Rio de Sons
CURADORIA
Heloisa Murgel Starling
Na cidade há som. O Rio de Janeiro é canção e barulho. Nossos ouvidos escutam um velho samba que toca em um botequim, o grito do "olha o mate" na praia, o bloco de carnaval que passa na rua, o helicóptero que sobrevoa uma comunidade. O silêncio não existe. Ao andarmos pelas ruas, somos invadidos por sons e barulhos com os quais nos identificamos e identificamos a cidade.
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O mapa simbólico do Rio se desdobra numa trama infinita de ruídos e músicas, uma mistura que abraça tanto o grito da torcida, em dia de jogo, quanto o som metálico do VLT sobre os trilhos; as palavras de ordem de passeatas e os bordões irreverentes dos vendedores ambulantes. Nuances da alma encantadora das ruas, como cunhou João do Rio, no começo do século XX.