disseram que os homens brancos compravam a gente para poder matar e comer e eu fiquei com medo. Acreditava-se que as Américas eram habitadas por gigantes canibais brancos, que chegando do outro lado do oceano, todos seriam devorados e parte dos corpos seriam transformadas em óleo e pólvora para o comércio. Em meio a esse desespero prestes a embarcar, os africanos ainda passavam pelo batismo cristão,
  23. 11:30como você ouviu no episódio anterior. Olha só esse relato de um historiador inglês chamado Charles Boxer. antes de aspergir água benta em toda a multidão.
  24. 12:00Então um intérprete negro a eles se dirigia com essas palavras. Olhai, já sois filhos de Deus. Estáis a caminho de terras espanholas ou portuguesas, onde ireis aprender as coisas da fé. Esqueçam tudo o que se relacione com o lugar de onde vieram. Agora podem ir e sejam felizes. Sejam felizes. Todos agora tinham o mesmo destino, que era encarar o oceano. Todos iam sendo colocados em pequenos barcos que levavam até o navio.
  25. 12:30O primeiro barco tinha alcançado o navio em segurança, apesar do vento forte e do mar agitado. Mas o último barco virou, e todos nele se afogaram, exceto um homem. Eu fui colocado no barco seguinte, que foi posto no mar, mas Deus achou por bem me poupar. Talvez por algum bom motivo. Em seguida, eu fui colocado no mais horrível de todos os lugares.
  26. 13:00Capítulo 2. O navio. Galeões, corvetas, bergantins, escunas, galeras. Vários tipos de barco foram usados ao longo dos séculos para cruzar o Atlântico com africanos escravizados. Embarcações à vela, a remo, com um mastro, com dois mastros.
  27. 13:30Tudo isso variava muito. Mas geralmente eram navios pequenos, leves e rápidos. até para conseguir atracar perto da costa, porque muitos portos não tinham tanta profundidade. As tripulações eram desenhadas numa hierarquia rígida, com homens de diferentes nacionalidades especializados no comércio humano. Os mestres eram os mais importantes, os chefes a bordo. Eram os responsáveis pela escolha e pela compra dos escravizados antes do embarque,
  28. 14:00tanto que assinavam tratados e até lideravam embaixadas em reinos africanos. O segundo na hierarquia era o imediato, que colocava a tripulação para trabalhar e cuidava das cargas, mas também precisava entender de navegação, porque se o mestre morresse, era ele que assumia. O contramestre atuava ao lado do imediato, como uma espécie de capataz do navio. A equipe tinha ainda outras especialidades, como carpinteiros, médicos cirurgiões
  29. 14:30e até sacerdotes que rezavam a missa aos domingos. O contato dos escravizados com os funcionários era quase sempre violento. Eu fui jogado para o alto por alguns membros da tripulação para verem se eu era saudável e naquele momento acreditei que tinha chegado em um mundo de espíritos maus que iam me matar. Esse relato é de mais um escravizado que escreveu suas memórias. Daqui a pouco a gente vai voltar no Bacoacoa, Mas esse é o nigeriano Olodai Kiano, que comprou sua liberdade aos 21 anos
  30. 15:00e se tornou um escritor abolicionista na Grã-Bretanha. A descrição dele da travessia inclui algumas impressões sobre a tripulação. A aparência deles era muito diferente da nossa. Os cabelos compridos e a língua que falavam, que era muito diferente de tudo que eu já tinha ouvido, se uniram para reforçar a minha crença de que eu ia morrer. O Equiano estava num navio com 245 africanos escravizados rumo à Ilha de Barbados, no Caribe, na segunda metade do século XVIII.
  31. 15:30Quando percorri o navio com os olhos, eu vi uma grande fornalha de cobre fervendo e muitas pessoas negras com diferentes descrições acorrentadas juntas, cada uma com seu semblante expressando desânimo e tristeza. Não mais duvidei do meu destino. Bastante dominado pelo horror e pela aflição Fiquei sem ação no convés e desmaiei Agora você imagina, por exemplo Uma viagem longa do Porto de Luanda
  32. 16:00Até o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro Durante todo o trajeto O contato com a tripulação Se limitava às questões do trabalho forçado Como lembra a professora Nilma E tinha uma hora que dava um pouco d'água E uma alimentação Porque também a viagem às vezes durava mais de 30 dias não dava para ficar sem nenhuma comida, alguma coisa eles comiam ali. Geralmente era um angu que faziam, e davam angu nesse período de viagem. E muitas vezes, como eles ficavam esperando o navio chegar, eles juntavam alguma coisinha,
  33. 16:30alguma coisa deles mesmo, comida, alguma coisa, e eles vinham com uma trouxinha, com alguma coisa guardada, e às vezes traziam comida. O navio onde estava o equiano, na década de 1750, levava cerca de dois meses para cruzar o Atlântico. O Baquáqua, já em meados do século XIX, provavelmente ficou no mar por cerca de 30 dias.
  34. 17:00O único alimento que recebíamos durante a viagem era milho ensopado fervido. Não sei dizer por quanto tempo ficamos confinados, mas parecia muito tempo. Sofremos muito com sede, mas tudo o que precisávamos era negado Uma caneca por dia era tudo o que era permitido, e nada mais Muitos morreram durante a viagem Havia um colega que ficou tão desesperado de sede
  35. 17:30Que tentou pegar uma faca de um homem branco que trazia água Ele foi levado para o convés e nunca soubemos o que aconteceu com ele Achamos que ele foi lançado no oceano Bem antes do Equiano e do Bacuacua, houve uma tentativa de regulamentar os navios que faziam o tráfico humano no Atlântico. Foi a Lei das Arqueações, de 1684, elaborada pela Coroa Portuguesa. A arqueação é a medida do volume interno de uma embarcação, ou seja, quanto peso o navio pode carregar e em quais condições.
  36. 18:00A lei se preocupava com o estado físico dos africanos no porão, mas não por razões humanitárias, e sim pela questão econômica. Porque o índice de mortalidade na travessia era muito alto. E perder aquelas pessoas significava também perder dinheiro. Então, ficou determinado que os navios não podiam ficar superlotados e que os escravizados deviam receber água, comida e cuidados médicos caso ficassem doentes.
  37. 18:30Ouve só esse trecho da lei e me diz se você acha que ela foi cumprida. Se tratará deles com toda caridade e amor ao próximo. Serão levados e separados para aquela parte onde lhes possam aplicar os remédios necessários para a vida. É lógico que as condições continuaram sendo degradantes. No início do século XVIII, uma viagem entre Luanda e Rio de Janeiro tinha índices de mortalidade entre 25% e 30%.
  38. 19:00Esse número caiu para 10% nas últimas décadas do século XVIII e para 5% no início do século XIX. A diminuição das mortes se explica pelas novas tecnologias marítimas, que reduziram o tempo de viagem, e pela prática de lavar os porões com vinagre e melhorar um pouco a ventilação. Mas, se a situação já era ruim dentro da legalidade, ela ficou ainda mais cruel na clandestinidade.
  39. 19:30mesmo com um acordo entre o Brasil e o governo britânico que tornou ilegal o tráfico transatlântico a partir de 1831. A gente tem que ver que foi horrível enquanto foi permitido, mas ficou muito pior depois que o tráfico foi proibido, porque continuou como ilegal. E aí, como os ingleses perseguiam a marinha, os navios que vinham, eles não se importavam em pegarem a carga
  40. 20:00todos jogarem no mar, aquelas pessoas todas morrerem afogadas para o navio não ser preso, porque o navio era um patrimônio muito mais caro do que aquelas pessoas então salva o navio, mas mata eles então a perseguição da marinha em relação aos navios, tornou o tráfico ainda pior porque as pessoas eram brutalmente mortas e quando chegavam que os que desembarcavam, tinham que desembarcar Eles se tiravam correndo dali, levavam para algum lugar e lá eles já eram negociados.
  41. 20:30Então, foi horrível enquanto foi legal. E foi pior ainda quando foi ilegal. Não houve nenhuma melhora para o africano. A perseguição foi tão cruel ou maior que antes. A viagem era uma coisa assustadora.
  42. 21:00Fomos empurrados para o porão do navio Luz. Os homens sendo amontoados em um lado e as mulheres no outro O porão era tão baixo que não podíamos levantar Éramos obrigados a ficar sentados ou agachados no chão Estávamos desesperados devido ao sofrimento e à fadiga
  43. 21:30Mesmo que metade da carga, como eles chamavam, morresse O lucro era grande e eles não tinham o menor poder Era criança que morria, era, sabe, adulto. A pesquisa da professora Nilma e os relatos do Bacuacua só confirmam que a imagem da travessia era, de fato, a imagem do horror. Centenas de homens, mulheres e crianças passavam dias e dias confinados no porão,
  44. 22:00presos com grilhões, sem ventilação, sem higiene, sem alimentação adequada. Pessoas que vinham de povos diferentes, que mal se conheciam, mas naquele martírio criavam um sentimento de solidariedade e companheirismo. Ali eram todos malungos. O malungo era o companheiro de viagem. O termo malungo seria quase como se fosse meu irmão de viagem.
  45. 22:30E é muito interessante porque das religiões afro-brasileiras isso foi preservado. As pessoas que deitam para o santo juntos são chamadas irmãos de barco. É o barco que vai sair, quando ele sai na cerimônia da iniciação, eles são chamados, o barco vai sair. E é o irmão de barco, aqueles que deitaram juntos naquela iniciação são chamados de irmãos de barco.
  46. 23:00Isso foi muito preservado da viagem, porque na viagem havia, lógico, era muito tempo de viagem e muito sofrimento. Então, eles, de certa forma, eles tinham que preservar ali, tentar preservar alguma coisa de identidade deles. A palavra malungo provavelmente deriva da mesma raiz de calunga. Por isso, não é simplesmente alguém que está na mesma viagem. É alguém que está naquela viagem específica, na travessia da Calunga Grande.
  47. 23:30O companheiro que surge quando não tem mais ninguém olhando por eles. Os nossos sofrimentos eram nossos. Não tínhamos ninguém com quem compartilhar os nossos problemas. Ninguém para tomar conta de nós. Ou até mesmo para nos dizer uma palavra de conforto. E só quem fez aquela viagem sabe exatamente o que era aquele sofrimento.
  48. 24:00Se os indivíduos favoráveis à escravidão tomassem o lugar de um escravo no porão fedorento de um navio negreiro apenas por uma viagem da África para a América e não se tornassem abolicionistas, então eu não teria nada mais a dizer a favor da abolição. Mas acho que as suas opiniões e seus sentimentos em relação à escravidão mudariam em algum grau.
  49. 24:30Quando o Bacoacoa completou a travessia e chegou ao Brasil em 1845, o tráfico transatlântico já estava proibido há mais de uma década. Antes do Rio de Janeiro, ele desembarcou em Pernambuco, mas não no Porto de Recife, porque aquela chegada era clandestina. Você lembra que a professora Nilma falou sobre as condições depois da proibição? Pois é. Chegamos em Pernambuco, na América do Sul, de manhã cedo, e a embarcação ficou navegando ao longo da costa durante o dia, sem ancorar.
  50. 25:00Não bebemos nem comemos nada E nos fizeram entender que tínhamos que ficar em silêncio absoluto E não fazer nenhum alarido Caso contrário, as nossas vidas estariam em perigo Mas quando a noite lançou seu manto negro sobre a terra e o mar A âncora foi lançada E pudemos subir para o convés para sermos vistos e manipulados pelos nossos futuros senhores
  51. 25:30Que tinham subido a bordo vindos da cidade Quando cheguei à praia, me senti grato por poder respirar o ar puro. Naquele momento, eu pouco me importava que era um escravo. Sair do navio era tudo o que eu queria. Capítulo 3 – Depois do Mar
  52. 26:00O Bacuacua foi vendido para um homem português, católico, que vivia em Recife com a esposa, dois filhos e outras quatro pessoas escravizadas. Esse homem estava construindo uma casa do outro lado de um rio e o Bacuaco era obrigado a caminhar 400 metros, carregando na cabeça pedras muito pesadas, até chegar no barco. Com o tempo, ele foi aprendendo o idioma e, quando já sabia contar até 100,
  53. 26:30passou a ser usado para vender pães na cidade. Nos dias em que não vendia tudo, era punido com chicotadas. Certa vez, fugiu e tentou tirar a própria vida se jogando no rio, mas ele foi resgatado. No livro, ele conta em detalhes a punição que recebeu por aquele ato. É um relato tão violento que a gente nem vai reproduzir aqui. Mas só para você ter uma ideia, o Bacuacua ficou com cicatrizes daquele dia para o resto da vida.
  54. 27:00E durante séculos, esse foi o cotidiano de milhões de homens, mulheres e crianças. Então, essa questão da escravidão, atrocidades que iam acontecendo, sabe? Se a gente vê o dia a dia, o cotidiano, eu procurei muito a questão da mulher escrava. A professora Nilma pesquisou profundamente histórias de escravizados na região dos lagos, no litoral fluminense, porque aquela área em torno de Cabo Frio
  55. 27:30concentrou muitos desembarques ilegais. Para você que está escutando, eu recomendo muito o livro dela, O Sagrado e o Profano, Vivências Negras no Rio de Janeiro. Tem a história de uma menina que eu localizei que está no livro. Ela tinha 16 anos e o filhinho dela tinha dois. Ela fugiu com a criança. Aí ela, quando viu que a polícia estava atrás dela e que a criança era o indício, e aí ela foi e deixou na casa de uns amigos, escondido, o menininho, e ela fugiu.
  56. 28:00Quando ela soube que o senhor tinha descoberto que estava na casa daqueles amigos e pegou a criança, ela voltou e se entregou para poder ficar perto do filho. Então, o cotidiano da escravidão foi terrível. Uma mocinha de 16 anos pegou a barca Rio-Niterói, o Ferry Boats, para poder, quando estava no meio da embarcação do mar, da Baía de Guanabara, ela se atirou com o filho na água.
  57. 28:30Um marinheiro viu, pulou, e ela lutando, que ela queria morrer afogada com o filho, lutando, eles conseguiram tirar. Tiraram, salvou ela e a criança, mas ela foi processada. porque ela estava destruída o patrimônio do senhor todas que fugiam todas que se escondiam no mato, qualquer coisa era o medo de serem separadas essa moça ainda falou eu sei o que eu passei na mão desse homem eu não quero que meu filho passe por isso
  58. 29:00tragédias que parecem ficção e não por acaso surgem por exemplo na literatura de Machado de Assis o conto Pai contra Mãe de 1906 narra a história de Cândido Neves, um homem branco pobre do Rio de Janeiro, que vivia de capturar escravizados fugidos em troca de recompensas. Pegar escravos fugidos trouxe-lhe um encanto novo. Não obrigava a estar longas horas sentado.
  59. 29:30Só exigia força, olho vivo, paciência, coragem e um pedaço de corda. Cândido Neves lia os anúncios, copiava-os, metia-os no bolso e saía às pesquisas. Tinha boa memória. Fixados os sinais e os costumes de um escravo fugido Gastava pouco tempo em achá-lo, segurá-lo, amarrá-lo e levá-lo Quando Clara, a esposa do Cândido, fica grávida A tia dela lembra que o casal não tem dinheiro para criar um filho
  60. 30:00Já que ele não estava mais conseguindo encontrar escravizados fugidos A tia aconselha a entregar a criança na roda dos enjeitados Aquele mecanismo com uma portinhola giratória embutida na parede onde recém-nascidos eram entregues para as instituições de caridade. Desesperado e sem trabalho, Cândido aceita e sai de casa em direção à Rua dos Barbonos para deixar o filho na roda. Cortando o caminho por um beco perto da Rua da Ajuda, ele avista uma escravizada que ele já procurava há muito tempo.
  61. 30:30No impulso, ele deixa o filho numa farmácia e volta para capturá-la. Arminda bradou conforme a nomeava o anúncio. Armindo voltou-se, sem cuidar malícia Foi só quando ele, tendo tirado o pedaço de corda da algebeira Pegou os braços da escrava Que ela compreendeu e quis fugir Era já impossível Cândido Neves, com as mãos robustas Atava-lhe os pulsos e dizia que andasse A escrava quis gritar Parece que chegou a soltar alguma voz mais alta que de costume
  62. 31:00Mas entendeu logo que ninguém viria libertá-la Ao contrário Pediu então que a soltasse pelo amor de Deus Estou grávida, meu senhor, exclamou Se vossa senhoria tem algum filho, peço-lhe por amor dele que me solte O Cândido, que não só tinha um filho Como estava levando a criança para doação por falta de dinheiro Viu naquela captura uma chance de conseguir uma boa recompensa Capaz de ajudar na criação do menino Arrastou Arminda pela Rua dos Ourives até a Rua da Alfândega
  63. 31:30Onde vivia o escravizador dela Aqui está a fujona, disse Cândido Neves Arminda caiu no corredor Ali mesmo o senhor abriu a carteira E tirou os cem mil réis de gratificação Cândido guardou as duas notas de cinquenta mil réis Enquanto o senhor novamente dizia à escrava que entrasse O desfecho do conto é um dos mais tristes Na obra de Machado de Assis No chão, onde jazia, levada do medo e da dor
  64. 32:00E após algum tempo de luta, a escrava abortou Seja na literatura de Machado ou nas histórias reais pelas ruas do Rio de Janeiro Como disse a professora Nilma, era sempre uma mulher fazendo de tudo para não se separar do seu filho E tanto na ficção como na realidade, o final feliz era algo muito raro Até quando parecia que ia dar certo, o desfecho podia ser cruel
  65. 32:30Como numa história que, de certa forma, remete ao que aconteceu com o Bacoacua. Que é um homem que desembarcou já em Cabo Frio, quando o tráfico já era ilegal e era proibido. Ele desembarcou em Cabo Frio e ele conseguiu burlar, porque era na Praia do Peró. A Praia do Peró até hoje é uma praia muito isolada. Então ele conseguiu se esconder no mato, porque muitos caíam, ficavam mortos, os outros já estavam quase morrendo, eles largavam para lá.
  66. 33:00E alguns até se recuperavam, ficavam lá no meio do mato e iam se recuperando. E esse homem pensou, vou voltar para a minha terra. E aí ele saiu andando da Praia do Peró e chegou até o centro de Cabo Frio, mas tem a Lagoa, o canal de Itajuru, e ele não tinha como passar. Aí uns barqueiros atravessaram ele, e ele sem falar português, uns ou outros ainda falavam africano, ajudaram e mandaram ele para a casa de uma pessoa importante, ilustre, em Cabo Frio.
  67. 33:30O homem transformou ele em escravo dele. Lembra do Bacuaco ainda na África? Ele achou que estava sendo levado para a casa de uma pessoa ilustre, para uma festa, com bebida. Achou que depois ia voltar para casa, quando, na verdade, ele estava sendo sequestrado para cruzar o Atlântico. Ele achando que ia conseguir voltar para a terra dele, e não conseguiu, virou escravo. E assim, as pessoas iam passando de um escravizador para o outro, como se fossem mercadorias. Em Pernambuco, o Bacoacoa foi vendido para o capitão de um navio
  68. 34:00e se mudou para o Rio de Janeiro. Ele passou a trabalhar apolindo as partes metálicas da embarcação, além de limpar talheres e cumprir outras funções na cabine. Foi promovido ao cargo de segundo criado de bordo e depois primeiro criado de bordo. Simbolicamente, o nome do navio era Lembrança. Ele partia do Rio e viajava para fazer negócios no sul do Brasil e até fora do país.
  69. 34:30Nessas viagens, o Bacuacua recebia muitos castigos físicos. Para atenuar o sofrimento, ele passou a beber com frequência. Até que a tripulação fez uma viagem do Rio a Nova York para levar uma carga de café. Ali também houve todo tipo de punição física, mas naquele momento Nova York não tinha mais escravidão. escravidão. O Bakwakwa conta que a primeira palavra em inglês que ele aprendeu foi free,
  70. 35:00livre. Quem ensinou foi um tripulante britânico que, durante a viagem, contava várias histórias sobre os Estados Unidos. Quando a embarcação já estava atracada, ficou evidente que aquela era uma chance única. Havia uma prancha ligando o navio até a terra firme. Eu passei por ela e corri como se fosse pela minha vida, obviamente sem saber para onde estava indo. Eles me perguntaram qual era o problema, mas eu não sabia responder, já que não sabia
  71. 35:30nada de inglês, exceto a palavra free. O Bacuacua foi levado até o curso brasileiro, ficou detido durante algumas semanas, mas antes de ser enviado de volta ao Rio de Janeiro, conseguiu fugir com a ajuda de abolicionistas americanos. De Nova Iorque ele foi para Boston e de lá para o Haiti, que já tinha passado pela Revolução dos Escravizados e era uma nação independente desde 1804.
  72. 36:00Quando cheguei ao Haiti, me senti livre, como de fato era. Fomos inicialmente para a casa do imperador, que foi muito gentil conosco. Ou seja, aquele homem que na adolescência era muito próximo do rei em Zugu, na África, passou por todos os horrores da escravidão e agora, do outro lado do Atlântico, voltava a ser livre num país de maioria negra e se aproximava novamente de um imperador.
  73. 36:30No Haiti, o Bakwakwa se converteu ao cristianismo, depois voltou aos Estados Unidos e estudou durante três anos na Universidade de McGrawsville, uma instituição abolicionista em Nova Iorque. De lá foi para o Canadá e se naturalizou canadense. Mais tarde, contratou um irlandês chamado Samuel Moore para redigir seu livro de memórias. Ele chegou a enviar uma carta a um amigo em Detroit pedindo dinheiro emprestado para imprimir o livro.
  74. 37:00Para Garrett Smith, Detroit, 4 de julho de 1854. Meu caro irmão em Cristo, a minha narrativa está pronta para ir para a gráfica. A razão que escrevo isso é que a impressão dela custará muito. Eu não tenho mais dinheiro para pagar por ela. Será um livro muito interessante. Um homem escreveu para mim. Eu paguei para isso. Eu ficaria muito contente se você pudesse me emprestar 200 dólares para imprimi-lo.
  75. 37:30E eu o pago há cerca de seis meses. Atenciosamente, Muhammad Gardo Bakwakwa. A publicação aconteceu em 1854 e a última frase da biografia é do Samuel Moore, dizendo que o Bacuacua gostaria de retornar à África. Se houver um chamado para que ele retorne à sua terra natal, ele aceitará com alegria e certamente os seus amigos desejarão ajudá-lo em seu propósito benevolente.
  76. 38:00Depois de 1857, não existem mais registros daquele homem. Até hoje não se sabe se ele realizou o desejo de voltar para o continente africano depois de todas as atrocidades que enfrentou nas Américas. Então eu acho que se a gente começar a pensar na escravidão não como um aspecto, mas entrar no cotidiano dessa população escravizada, é que é terrível a gente ver o que acontecia. O cotidiano da escravidão foi terrível
  77. 38:30e isso deixou uma marca profunda na história do povo brasileiro. A gente vê no dia a dia ainda, muitas vezes as pessoas olham, está num banco, entra um homem negro, as pessoas já olham meio atravessadas. Isso é o que? Isso é a consequência da escravidão. A escravidão cotidiana, a gente tem a ideia da escravidão como o processo que aconteceu, mas não vai lá na vida daquelas pessoas que viveram aquilo.
  78. 39:00Por isso, nesse episódio sobre a travessia, a gente quis que você escutasse o relato de alguém que de fato viveu aquilo. E aquelas pessoas que viveram aquilo são os ancestrais de grande parte da população brasileira. Como minha tataravó foi escravizada, minha bisavó foi escravizada. Então, esse sofrimento cotidiano Foi uma das coisas mais terríveis e que nós ainda temos a herança.
  79. 39:30Uma herança que, no caso da professora Nilma, começou no Rio de Janeiro e está com a família dela até hoje. A minha tataravó, Margarida, ela era africana e o meu tataravô, Gonçalo. E até hoje nós temos na nossa casa, todas as pessoas da família têm em casa, um tinhorão. Chinhorão é uma planta de folhas grandes em formato de coração. Eu sempre fiquei assim, duvida. Falei assim, vai ver que é novela.
  80. 40:00Aí eu fui lá no Jardim Botânico e realmente disseram, esse Chinhorão não é brasileiro, não é da África. E ela trouxe, todo mundo da família tem a Chinhorão que ela trouxe. Eu tenho muito amor por minha avó, minha tataravó e por meu tataravô, porque eles lutaram. Meu vovô Gonçalo, tataravô Gonçalo, ele foi escravo aqui no Rio de Janeiro, escravo de ganho. O escravo de ganho era aquele que saía, o senhor dava o material, ele vinha vender,
  81. 40:30vivia na cidade e levava depois a verba da venda para a família. E meu tataravô vendia melado. E ele ajuntou o dinheiro, por isso ele comprou a liberdade do filho, Adão. Eu acho que foi a força dele e da minha tataravó que deu possibilidade da família permanecer unida. Então, eu acho que nós, descendentes deles, temos que ter o maior orgulho deles,
  82. 41:00porque eles enfrentaram, sofreram, foram escravizados, foram excluídos, foram humilhados, mas eles sobreviveram a isso. Sobreviveram e grande parte da população brasileira descende deles. Eu acho que a história deles é maravilhosa, é de sofrimento, mas é uma história de força também e de fé, porque eu acho que ninguém coloca um filho no mundo sem ter fé que aquela criança vai ser bem-sucedida na vida.
  83. 41:30Eu quero agradecer demais a professora Nilma Teixeira Scioli por ter acompanhado a gente nessa jornada tão difícil, mas tão necessária. E agradeço também a quem deu voz aqui no episódio aos relatos do Bacuacua. Você provavelmente reconheceu essa voz, né? Quem leu os trechos da biografia foi o Thiago André, do incrível podcast História Preta.
  84. 42:00Obrigada, Thiago. E obrigada a você que ouviu até aqui. Eu sei que esse não foi um episódio fácil, mas eu espero que ele tenha te tocado de alguma forma. Não foi por acaso que, num episódio sobre a travessia do Atlântico, você não ouviu em nenhum momento o som do oceano. Um som que você se acostumou a ouvir aqui no Rio Memórias. Hoje, em vez de ouvir o mar, você tinha que ouvir as histórias de quem atravessou o mar.
  85. 42:30A temporada está só começando. Vão ser seis episódios baseados na Galeria Rio Atlântico que você encontra no nosso Museu Virtual em riomemórias.com.br. Conta pra gente o que você tá achando. A nossa arroba é riumemórias no Instagram. Eu sou a Gabriela Montoni, historiadora e apresentadora desse podcast que é produzido pela Escuta Aqui.
  86. 43:00O Rodrigo Alves coordena a produção, escreve os roteiros e grava as locuções adicionais. O Tales Ramos faz a supervisão dos roteiros. A Jamile Boulay grava as entrevistas. Foi ela que conversou com a professora Nilma no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro, com a supervisão técnica do Dani Di. As minhas locuções são gravadas no Estúdio Frango no Bafo, em Belo Horizonte. A Clara Costa faz a montagem, a edição e a sonorização do podcast.
  87. 43:30A Giovanna Orsini é a assistente de edição. A trilha sonora original é composta pelo Gabriel Falcão e a pesquisa histórica é do Davi Arueira. Obrigada e até mais! essa temporada do podcast é patrocinada pelo Ministério da Cultura por meio da Lei de Incentivo à Cultura e pelas empresas Norsul, Modal, Impulso e Casnar Leonardo até o próximo episódio

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Todos os episódios

  1. 01Chegadas e Renascimentos
    Duração 35:02

    A partir do século 16, o Rio de Janeiro recebe uma infinidade de povos que cruzam o Atlântico - por vontade própria ou, no caso dos africanos, confinados nos porões dos navios. Na abertura da 5ª temporada: o desembarque, a identidade roubada, o sentimento do banzo, a reinvenção nos zungus e nas irmandades religiosas de um Rio africanizado e forjado pelo oceano. Entrevistado neste episódio: Eduardo Possidônio.

  2. 02A Travessia
    Duração 44:08

    No segundo episódio da temporada Rio Atlântico, a parte mais dolorosa da relação entre o Rio de Janeiro e o oceano: a travessia dos escravizados. A jornada terrestre do sertão africano até o litoral, a longa viagem no porão do navio, e a chegada a uma terra desconhecida. Com trechos do relato de um ex-escravizado que passou por cada uma dessas etapas. Entrevistada nesse episódio: Nilma Teixeira Accioli. ||| Rio Memórias. Histórias do Rio para ouvir. Na temporada Rio Atlântico: a travessia traumática, a outra margem, a cidade porto, as reinvenções e as heranças culturais. Visite a galeria no museu virtual ⁠⁠riomemorias.com.br⁠ para se aprofundar nos temas⁠. Siga ⁠⁠@riomemorias⁠ no Instagram⁠. ||| Apresentação: Gabriela Montoni. Coordenação, roteiros e locuções adicionais: Rodrigo Alves. Leituras adicionais neste episódio: Thiago André, do podcast História Preta. Supervisão de roteiro: Thales Ramos. Produção e entrevistas: Jamille Bullé. Pesquisa: Davi Aroeira. Edição e sonorização: Clara Costa. Assistência de edição: Giovanna Orsini. Trilha sonora original: Gabriel Falcão. Gravações: Estúdio Rastro (RJ) e Estúdio Frango no Bafo (MG). Direção executiva: Lívia Baião.

  3. 03A outra margem
    Duração 36:20

    No terceiro episódio da temporada Rio Atlântico, a margem africana do oceano. Costa da Mina, Congo-Angola, Moçambique: os pontos de onde mais saíram escravizados rumo ao Rio de Janeiro, e as memórias que essas pessoas carregaram no navio. Entrevistada neste episódio: Monica Lima.

  4. 04A cidade porto
    Duração 36:32

    No quarto episódio da temporada Rio Atlântico, a história da zona portuária do Rio de Janeiro. O podcast te convida para chegar pela Baía de Guanabara, conhecer os diferentes pontos de desembarque ao longo dos séculos, atravessar a alfândega e perceber sons, imagens e aromas da cidade porto. Entrevistada neste episódio: Martha Abreu.

  5. 05O caminho de volta
    Duração 35:45

    No quinto episódio da temporada Rio Atlântico, as histórias de africanos e africanas que não apenas conquistaram a liberdade como conseguiram voltar para casa cruzando novamente o oceano. Entrevistada neste episódio: Monica Lima.

  6. 06A invenção do Rio Africano
    Duração 34:37

    No episódio final da temporada Rio Atlântico, a herança africana no cotidiano carioca. As palavras que a gente usa no dia a dia, os sabores, os sons, a música, e um passeio pelo lugar mais africano do Rio de Janeiro. Entrevistada neste episódio: Lucimar Felisberto dos Santos. Locução adicional: Theo Ramos.