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Rio Memórias

Banda Facção Caipira em apresentação no Circo Voador

Os primeiros sons a ressoarem sob a lona branca e azul do Circo Voador foram riffs de guitarras. A “nave”, como o Circo ainda é chamado, nasceu na praia do Arpoador, em 1982. Mas só permaneceu à beira-mar por cerca de dois meses: logo foi obrigada pela prefeitura a deixar as areias. O jeito foi se mudar para a Lapa, à época um bairro degradado, tornando-se palco primordial para o crescimento do rock brasileiro naqueles anos 1980. Mas não só isso. O Circo representou também toda uma cultura que se formava com a abertura política da época. Sua existência acompanha a história da música brasileira, ao mesmo tempo em que se instaura como um espaço cultural alternativo, lugar de resistência para artistas negligenciados pelas rádios. Além disso, foi peça-chave para a revitalização da Lapa.

Circo noturno com palco iluminado e pessoas caminhando.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia noturna de um circo. À esquerda, há uma área com carros estacionados e pessoas caminhando. No centro, há uma grande estrutura iluminada com luzes brancas, que parece ser o palco do circo. À direita, mais pessoas estão reunidas perto da estrutura. O céu está escuro, e há algumas luzes de rua ao longo da esquerda da imagem.

RJ 17/01/1982. Espetáculos e Shows - Circo Voador. O Circo Voador do Arpoador. Athaide dos Santos / Agência O Globo. Negativo : 82-808

A guitarra, baixo e bateria dos jovens roqueiros que despontavam na cena brasileira na década de 1980 compartilharam espaço sob a lona com todos os tipos de ritmos. E tem sido assim até hoje. Funk, rap, MPB, punk, samba, pagode. Escuta-se de tudo nesse espaço cultural, que já abrigou alguns dos shows mais antológicos da cena carioca — incluindo atrações internacionais.

Caetano Veloso no Circo Voador com seus filhos, em 2018.

Mas a nave não é só música. Perfeito Fortuna e o grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone imaginaram o Circo Voador, naquele começo dos anos 1980, como um lugar que abrigasse também espetáculos circenses, performances, poesia, festa, desbunde. Quase 40 anos depois, a lona continua sendo palco para festivais e atrações culturais não estritamente musicais, além de ancorar projetos sociais e culturais, que incluem até uma creche-escola.

Não à toa, o Circo já ganhou ao menos um livro — Circo voador: a nave, de Maria Juçá — e dois documentários — o de Tainá Menezes, que tem o mesmo nome do livro, e A farra do Circo, de Roberto Berliner e Pedro Bronz. Tentativas de narrar ao menos parte de uma vida agitadíssima, cheia de altos e baixos e de barulhentas novidades.

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