“Desculpeatrapalharosilênciodesuaviagem”

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Rio Memórias

Ambulantes em praia do Rio de Janeiro

Basta pôr o pé na areia. Não demora muito, e já começamos a ouvir os ambulantes anunciarem a plenos pulmões um produto cuja história de 75 anos é denunciada pela embalagem eterna: “Ó o Globo! É o salgado e é o doce”. Sempre acompanhado pelo mate gelado, o biscoito ainda mantém ares retrô e é um dos símbolos do Rio.

Mas as areias cariocas também acolhem os bordões e cantorias de vendedores de cerveja, cangas, sorvete, óculos de sol, sanduíche. Alguns surfam na onda gourmetizada, oferecendo hambúrgueres de nomes rebuscados e acepipes de grife — quem não conhece o sucolé do Claudinho? A variedade de produtos é imensa, e a gritaria se mistura ao som das ondas do mar, dos pés se arrastando na areia, das resenhas após as partidas de futevôlei, das canções que vêm de caixinhas de sons e dos quiosques, num singular burburinho.

Foto: Monique Cabral - Vendedor ambulante na Praia de Copacabana - Agência Tyba

Uma pessoa caminha com balões coloridos nas costas, em avenida.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia de uma pessoa caminhando pela calçada de uma avenida. A pessoa está carregando um grande monte de balões coloridos nas costas. Os balões são de várias cores, incluindo verde, azul, rosa e laranja. Ao fundo, há edifícios altos e uma estrada com alguns carros.

Não por acaso, em 2012, os vendedores ambulantes se tornaram Patrimônio Cultural e Imaterial da cidade do Rio de Janeiro. Mas não pense que estão apenas na praia. Eles também circulam com seus bordões irreverentes e inventivos em ônibus, trens e metrôs. Não raro, usam um mote para começar a longa explanação sobre o produto que oferecem: “Desculpem atrapalhar a tranquilidade da sua viagem”.

E há os ambulantes que, a despeito do nome, mantêm-se fixos em ruas e em praças, ou ainda nos chamados “camelódromos”. Um dos mais famosos é aquele que integra a Saara, a Sociedade de Amigos das Adjacências da Rua da Alfândega, no centro do Rio, por onde ecoa sua inconfundível vinheta: “Rádio Saara, a voz do centro do Rio!”. Mas há vários outros, como o de Madureira, próximo ao Mercadão, e o de Campo Grande, nos quais a variedade de produtos — e de sons — é enorme. Nesse infindável universo sonoro, em meio ao burburinho das conversas e negociações, os vendedores tentam atrair clientes através de sambas, hinos evangélicos e berros anunciando as principais pechinchas do dia.

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